“Templo de Salomão”, mais uma farsa religiosa do nosso tempo

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Só para esclarecer aos católicos, a respeito desse “templo de Salomão” inaugurado em São Paulo, mais uma farsa religiosa do nosso tempo e mais uma punhalada no cristianismo, já tão deturpado pelas seitas…
1. Não existe nem poderá existir “Templo de Salomão” algum desde 587 aC, quando o Templo do Senhor, construído pelo Rei Salomão, foi incendiado pelos babilônios. Este era o chamado Primeiro Templo dos judeus.
2. Nem mesmo no tempo de Jesus havia um “Templo de Salomão”. Havia sim, o Segundo Templo, construído pelos judeus que voltaram do Exílio de Babilônia entre 537-515 aC. Foi nesse Templo, reformado, ampliado e embelezado por Herodes Magno, que Jesus nosso Senhor pregou. Foi sobre esse Templo que Ele afirmou tratar-se de uma imagem Dele próprio, morto e ressuscitado: “Destruí este Templo e em três dias Eu o edificarei!”.
3. O Templo de Salomão em si não tem significado algum para o cristianismo. Também não pode ser reconstruído, pois já não seria o Templo “de Salomão”, mas de outra qualquer pessoa! O que se construiu em São Paulo foi um “Edifício do Edir Macedo”, nem mais nem menos…
4. Quanto ao Templo dos judeus, somente pode ser construído sobre o Monte do Templo, chamado Monte Moriá, em Jerusalém. Os judeus nunca reconstruíram o seu Templo por isso: porque ali já estão erguidas duas mesquitas muçulmanas…
5. Os cristãos jamais poderão ou deverão reconstruir Templo judaico algum! Isto é negar Nosso Senhor Jesus Cristo, é voltar ao Antigo Testamento! O Segundo Templo era imagem do Corpo do Senhor. Ele mesmo o declarou. Aqui coloco de modo explicado o que Jesus quis dizer: “Vós estais destruindo este Templo! Podeis destruí-lo; ele já cumpriu sua função de figura, de lugar de encontro de Deus com os homens! O verdadeiro Templo é Meu corpo imolado e ressuscitado! Vós destruireis o Meu corpo como estais destruindo este Templo! Mas, dentro de três dias Eu o ressuscitarei, edificando o verdadeiro Templo, lugar de encontro entre Deus e o homem: o Meu corpo, que é a Igreja!”
6. Arca, sacrifícios antigos, utensílios do antigo Templo, já não têm sentido algum no cristianismo. Mais ainda: não passam de pura e vazia falsificação que ofendem a resta consciência cristã e desrespeitam os judeus, imitando de modo grosseiro e falseando de modo superficial o real significado dos seus símbolos religiosos.
Conclusão: É uma pena ver como o charlatanismo, a ignorância, o grotesco prosperam em certas expressões heterodoxas de cristianismo… E tudo por conta do tripudio sobre a ignorância e falta de bom senso de toda uma população insensata. Só isto.

Dom Henrique Soares da Costa

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Liturgia, entre o sagrado e o profano

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Geraldo Trindade

O que é o sagrado dentro do contexto pós-moderno que vivemos? Qual o espaço que ele ocupa dentro do profano da vida? Estas distinções são traiçoeiras e muitas vezes, corre-se o risco de pecar por serem rasas.

O sagrado é Deus em si; pois Ele é o criador. De Deus viemos e para Ele retornaremos. Isto é, tudo lhe pertence. “Cristo  ontem e hoje… Princípio e fim … Alfa e ômega… A Ele o tempo e a eternidade…A glória e o poder… Pelos séculos sem fim. Amém”. Nós, seres humanos, somos criaturas. Reconhecer esta condição é propiciar que sejamos capazes de crescer e estabelecer com Deus um relacionamento marcado pela intimidade.

Recorda-nos São Paulo, “não somos filhos de uma escrava, mas filhos de uma mulher livre. Cristo nos libertou para que fossemos realmente livres.” (Gl 4, 31 – 5,1). Resgatados para uma condição de filhos de Deus tornamo-nos Povo Régio e Sacerdotal.  “Vós, porém, constituís uma geração escolhida, um sacerdócio régio, uma gente santa, um poço conquistado, a fim de proclamar as grandezas daquele que das trevas vos chamou para a sua luz admirável. Outrora não éreis objeto de misericórdia. Agora sim, sois objeto de misericórdia” ( 1Pe 2, 9-10). Nas vicissitudes da história e da vida cada cristão é convidado a reconhecer a gratuidade do amor. Se assim caminha passa-se a elevar a Deus um “cântico novo” (Sl 33,3) que brota dos lábios como expressão de louvor ao Criador.

A liturgia que em grego leit (de ‘laós’, povo) e urgia (de érgon, ação, obra). Assim a liturgia é uma ação, obra que se realiza em favor do povo, da comunidade, da vida das pessoas. Para os cristãos, é atualização da entrega de Cristo para a salvação. A liturgia faz o memorial da entrega redentora de Cristo na cruz. Através da ação litúrgica se é inserido nas realidades da salvação. Dessa forma, percebe-se claramente a raiz cristológica da liturgia. Cristo rompe um simples ritualismo e faz a liturgia um “culto agradável e perfeito” ( Rm 12, 1-2). Porém, a liturgia não se restringe a uma realidade de espaço e tempo determinado, mas prolonga-se como experiência vital. E mesma a liturgia conduzida pelo ritual advém de uma experiência transcendental dos antepassados e dos contemporâneos. Ela é meio do qual Deus se utiliza para expressar plenificamente todo o realismo de Sua Palavra e de Sua carne. Por isso, é preciso educar-se para aprender dEle a bem viver e nos alimentar dEle.

A liturgia da criação é “quebra” e “extensão” de um silêncio criador. “A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam o abismo, mas o espírito de Deus paira por sobre as águas” (Gn 1, 2). A celebração litúrgica é acolhida, como filhos de Deus do supremo Mistério Pascal (vida, morte e ressurreição do Senhor). É realidade antiga e nova, capaz de atrair mentes e corações, invade e toca a nossa realidade, transforma e convida a lançar nossa vida. O memorial da Nova Aliança torna-nos participantes da vida de Cristo, homens e mulheres, renascidos a partir do novo Adão, que liberta das fragilidades do pecado.

A partir de Cristo a realidade e a humanidade não pode mais ser vista como profana. Elas trazem em si uma reserva de sacralidade. “No princípio existia o Verbo, o Verbo estava voltado para Deus, e o Verbo era Deus.  O Verbo estava, pois, voltado para Deus  no começo. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada se fez de tudo o que foi criado” (Gn 1, 1-2). O universo é acolhida e morada do Altíssimo. Por isso, somos eminentemente espirituais e como criaturas, tendemos para estar com o Criador. O sagrado, Cristo, dignou-se assumir o profano, a humanidade (Fl 2, 5-11), a fim de que a humanidade encaminhasse para o que há de mais sagrado Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre (Hb 13, 8).

 

Nosso coração humano volta-se naturalmente para o que é bom, belo e verdadeiro, Cristo, o Belo Pastor. A liturgia é a extensão mais digna da Palavra de Deus. Ela indica a Presença de Jesus e do Evangelho em ritos, orações e símbolos. Ela é convite para participar da vida divina vivendo ainda a vida humana, ela quer nos conduzir do visível ao Invisível, proporciona a união entre a Terra, nossa origem e o Céu, nossa origem primