Qual a diferença do Batismo de João Batista para o Batismo Cristão ?

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Ninguém pode compreender o Batismo sem pensar na Ressurreição de Jesus. Na madrugada daquele domingo glorioso, o Pai derramou o Espírito Santo, Espírito de Ressurreição, sobre o Filho: seu Corpo e Alma foram ressuscitados. Jesus ficou pleno do Espírito Santo, de modo que sua natureza humana tornou-se gloriosa: Jesus foi manifestado na carne (natureza humana) e justificado (e ressuscitado) pelo Espírito (1Tm 3, 16).

Jesus Cristo, glorificado pelo Espírito Santo, entrou no Cenáculo de Jerusalém e derramou o Espírito da Ressurreição sobre os Apóstolos: “A paz esteja convosco! Recebei o Espírito Santo (Jo 20, 19-22)!” Jesus recebeu do Pai o Espírito Santo prometido, batizou nEle a Igreja e derramou sobre nós este mesmo Espírito (At 2, 32)!

João Batista já havia profetizado: “Eu batizo com água, mas vem aquele que batizará com o Espírito e com Fogo” (Jo 1, 33; Lc 3, 16). O batismo de João, na água, era preparatório para a vinda do Messias: ainda não era o Sacramento do Batismo, não era o Batismo cristão. É o Messias, isto é, o Ungido no Espírito de Ressurreição, quem batizará no Espírito. Cristo mesmo diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, o Senhor me ungiu” (Lc 4, 18). Os cristãos, portanto, nunca tiveram “batismo nas águas”: o nosso Batismo é no Espírito Santo! Falar em “batismo nas águas” é voltar ao Antigo Testamento; é parar em João Batista e desprezar o Sacramento do Batismo trazido por Cristo!

Foi no Domingo da Páscoa que os Apóstolos tornaram-se realmente cristãos; receberam a vida nova do Ressuscitado, foram transfigurados em Cristo! Aí nasceu a Igreja: na Ressurreição! Aí ela foi batizada e recebeu o poder de batizar: “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio (Jo 20, 21)!” Assim, a Igreja deve batizar todo aquele que crê. Isto significa acolher Jesus Ressuscitado nas águas do Batismo. A palavra “batizar” vem do grego e significa, literalmente, mergulhar, imergir. Mas não significa mergulhar na água, e sim a imersão no Espírito Santo de Deus, o Espírito prometido que ressuscitou Jesus! É isso que o Evangelho afirma: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus (Jo 3, 5)”. Observe bem: da água, símbolo e sinal do Espírito, renascer do próprio Espírito!

O mesmo Evangelho confirma: “Jesus, de pé, diz em alta voz: ‘Se alguém tem sede, venha a mim e beba!’ (…) Ele falava do Espírito que deviam receber os que creram nEle…” (Jo 7, 37-39). São Paulo explicou: “De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único Corpo (1Cor 12, 13).” Os cristãos não batizam somente na água que purifica o corpo, e sim no Espírito que Jesus dá por sua Ressurreição!

Efeitos do Batismo – Primeiro, o Espírito dado no Batismo é para o perdão dos pecados: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome do Senhor Jesus Cristo, para a remissão dos pecados; e recebereis o Dom do Espírito Santo.” (At 2, 38) Aquele que é batizado, recebendo o Espírito, recebe o perdão dos pecados. O Espírito do Ressuscitado é Fogo que queima todo pecado e Água que faz brotar uma vida nova.

O Espírito nos livra, primeiramente, do Pecado Original. Todos nós, desde a nossa concepção, somos membros de uma humanidade pecadora e desarrumada; uma humanidade que, desde o início, teima em fechar-se para Deus. O resultado é o desequilíbrio, o egoísmo, a falta de rumo.

Pelo simples fato de sermos humanos já fazemos parte deste fechamento em relação a Deus. Somos membros da humanidade, partilhamos do seu passado, que condiciona o nosso presente, o que somos, pensamos e fazemos, assim como o nosso presente condiciona o futuro dos nossos filhos. São Paulo diz: “Todos pecaram e estão privados da Glória de Deus” (Rm 3,23). O salmista canta: “Minha mãe já me concebeu pecador” (Sl 51, 5). É este o sentido do Pecado Original: ninguém nasce justo ou santo diante de Deus. Mesmo a criança, ainda sem pecado pessoal, já traz a marca do fechamento para Deus, do egoísmo, e o manifesta nas suas malcriações, no egocentrismo, nas chantagens infantis… É este estado que chamamos de Pecado Original.

É essa força do pecado que o Batismo, na potência do Espírito Santo, apaga em nós: “Não existe mais condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus.” (Rm 8, 1) E aos adultos, também os pecados pessoais são perdoados: “Se Cristo está em vós, o corpo está morto pelo pecado, mas o Espírito é vida, pela justiça (Rm 8, 2.10)”. O Batismo torna-nos realmente santos; somos santificados pelo Espírito daquele que destruiu o pecado: Cristo Jesus.

Aí surge uma questão importante: se é assim, por que continuamos caindo em tentação? Por que continuamos pecando, mesmo depois do Batismo? Para entender esta questão, é necessário saber distinguir o que é pecado e o que é a concupiscência.

Sim, mesmo aquele que crê em Jesus, e vive no seu Espírito, ainda experimenta a fraqueza. Isso acontece porque permanece uma tendência, uma inclinação para o pecado. Essa inclinação, segundo a Escritura e o Catecismo da Igreja, é a concupiscência. “O Batismo confere àquele que o recebe a graça da purificação dos pecados. Mas o batizado deve continuar a lutar contra a concupiscência da carne e as cobiças desordenadas (CIC §2520)”. A concupiscência não é pecado em si, desde que o cristão a combata: a doutrina da Igreja esclarece que a concupiscência foi-nos deixada para que possamos “combater o bom combate (2Tm 4, 7)”. Um mau desejo é concupiscência para o pecado, mas o pecado só se concretiza se alimentamos esse desejo ou se o satisfazemos. Por isso Jesus ensina a pedir ao Pai Celestial: “Não nos deixeis cair em tentação”.

E além do perdão dos pecados, o Espírito que recebemos no Batismo nos une, incorporando-nos em Cristo como membros de um só Corpo. Se temos o Espírito de Cristo, somos uma só coisa com Ele: “Aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só Espírito (1 Cor 6, 17)”! Maravilha das maravilhas! Pelo Batismo, a Vida do Ressuscitado, que é o Santo Espírito, habita em nós! Cristo está em nós e nós vivemos dEle e nEle! Assim, podemos dizer que o Batismo nos “cristifica”. Como São Paulo, podemos dizer: “Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim.” (Gl 2, 20).

 

Paulo Lelis

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