As Imagens na Bíblia

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Não raro levantam-se objeções contra o uso católico de confeccionar imagens sagradas, visto que esta  parecem proibidas pela Lei de Deus. Com efeito, diz o Livro do Êxodo:

“Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto” (Ex 20,4).

Os fieis católicos sentem-se, as vezes, em apuros param diante de tal texto, justificar a praxe católica de venerar  imagens. Eis porque, a seguir, abordaremos  o assunto, dando uma visão histórica do mesmo.

I – A DOUTRINA BÍBLICA

A – NO ANTIGO TESTAMENTO

O Senhor vedou aos israelitas a confecção de imagens, visto que, na antigüidade pré-cristã as mesmas eram conservadas como símbolos de que a divindade estava presente, ou como a divindade mesma. Dada esta mentalidade dos povos vizinhos de Israel, o uso das imagens acarretava o perigo  para a fé monoteísta dos hebreus, pois as poderiam ter na mesma conta que as tinham os idólatras. Justamente para evitar a confecção de imagens, o Senhor não tomava forma quando falava a Israel. Desta maneira subtraia ao seu povo qualquer  ponto de apoio para fabricar  alguma representação de Deus. (Ver Dt 4,15-20).

Os profetas foram assaz veementes na rejeição das imagens visto que, de fato, Israel tendia à  idolatria; tenham-se em vista os textos de Is 40,18; 44,9-20; etc.

As razões remotas que levavam os antigos a adorar imagens, era muitas vezes de ordem mágica, pois julgavam que a imagem participava da essência do indivíduo representado ou que era o próprio indivíduo. Assim, quem fizesse a imagem de um deus capturava-o ou exercia  poder e domínio sobre ele; encerrava a força  da divindade dentro do respectivo artefato, podendo, então, dispor da ação poderosa da divindade.

Esta ação, incompatível com a noção elevada  e pura de Deus na revelação bíblica, explica adequadamente a proibição ao uso de imagens no AT.

Como se vê, a proibição de imagens no AT  não implicava  oposição entre o material e o espiritual. O sentido era bem mais profundo e se prendia ao conceito mesmo de Javé e devia incutir que o Senhor era diferente dos deuses dos outros povos, que podiam ser representados e  fixados em um determinado lugar porque eram ficções dos homens; ao contrário, Javé  se manifestava  livre e soberanamente onde e quando queria, infinitamente acima das forças  e dos seres sensíveis, pois Ele é o Criador de todos.

Não obstante, em certos casos, o Senhor permitiu e até mandou  que se confeccionassem imagens sagradas, a fim de elevar a piedade de Israel.

a)   Foi, por exemplo, o que se deu na fabricação da Arca da Aliança: por ordem explícita de Javé, Moisés colocou dois querubins de ouro sobre o propiciatório da Arca (Ex 25,17-22). Era pelo propiciatório assim configurado que o Senhor falava a seu povo. Em vista disso, a Bíblia costuma dizer que “Javé está assentados obre os querubins” (1Sm 4,4; 2Sm 6,2; 2Rs 19,15; Tc);

b)     No Templo construído por Salomão, diz o texto sagrado que foram confeccionados querubins de madeira preciosa para ficar junto à Arca da Aliança (1Rs 6,23-28); e mais: as paredes do Templo foram todas revestidas de imagens de querubins (1Rs 6,29s). tais obras se fizeram, sem dúvida, com a ordem ou a aprovação do próprio Deus (1Cr 22,8-13); que, já no deserto, “comunicara  a Beseleel seu espírito – espírito de sabedoria, inteligência e ciência – para realizar toda espécie de obras, para conceber e executar projetos de obras em ouro, prata e bronze… assim como para talhar a madeira” (Ex 31,1-5). Vê-se, assim, com que apreço Deus considerava  as esculturas de seu templo, já mesmo no regime do Antigo Testamento.

c)     Em Nm 21,4-9, encontramos  Deus ordenando a confecção da serpente de bronze para curar os que foram mordidos de cobra.

d)     O mar de bronze colocado à entrada do palácio de Salomão era sustentado  por 12 bois de metal (1Rs 7,23-26). Havia também  entre os ornamentos do palácio figuras de leões e querubins (1Rs 7,28s).

 Estes textos dão a ver que a proibição de confeccionar imagens não era absoluta no AT, mas condicionada por circunstâncias  em que vivia o povo de Israel.

B – O NOVO TESTAMENTO

Passados alguns séculos, o mesmo Senhor que se manifestara invisível, assume a figura de Jesus Cristo e vem viver na terra. Em sua pregação, Jesus ilustrou as realidade transcendentais (o Reino de Deus, a misericórdia do Pai, o dinamismo da graça…) mediante imagens inspiradas pelas realidade invisíveis; tal foi o significado das parábolas.

Ademais, a evolução das culturas fez que o ambiente greco-romano fosse menos dado à magia e mais penetrado pela filosofia do que o dos povos primitivos.  Isto veio permitir melhor compreensão do alcance da Encarnação do senhor e das imagens sagradas.

 

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SACRAMENTO DA ORDEM NO CIC (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA)

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 O QUE É O SACRAMENTO DA ORDEM?

1536  É o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos seus Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos.

PORQUE SE CHAMA SACRAMENTO DA ORDEM?

1537 – 1538  Ordem indica um corpo eclesial, do qual se passa a fazer parte, mediante uma especial consagração (Ordenação), a qual, por um particular dom do Espírito Santo, permite exercer um poder sagrado em nome e com a autoridade de Cristo para o serviço do povo de Deus.

QUAL O LUGAR DO SACRAMENTO DA ORDEM NO DESÍGNIO DIVINO DA SALVAÇÃO?

1539 – 1546 ; 1590 – 1591 Na Antiga Aliança, este sacramento é prefigurado no serviço dos Levitas, no sacerdócio de Aarão e na instituição dos setenta «Anciãos» (Num 11,25). Estas prefigurações encontraram realização em Cristo Jesus, o qual, com o sacrifício da sua cruz, é o «único (…) mediador entre Deus e os homens» (1 Tim 2,5), o Sumo sacerdote à maneira de Melquisedec» (Heb 5,10). O único sacerdócio de Cristo é tornado presente pelo sacerdócio ministerial.«Só Cristo é o verdadeiro sacerdote, os outros são seus ministros» (S. Tomás de Aquino)

DE QUANTOS GRAUS SE COMPÕE O SACRAMENTO DA ORDEM?

1554 ; 1593 Compõe-se de três graus, que são insubstituíveis para a estrutura orgânica da Igreja: o episcopado, o presbiterado e o diaconato.

QUAL É O EFEITO DA ORDENAÇÃO EPISCOPAL?

1557-1558 1594  A Ordenação episcopal confere a plenitude do sacramento da Ordem, faz do Bispo o legítimo sucessor dos Apóstolos, insere-o no Colégio episcopal, partilhando com o Papa e os outros Bispos a solicitude por todas as Igrejas, e confere-lhe a missão de ensinar, santificar e governar.

QUAL É A MISSÃO DO BISPO NA IGREJA PARTICULAR QUE LHE FOI CONFIADA?

1560 – 1561  O Bispo, ao qual é confiada uma Igreja particular, é o princípio visível e o fundamento da unidade dessa Igreja, a favor da qual exerce, como vigário de Cristo, o ministério pastoral, coadjuvado pelos presbíteros e diáconos.

QUAL É O EFEITO DA ORDENAÇÃO PRESBITERAL?

1562 – 1567 ; 1595  A unção do Espírito assinala o presbítero com um caráter espiritual indelével, configura-o a Cristo sacerdote e torna-o capaz de agir em nome de Cristo Cabeça. Sendo cooperador da Ordem episcopal, ele é consagrado para pregar o Evangelho, para celebrar o culto divino, sobretudo a Eucaristia, da qual o seu ministério recebe a força, e para ser o pastor dos fiéis.

COMO É QUE O PRESBÍTERO EXERCE O SEU MINISTÉRIO?

1568  Embora seja ordenado para uma missão universal, ele exerce-a numa Igreja particular, em fraternidade sacramental com os outros presbíteros que formam o «presbitério» e que, em comunhão com o Bispo, e, em dependência dele, têm a responsabilidade da Igreja particular.

QUAL É O EFEITO DA ORDENAÇÃO DIACONAL?

1569 – 1571 ; 1596  O diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da Igreja sob a autoridade do Bispo, em relação ao ministério da Palavra, do culto divino, da condução pastoral e da caridade.

COMO SE CELEBRA O SACRAMENTO DA ORDEM?

1572 – 1574 ; 1597  Para cada um dos três graus, o sacramento da Ordem é conferido pela imposição das mãos sobre a cabeça do ordinando por parte do Bispo, que pronuncia a solene oração consecratória. Com ela, o Bispo invoca de Deus, para o ordinando, a especial efusão do Espírito Santo e dos seus dons, em ordem ao ministério.

QUEM PODE CONFERIR ESTE SACRAMENTO?

1575 – 1576; 1600  Compete aos Bispos validamente ordenados, enquanto sucessores dos Apóstolos, conferir os três graus do sacramento da Ordem.

QUEM PODE RECEBER ESTE SACRAMENTO?

1577 – 1578; 1598  Só o batizado de sexo masculino o pode receber validamente: a Igreja reconhece-se vinculada a esta escolha feita pelo próprio Senhor. Ninguém pode exigir a recepção do sacramento da Ordem, antes deve ser considerado apto para o ministério pela autoridade da Igreja.

É REQUERIDO O CELIBATO A QUEM RECEBE O SACRAMENTO DA ORDEM?

1579 – 1580 ; 1599  Para o episcopado é sempre requerido o celibato. Na Igreja latina, para o presbiterado, são normalmente escolhidos homens crentes que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato «pelo reino dos céus» (Mt 19,12). Nas Igrejas Orientais, não é consentido casar depois da Ordenação. O diaconato permanente pode ser conferido a homens já casados.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DO SACRAMENTO DA ORDEM?

1581-1589  Este sacramento dá uma especial efusão do Espírito Santo, que configura o ordenado a Cristo na sua tríplice função de Sacerdote, Profeta e Rei, segundo os respectivos graus do sacramento. A ordenação confere um caráter espiritual indelével: por isso não pode ser repetida nem conferida por um tempo limitado.

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A  MISSÃO   DO ANJO GABRIEL

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Tudo começa em Jerusalém, no templo, num dia parecido a todos os outros, sem que ninguém perceba. O povo está reunido para a oração; os sacerdotes de serviço entram no santuário para oferecer o incenso. Há um descendente de Abraão irreprovável; ele espera e deseja a vinda do Messias. Ele não tem filhos e já não espera tê-los, pois sua esposa é idosa e estéril. O anjo Gabriel se apresenta, Zacarias fica perturbado, o anjo o tranqüiliza: “Não tenha medo, Zacarias, sua súplica foi ouvida!” (Lc 1,13). A espera do Messias terminou, seu precursor logo vai chegar para preparar-lhe o caminho.

O anjo esclarece que a súplica de Zacarias foi atendida para além de suas expectativas. Ele terá um filho, e esse filho será causa de alegria não somente para sua família, mas para o mundo inteiro. Será ele a preparar o povo para a vinda do Messias; ele será grande, o Espírito Santo repousará sobre ele desde o seu nascimento; ele será um novo Elias. Diante do anúncio de um tal evento, Zacarias custa a crer. Ele nunca teria pensado que poderia ser o pai daquele que os profetas haviam anunciado como o precursor do Messias.

Zacarias não ousa crer, ele quer um sinal. Se ele exige uma prova, é menos para saber de antemão se ele terá de verdade a alegria de ser pai apesar de sua idade, do que para ter a certeza de que esse filho a ele prometido, é a prova da iminente chegada do Messias esperado. Um tal acontecimento vai sacudir o mundo, é fácil iludir-se. O anjo dá as garantias de sua missão: “Eu fui enviado para falar com você e anunciar-lhe esta boa nova”. Depois, dá-lhe o sinal pedido, um sinal desconcertante onde se percebe um fio de humor:  “Você ficará mudo até o dia em que se cumprirão esses acontecimentos” (Lc 1,5-20).

Está claro que é Deus quem toma a iniciativa. É sempre ele que começa; ele toma as dianteiras e prepara discretamente aqueles e aquelas que ele destina a colaborar com o seu grande desígnio. Zacarias e Isabel eram pessoas irreprováveis; eles queriam um filho sem suspeitar que ao desejá-lo, aspiravam à realização das promessas de Deus. O Senhor os preparara para uma missão que eles desconheciam completamente. Foi só progressivamente que eles compreenderam que a intervenção divina sobre eles fazia parte de um plano muito mais abrangente.

Alguns meses depois, o mesmo anjo Gabriel foi enviado por Deus em missão, não mais ao templo de Jerusalém, mas a um vilarejo da Galiléia. O objetivo final de sua missão era o mesmo, a vinda do Messias, mas é tudo diferente. Não se trata mais de um casal de velhos cujos desejos são atendidos e que termina sua existência na paz de um belo anoitecer, mas de um casal jovem cuja vida será sacudida pela mensagem do anjo. Em Jerusalém, Gabriel dirigiu-se ao homem, um venerável sacerdote, em Nazaré ele dirige-se primeiro à mulher, uma jovem moça. Assim,  termina o Antigo Testamento e começa o Novo sem solução de continuidade.

O texto de São Lucas é muito interessante na sua simplicidade: “O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma aldeia da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem, noiva de um homem da casa de Davi, chamado José, e o nome da virgem era Maria” (Lc 1,26). Tudo é determinado: o nome do anjo, o Senhor que lhe confia uma mensagem, a cidade para onde vai, a região onde ela se encontra, o nome da virgem, seu estado civil, o nome de seu noivo e a origem de sua família. Se o mais insignificante pardal não cai sem a permissão do Pai celeste (Mt 10,29), como pensar que possa haver palavras não queridas por Deus nessa passagem do Evangelho? Ela é importante pelo que diz respeito à Virgem Maria, e igualmente pelo que concerne a São José.

Essa cena da anunciação, tão delicadamente descrita por São Lucas, suscitou magnificas obras de arte na pintura e na escultura. A imaginação e o talento deram-se livre curso na decoração de interiores, no vestuário drapeado e nas atitudes das pessoas. Todos ao admirar sem reservas as realizações artísticas, podem-se perguntar se a perfeição do cenário não risca de desviar a atenção do acontecimento principal: a encarnação do Verbo. É Deus que tudo conduz.

Primeiramente, trata-se de um anjo, mensageiro de Deus. Somos colocados diante do problema do mundo invisível. Amiúde o Antigo Testamento trata o “anjo do Senhor” como simples personificação, ou atualização de sua presença e de sua ação. Em outras circunstâncias, e tal é o caso aqui, refere-se a um ser distinto de Deus, por ele criado e imbuído de uma missão junto aos homens. Os anjos ocupam um lugar importante na vida de São José e da Virgem Maria. O anjo da anunciação leva um nome, Gabriel, que significa “força de Deus”. É um ser real e não uma simples abstração ou o fruto poético da imaginação.

Deus pode sem dificuldades criar seres capazes de compreender e de amar, sem ligar sua existência a um planeta. Que sabemos nós sobre o além e as grandes realidades do mundo invisível? Os anjos manifestam-se, eles agem como enviados de Deus. Eles são pessoas, quer dizer, têm em si algo de incomunicável, que os torna distintos dos outros. Se Deus serve-se deles, não é por impotência de sua parte, mas por bondade e sabedoria para conosco. Ele é totalmente livre para agir como lhe agrada, e não precisa prestar contas da sua maneira de agir. Portanto, compreende-se facilmente as razões de se escolher um mensageiro para o anúncio do mistério da encarnação.

À primeira vista, parece que Deus deveria tratar a questão da encarnação de seu Filho diretamente com Maria, que havia de ser a primeira beneficiária. Um acontecimento que lhe tocaria tão de perto, não pediria a presença de um intermediário. Mas isso é esquecer a delicadeza com que Deus trata suas criaturas; ele guarda sempre a liberdade delas. Com Deus não se discute, mas alguém poderia discutir com os anjos. Zacarias em Jerusalém e Maria em Nazaré não se privaram desse direito. Zacarias, Maria e José perturbaram-se à chegada do anjo; qual teria sido a emoção deles se Deus se tivesse manifestado pessoalmente?

Uma outra razão para a presença dos anjos no mistério do Verbo encarnado é que esse mistério interessa tanto aos anjos quanto aos homens. Todo o cosmos é relacionado e renovado pela vinda do Filho de Deus em nossa carne. O “Filho do homem” é também o rei dos anjos, o Senhor do universo. Todos os seres capazes de conhecer e amar estão englobados nessa renovação da criação. Pode-se mesmo ajuntar: tudo o que vive e respira, pois tudo está rejuvenescido. Alguns teólogos pensam que o mistério da encarnação do Filho de Deus teria sido a pedra de tropeço que estaria na origem da queda dos anjos maus. Lúcifer ter-se-ia recusado a reconhecer como seu rei um ser nascido de uma simples mulher.

Para essa renovação universal do cosmos, Deus emprega, como para todas as grandes obras, meios que ao ver dos homens parecem completamente inadequados. Ele envia seu mensageiro a uma cidade desconhecida, a uma jovem moça sem passado nem futuro, e que, ainda por cima, não é livre, posto que está prometida em casamento. Ela deu sua lealdade a um homem e não pode dispor de si mesma sem prevaricação. É ela, portanto, que está para tomar uma decisão que compromete não só o seu futuro pessoal, mas ainda o do seu noivo, de sua família, de seu povo, e do mundo inteiro.

Essa virgem, à qual foi enviado por Deus o anjo Gabriel, e o noivo, a quem essa virgem está ligada, foram preparados por Deus para a missão que lhes haveria de ser confiada. Bem antes do nascimento deles, bem antes do nascimento de seus pais, o Senhor já havia disposto cada coisa, para que tudo se cumprisse segundo o seu amor. Isso se chama com uma palavra muito bonita, mas por vezes tão mal compreendida, a predestinação. É a presença no coração mesmo de Deus de uma criatura que ele destina a realizar seus desígnios de amor para o mundo. Os termos que o Evangelho usa para designar aquela a quem Deus envia seu anjo é revelador: uma virgem comprometida com um homem. Isso quer dizer que Maria e José são inseparáveis no pensamento e no coração de Deus.

Os Padres da Igreja e os teólogos debruçaram-se longamente sobre a questão das graças que Deus concedeu a Maria para prepará-la ao cumprimento de sua missão. A conclusão é que o Senhor deu a Maria todas as graças e todos os dons que seriam necessários para receber dignamente em seu seio o Filho de Deus. Da mesma maneira, tudo aquilo que decorre logicamente de sua maternidade divina vem de direito. O Senhor formou o seu corpo, o seu espírito e o seu coração de forma que ela se tornasse uma habitação adequada para o seu Filho.

Uma palavra resume essa predestinação de Maria: ela é a Imaculada! Tal título diz muito pouco, pois não visa senão o negativo, a ausência de manchas, uma vez que a beleza de Maria vem de uma plenitude. Portanto, esse título, Imaculada, se refletirmos bem, é extremamente rico de significado. Muita gente, ao pensar na Imaculada Conceição, detém-se na idéia de pecado. Então retiram da Virgem Maria tudo aquilo que poderia ser pecado ou fonte de pecado, com o risco de mutilar a obra-prima de Deus, retirando dela sua riqueza de sentimentos.

Imaculada Conceição quer dizer que a Virgem Maria veio ao mundo como todas as crianças. Ela foi concebida por seus pais da maneira humana, o que a torna plenamente da nossa raça. Ela é verdadeira filha de Eva, com todas as qualidades e limitações que esse termo supõe, mas ela é imaculada. Isso significa que desde o primeiro instante de sua existência ela recebeu de Deus toda a luz de que uma criatura é capaz. Nela não existe sombra, nenhum canto escuro, ela é toda luz. O pecado é uma sombra, uma opacidade, uma ausência de brilho, um obstáculo que impede a uma criatura de refletir plenamente a luz que ela recebe dos céus.

Uma imagem bem prosaica pode ajudar-nos a compreender como a Virgem imaculada permanece plenamente humana. Uma gota de orvalho que cintila em cima de uma folha de grama tem a mesma natureza da água do pântano vizinho onde pululam sapos. Isso suposto que a manhã esteja clara e o sol alto. Maria é essa pérola de orvalho que já brilha com a luz da Páscoa. Não é a luz da água que nós vemos, mas sim a do sol. Não é a beleza de Maria que nos encanta, é o esplendor do Cristo ressuscitado. Podemos servirmo-nos também de outra comparação: o carvão e o diamante. Ambos têm a mesma natureza, a mesma composição química, já que os dois são carbono. A diferença está em que o diamante é carbono totalmente puro. A água do nosso batismo nos transforma em pérolas de orvalho, e a luz da Páscoa torna diamantes a hulha humana.

São Bernardo diz que o Filho de Deus, já que podia, não se contentou de escolher uma mãe, mas a formou segundo seus próprios gostos. E acrescenta: “Ele que vinha purificar toda mácula, qui-la virgem a fim de nascer imaculado dessa imaculada.; ele a quis humilde a fim de nascer doce e humilde de coração” (Mis 2,1). É preciso pensar o mesmo a respeito de José. José foi criado e formado segundo o desejo de Jesus e Maria. Ele devia ser capaz de amar Jesus e Maria cordialmente e ser amado por eles sem restrição. Deus velou, portanto, com um desvelo ciumento, sobre a formação do corpo, do coração, do espírito e da alma de José para que respondesse perfeitamente às expectativas de Maria e de Jesus.

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A estrela de Belém era uma estrela?

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Há quase dois mil anos, segundo conta o evangelho, apareceram em Jerusalém uno magos vindos do Oriente, enfrentando uma longa viagem e os receios do rei Herodes, para trazer ouro, incenso e mirra a um menino recém-nascido num estábulo.

O mistério dos Astrônomos

Como eles próprios o relataram, no fim do seu cansativo périplo, tinham-se posto a caminho porque viram uma estrela no Oriente, que os veio guiando precisamente até ali, tendo então desaparecido.

Quando os magos se apresentaram diante Herodes, o velho déspota, que se encontrava nos últimos anos da sua vida, cheio de complexos persecutórios e ensombrado por conluios, ficou enormemente perturbado. E reunindo numa das salas do seu palácio com os sábios da corte e os recém-chegados, procurou averiguar mais sobre aquela estrela e o tempo da sua aparição.

Desde então, muitos astrônomos, eruditos, exegetas e cientistas, prosseguiram com as investigações iniciadas por Herodes e a sua gente, tentando elucidar aquele luminoso fenômeno celeste, e ao longo da História propuseram diversas teorias e aventaram várias opiniões que até hoje não conseguiram esclarecer o mistério.

1ª hipótese: uma estrela nova?

A hipótese que parece impor-se com maior naturalidade, uma vez que o próprio Evangelho a sugere ao chamar estrela (astér) àquele fenômeno, é que se trata de uma estrela denominada nova.

Segundo os astrônomos, certas estrelas em determinados momentos das suas vidas adquirem uma intensidade tal, que chegam a multiplicar 100.000 vezes a sua própria luz. Este acidente no decurso da evolução de uma estrela, e que dura apenas uns meses, tem características tão espetaculares que parece o nascimento de uma nova estrela. Daí o seu nome.

Embora este fato apenas tenha sido bem precisado com a astronomia moderna, contudo já Hiparco de Rodas no séc. II a.C. conta ter detectado uma estrela nova cerca do ano 134, de tal brilho que podia ver-se à luz do dia.

Mas foi em 1572 quando se observou a famosa estrela nova que deu origem à teoria. Avistaram-na uns navegantes espanhóis e durante um mês inteiro brilhou tanto como Vénus, até se extinguir.

Com estes dados, no séc. XVIII Goodrich formulou uma teoria. Deduziu que essa estrela se deixava ver cada trezentos anos e que foi, segundo a sua opinião, a estrela que surpreendeu os magos.

Esta hipótese explicaria como eles podiam viajar durante o dia guiados pela estrela, e porque motivo, após alguns meses, o tempo suficiente para conduzir a sua viagem desde o Oriente, desapareceu.

2ª hipótese: o Cometa Halley?

Uma segunda teoria, já defendida por Orígenes no séc. II, diz que se tratou de um cometa. Com efeito, segundo os relatos, o nascimento de vários personagens famosos da antiguidade como Mitrídates, rei do Ponto, e o imperador Augusto, tinha sido precedido pela aparição de um cometa.

Dentre os 1.500 que conhecemos atualmente, o mais espetacular é o cometa Halley, que atinge uma longitude aparente de 150 graus e uma extensão linear de uns 30 milhões de quilômetros.

O cometa Halley é conhecido há séculos. O célebre pintor florentino Giotto, que contemplou a sua imponente aparição e pôde conhecê-lo, já o pintou no seu famoso óleo da Adoração dos Magos como a estrela de Belém. Voltou a aparecer em 1682, e então o astrônomo inglês Edmond Halley conseguiu estudá-lo atentamente. Mais tarde apresentou-se em 1785, em 1910, e finalmente em 1986.

Segundo os cálculos dos astrônomos ocidentais, o cometa Halley apareceu em fins de Agosto do ano 12 antes de Cristo, o qual nos aproximaria bastante do nosso acontecimento. Mas esta data obrigar-nos-ia a retroceder demasiado na data do nascimento de Cristo.

Além disso, hoje há outro dado contra: é que, segundo as crenças populares antigas, a aparição de um cometa pressagiava acontecimentos nefastos: terremoto, seca, guerra ou peste. Dificilmente poderia ter sido visto como um signo divino do Messias.

3ª Hipótese: uma conjunção de planetas?

A terceira idéia, sugerida pelo astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), defende que não foi uma estrela que guiou os magos até Belém, mas dois planetas que, ao aproximarem-se, multiplicaram a sua luminosidade. De fato observando os céus em Dezembro de 1603, contemplou atônito como entravam em conjunção Júpiter (o planeta real) e Saturno (a estrela dos gigantes) na constelação de Piscis(o signo da água, ligado ao rito cristão do batismo). Esta conjunção, que volta a produzir-se cada 805 anos, ter-se-ia verificado no ano 7 a.C., mais exatamente a 29 de Maio.

Em geral não é possível observar uma conjunção de planetas à vista desarmada. Contudo, a do ano 7 a.C. foi visível, e no céu da Palestina os dois astros teriam aparecido como um só muito luminoso, insólito para a visão humana. Por este motivo, teria sido considerado como um sinal especial da divindade, sobretudo tendo em conta que se repetiu duas outras vezes naquele ano, em Outubro e em Dezembro.

E como hoje sabemos que Jesus não nasceu no ano 1, como antes se julgava, mas cerca do ano 7 a.C., este fenômeno celeste coincidiria perfeitamente com a data mais provável do nascimento do Salvador. Tal fato faz com que esta hipótese seja a mais aceite entre os que interpretam literalmente o relato evangélico.

Os caprichos de uma estrela

Mas, se agora prestarmos atenção ao que diz S. Mateus no seu Evangelho, dar-nos-emos conta de que todo o esforço em considerar historicamente o relato da estrela e tratar de identificá-la com uma nova, um cometa, um meteorito ou qualquer outro fenômeno astronômico, lamentavelmente leva-nos por um caminho errado. Basta analisar por um momento as particularidades do relato (Mt 2,1-12), para compreender que a descrição da estrela contradiz a realidade do mundo planetário e estelar.

De fato, o curso aparente dos astros no céu segundo a nossa posição a partir da Terra é do Oriente para o Ocidente. Ora bem, se realmente chegaram à Palestina uns magos do Oriente guiados por uma estrela, tiveram que vir: ou pelo Norte (seguindo a meia-lua fértil), ou pelo Sul (através da zona chamada Arabá). Os biblistas tendem mais a inclinar-se por esta última rota, pois pensam que os magos procediam da região da Arábia. Pôde, então, uma estrela fazer um percurso do Sul para o Norte?

Mas há mais. Diz o Evangelho que, uma vez chegados a Jerusalém, a estrela continuou a guiá-los até Belém, cidade que se encontra 8 quilômetros ao Sul (Mt 2,9). Que estranho corpo celeste é este, que viaja primeiro de Sul para Norte e logo a seguir de Norte para Sul? Os astros não podem andar ziguezagueando pelo céu. Além disso, nenhuma crônica histórica da época registra um episódio com estas características.

Responsável pela tragédia?

Mais adiante, Mateus continua a relatar que a estrela, que ia à frente dos magos, chegou ao destino e se deteve no lugar exato onde se encontrava o menino Jesus (Mt 2,9). Pode uma estrela fazer semelhante acrobacia e deter-se num ponto exato? Já S. João Crisóstomo, no séc. IV, duvidava disso.

Mas se, mesmo assim, alguém quisesse a toda a custa salvar a realidade da estrela, dizendo que se trata de um milagre feito por Deus (o qual, sendo todo-poderoso, pode fazer com que um astro trace no céu a órbita que Ele quiser), então terá que explicar uma última dificuldade. É que a estrela comete um erro terrível: em vez de guiar os magos diretamente para Belém conduzí-los a Jerusalém.

Sem tal erro, Herodes não teria sabido do nascimento de Jesus e ter-se-ia evitado todo o drama da morte dos inocentes. Pode um sinal guiado por Deus cometer tão macabro deslize? Estaria Mateus realmente a pensar numa estrela do céu, ao escrever estas coisas?

Se a estrela do relato não era um fenômeno celeste, então é um símbolo, e por isso deve ter algum significado.

Simbolismo da estrela

Isto leva os autores modernos a perguntarem-se: qual é o sentido da estrela no relato de Mateus?

Hoje os biblistas defendem que Mateus compôs este passo para expor a tese da universalidade da salvação. Assim, cada elemento da narração simbolizaria uma realidade diferente: os magos representam os pagãos; Herodes, os judeus; e a estrela, a fé.

Mateus tem consciência de que o povo judeu é o povo eleito e tem um privilégio por cima de todas as outras nações. Por isso, a estrela (fé) não pode guiar os magos (paganismo) diretamente a Jesus. O judaísmo conservava a sua posição de privilégio: só por intermédio dele era possível chegar até ao salvador.

É por isso que, no relato, a estrela não guia os magos a Belém, mas a Jerusalém, para que seja Herodes (o judaísmo) a levá-los até Jesus. A estrela, pois, não erra, mas cumpre a sua missão, levando os pagãos a confrontarem as suas inquietações com os judeus.

Um privilégio recusado

Mas o judaísmo (Herodes) rejeita Jesus. Então, o caminho fica livre para os pagãos poderem ir, guiados pela estrela (fé), até ao próprio lugar onde se encontra o Salvador.

Qualquer privilégio tem a sua obrigação correspondente. Por isso o evangelista recorda que Israel estava muito mais obrigado a receber o Messias, pois tinha as luzes necessárias para descobri-lo no menino Jesus. Até o seu nascimento em Belém proclamava aos quatro ventos que o reino messiânico tinha chegado.

Mas o relato dos magos ensina-nos que o judaísmo renuncia voluntariamente à sua posição singular. Não quer ir ao encontro do Messias. Recusa-o. E mais: considera-o um usurpador e um perigo. E recusando conduzir o mundo gentio até onde Jesus se encontrava, renuncia voluntariamente aos privilégios que lhe eram outorgados pela sua situação de povo eleito.

E é então, e só então, que se abrem as portas ao paganismo para se aproximar diretamente de Jesus. Já não precisa de chegar ao Salvador através do judaísmo. O povo antigo cede a passagem a outro novo.

Portas abertas desde cedo

Ao narrar este episódio da estrela, Mateus está a contar algo que aconteceu depois da ressurreição de Cristo. A maior parte dos judeus rejeitou Jesus, de modo que, nos tempos do evangelista, as autoridades judaicas eram hostis aos cristãos, perseguiam-nos e encarceravam-nos. Ao passo que os pagãos, isto é, os não judeus, aceitaram a nova fé e entraram em massa nas comunidades cristãs.

Então, face a este fenômeno, Mateus fez recuar a chegada dos pagãos para a altura do nascimento de Jesus, e narrou-a como se com o seu nascimento já se tivessem aberto as portas do cristianismo a todos os povos gentios.

A estrela brilha para todos

Os escribas e sumos-sacerdotes reunidos por Herodes, ao investigarem a Bíblia para averiguar acerca da estrela terão encontrado pelo menos 465 profecias sobre o Messias, e mais de 550 alusões feitas a ele nas Escrituras. E até indicaram a Herodes o lugar exacto onde ele podia encontrar o Salvador, o verdadeiro rei dos judeus. Mas nenhum deles se pôs a caminho.

Os magos, pelo contrário, deixaram-nos o exemplo de quem está em atitude de procura perante Deus.

Na nossa vida costumam acontecer fatos cheios de sentido que reclamam a nossa atenção. Se não nos pusermos a investigar, para ver o que Deus nos quer dizer com eles, certamente, viveremos mais tranqüilos; não nos questionando, não nos criamos problemas. Mas não avançamos, movemo-nos num horizonte estreito, mesquinho, sem dimensões, e privamo-nos de uma possibilidade que nos é oferecida para progredir.

Os magos estavam à espera. Aguardavam. E quando algo surgiu no seu horizonte celeste, compreenderam que era o sinal. Não duvidaram. Não se deixaram enredar em falsas hipóteses. Iniciaram uma longa caminhada carregando o desejo de cumprir a vontade de Deus, e de seguir em frente apesar de todos os sacrifícios que tal decisão implicava.

Na vida é preciso seguir uma estrela. Um ideal. Um projecto de vida. Um modelo de santidade. Essa é a estrela que brilha para nós no nosso céu azul. E há que segui-la, apesar de todos os sacrifícios que isso impõe. Jesus espera-nos na chegada.

Neste relato, a estrela dos magos não é, pois,nenhum fenómeno celeste que tenha aparecido realmente no firmamento, mas o símbolo da luz da fé que brilha nas trevas do pecado quando o Salvador aparece no mundo.

Assim, Mateus transmite uma tese nova:

Jesus, embora seja judeu e descendente de David,

é um Messias com força para afugentar do mundo inteiro as trevas do pecado, por mais distante que o homem

se encontre, mesmo que seja no deserto.

Para isso, o homem deve cumprir um único requisito:

deixar-se guiar pela luz da fé.

Ariel Álvarez Valdés,

Sacerdote argentino, biblista,

Tradução: Lopes Morgado

in Revista Bíblic

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O que significa Paráclito ?

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O apelativo grego “Parákletos” toca a Jesus Cristo em 1Jo 2,1 mas é por excelência apropriado ao Espírito Santo em Jo 14,16s.25s; 15,26s; 16,7. Este  é dito “o outro Paráclito” em Jo 14,16.

Tal vocábulo tem duplo sentido: 1) Advogado, Defensor (é o que ocorre em 1Jo 2,1) e 2) Consolador. Pode-se dizer que são dois significados que se complementam mutuamente.

O Paráclito é Advogado e Defensor frente aos adversários dos cristãos, dentre os quais está Satanás, “o acusador dos nossos irmãos diante de Deus dia e noite” (Ap 12,10) mas é também Consolador.

A idéia de que Deus consola  seu povo, vem do Antigo Testamento e pode ser conferida em passagens como Is 66,13; 51,12, etc.

Analisando as funções que Jesus atribui  ao Paráclito em seu discurso de despedida, verificamos que são todas elas relativas  à verdade apregoada por Jesus; Ele deve “ensinar, recordar, dar testemunho, convencer, levar toda a verdade, anunciar”; por isto é chamado “Espírito da Verdade” (Jo 14,17). É Ele quem assiste à Igreja garantindo-lhe  fidelidade ao Evangelho ou ao patrimônio da fé e levando-lhe a descobrir e explicitar  o que tenha ficado implícito na pregação der Jesus: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14,26).

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Homilia, Profissão de fé e Oração universal – O que manda o Missal Romano ?

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Homilia

65.A homilia é uma parte da liturgia e vivamente recomendada, sendo indispensável para nutrir a vida cristã. Convém que seja uma explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de outro texto do Ordinário ou do Próprio da Missa do dia, levando em conta tanto o mistério celebrado, como as necessidades particulares dos ouvintes.

66.A homilia, via de regra é proferida pelo próprio sacerdote celebrante ou é por ele delegada a um sacerdote concelebrante ou, ocasionalmente, a um diácono, nunca, porém, a um leigo65. Em casos especiais e por motivo razoável a homilia também pode ser feita pelo Bispo ou presbítero que participa da celebração sem que possa concelebrar.

Aos domingos e festas de preceito haja homilia, não podendo ser omitida a não ser por motivo grave, em todas as Missas celebradas com participação do povo; também é recomendada nos outros dias, sobretudo nos dias de semana do Advento, Quaresma e Tempo pascal, como ainda em outras festas e ocasiões em que o povo acorre à igreja em maior número.

Após a homilia convém observar um breve tempo de silêncio.

Profissão de fé

67.O símbolo ou profissão de fé tem por objetivo levar todo o povo reunido a responder à palavra de Deus anunciada da sagrada Escritura e explicada pela homilia, bem como, proclamando a regra da fé através de fórmula aprovada para o uso litúrgico, recordar e professar os grandes mistérios da fé, antes de iniciar sua celebração na Eucaristia.

68.O símbolo deve ser cantado ou recitado pelo sacerdote com o povo aos domingos e solenidades; pode-se também dizer em celebrações especiais de caráter mais solene.

Quando cantado, é entoado pelo sacerdote ou, se for oportuno, pelo cantor ou pelo grupo de cantores; é cantado por todo o povo junto, ou pelo povo alternando com o grupo de cantores.

Se não for cantado, será recitado por todos juntos, ou por dois coros alternando entre si.

Oração universal

69.Na oração universal ou oração dos fiéis, o povo responde de certo modo à palavra de Deus acolhida na fé e exercendo a sua função sacerdotal, eleva preces a Deus pela salvação de todos. Convém que normalmente se faça esta oração nas Missas com o povo, de tal sorte que se reze pela Santa Igreja, pelos governantes, pelos que sofrem necessidades, por todos os seres humanos e pela salvação do mundo inteiro67.

70.Normalmente serão estas as séries de intenções:

  1. a) pelas necessidades da Igreja;
  2. b) pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
  3. c) pelos que sofrem qualquer dificuldade;
  4. d) pela comunidade local.

No entanto, em alguma celebração especial, tal como Confirmação, Matrimônio, Exéquias, as intenções podem referir-se mais estreitamente àquelas circunstâncias.

71.Cabe ao sacerdote celebrante, de sua cadeira, dirigir a oração. Ele a introduz com breve exortação, convidando os fiéis a rezarem e depois a conclui. As intenções propostas sejam sóbrias, compostas por sábia liberdade e breves palavras e expressem a oração de toda a comunidade.

As intenções são proferidas, do ambão ou de outro lugar apropriado, pelo diácono, pelo cantor, pelo leitor ou por um fiel leigo68.

O povo, de pé, exprime a sua súplica, seja por uma invocação comum após as intenções proferidas, seja por uma oração em silêncio.

 

 Fonte: IGMR n. 65 a 71

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Devoção de Martinho Lutero a Maria

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Apesar do atual preconceito protestante no que diz respeito aos tradicionais artigos de fé católicos, como a Comunhão dos Santos, confissão auricular, Purgatório, Papado, sacerdócio, matrimônio sacramental etc., pode surpreender a muitos descobrir que Martinho Lutero era um profundo conservador em algumas de suas posições doutrinais, como na regeneração batismal, na eucaristia e, particularmente, em relação à Bem-Aventurada Virgem Maria.

Lutero era completamente devotado a Nossa Senhora, e crente em todas as doutrinas tradicionais marianas. É certo que esta constatação não é muito freqüente nas biografias protestantes sobre o reformador, contudo, é um fato irrefutavelmente verdadeiro. Parece ser uma tendência natural que os discípulos atuais do protestantismo procurem se projetar no perfil do fundador do movimento que seguem. Saber que o Luteranismo de hoje não tem uma Mariologia muito consistente, leva-nos a supor que também Lutero tivesse – ele mesmo – opiniões similares com relação a este ponto.

Todavia, nós veremos, por meio de fontes escritas pelo próprio Lutero, que os fatos históricos são bem diferentes. Para tal, nós consideraremos citações do ex-monge nos vários aspectos da doutrina mariana.

Lutero (bem como os principais reformadores, por exemplo, Calvino, Zwingli, Cranmer) aceitava a opinião de que Jesus não possuía nenhum irmão de sangue, crendo também na doutrina tradicional da Perpétua Virgindade de Maria, e reconhecendo seu status como Teotokos (Mãe de Deus): “Cristo era o único filho de Maria. Das entranhas de Maria, nenhuma criança além dEle. Os ‘irmãos’ significam realmente ‘primos’ aqui: a Sagrada Escritura e os judeus sempre chamaram os primos de irmãos” (Martinho Lutero – Sermões sobre João 1-4, 1534-39)

“Cristo, nosso Salvador, foi o fruto real e natural do ventre virginal de Maria. Isto se deu sem a cooperação de um homem, permanecendo virgem depois do parto” (Martinho Lutero, idem.)

“Deus diz: ‘o filho de Maria é meu Filho somente.’ Desta forma, Maria é a Mãe de Deus”(Martinho Lutero, Ibidem)

“Deus não recebeu sua divindade de Maria; todavia, não segue que seja conseqüentemente errado afirmar que Deus foi carregado por Maria, que Deus é filho de Maria, e que Maria é a Mãe de Deus. Ela é a Mãe verdadeira de Deus, a portadora de Deus. Maria amamentou o próprio Deus; ele foi embalado para dormir por ela, foi alimentado por ela, etc. Para o Deus e para o Homem, uma só pessoa, um só filho, um só Jesus, e não dois Cristos. Assim como o seu filho não são dois filhos… Mesmo que tenha duas naturezas” (Martinho Lutero – “Nos conselhos e na Igreja” – em 1539)

Provavelmente, a opinião mariana mais antagonista de Lutero, seja a aceitação da Imaculada Conceição de Maria que, na época, ainda não era artigo de fé, que só aconteceu em 1854 na Igreja Católica. A respeito deste fato há um questionamento: sobre os aspectos técnicos das teorias medievais sobre a concepção e sobre a alma teriam se alterado mais tarde em Lutero? Para alguns teólogos eminentes do Luteranismo, como Arthur Carl Piepkorn (1907-1973) do Seminário Concórdia em São Luis, nos Estados Unidos, mantêm a aceitação da doutrina:

“É uma opinião doce e piedosa que a infusão da alma de Maria ocorreu sem o pecado original; de modo que, ao infundir a sua alma imune ao pecado original, foi adornada com presentes de Deus, recebendo uma alma pura, infusa por Deus; assim, desde o primeiro momento em que começou a viver ela esteve livre de todo o pecado” (Sermão: “No dia da concepção da Mãe de Deus,” Dezembro [?] 1527, de Hartmann Grisar, S.J. Luther, da tradução da versão do alemão para o inglês por E.M. Lamond, editado por Luiggi Coppadelta, Londres: Kegan Paul, trincheira, Trubner, primeira edição, 1915, Vol. IV [ de 6 ], p. 238; revisado por Werke alemão, Erlangen, 1826-1868, editado por J.G. Plochmann e J.A. Irmischer, editado por L. Enders, Francoforte, 1862 ff., 67 volumes; citação 15 2 , p. 58)

“É cheia de graça, proclamada para ser inteiramente sem pecado, algo tremendamente grande. Para que fosse cheia pela graça de Deus com tudo de bom e para fazê-la vitoriosa sobre o diabo” (Martinho Lutero – Livro pessoal de oração – 1522)

Uma das referências mais antigas à Imaculada Conceição aparecem no seu Sermão de Casa no Natal (1533) e em De Encontro ao Papado de Roma (1545). Lutero não acreditava que esta doutrina deveria ser imposta a todos os crentes, por achar que a Bíblia não ensina explicita e formalmente sobre o assunto. Isso se justifica pela sua teoria da “Sola Scriptura”. Mas, ele mesmo acreditava na Assunção corpórea de Maria ao céu – crença que nunca renegou, embora criticasse excessos na celebração desta festa. No seu sermão em 15 de agosto de 1522, quando pregava pela última vez na festa da Assunção, afirmou: “Não se pode haver nenhuma dúvida que a Virgem Maria está no céu. Como isso aconteceu, nós não sabemos. E já que o Espírito Santo não nos revelou nada sobre isso, não podemos fazer disso um artigo de fé. É suficiente sabermos que ela vive em Cristo”

Lutero era favorável à pratica devocional da veneração a Maria e expressou isso em inúmeras ocasiões com veemência:

“A veneração de Maria está inscrita no mais profundo do coração humano” (Martinho Lutero – Sermão em 1º de setembro de 1522)

“Maria é a mulher mais elevada e a pedra preciosa mais nobre no Cristianismo depois de Cristo… Ela é a nobreza, a sabedoria e a santidade personificadas. Nós não poderemos jamais honrá-la o bastante. Contudo, a honra e os louvores devem ser dados de tal forma que não ferem a Cristo nem às Escrituras” (Martinho Lutero – Sermão na festa da Visitação em 1537)

“Nenhuma mulher é como tu! És mais que Eva ou Sara, sobretudo, pela nobreza, bem-aventurança, sabedoria e santidade!” (Martinho Lutero – Sermão na festa da Visitação em 1537)

“Devemos honrar Maria como ela mesma desejou e expressou no Magnificat. Louvou a Deus por suas obras. Como, então, podemos nós a exaltá-la? A honra verdadeira de Maria é a honra a Deus, louvor à graça de Deus. Maria não é nada para si mesma, mas para a causa de Cristo. Maria não deseja com isso que nós a contemplemos, mas, através dela, Deus” (Martinho Lutero – Explicação do Magnificat – em 1521)

Lutero vai além: dá à Bem-Aventurada Virgem exaltada a posição de “Mãe Espiritual” para os cristãos.

“É a consolação e a bondade superabundante de Deus, o homem pode exultar por tal tesouro: Maria é sua verdadeira mãe, Jesus é seu irmão, Deus é seu Pai” (Martinho Lutero – Sermão de Natal de 1522)

“Maria é a Mãe de Jesus e a Mãe de todos nós, embora fosse só Cristo quem repousou no colo dela… Se ele é nosso, deveríamos estar na situação dele; lá onde ele está, nós também devemos estar e tudo aquilo que ele tem deveria ser nosso. Portanto, a mãe dele também é nossa mãe..”(Martinho Lutero – Sermão de Natal de 1529)

Uma coisa é certa: a rejeição dos protestantes atuais à Mãe de Deus é novidade, coisa recente…

Fábio Alexandro Sexugi

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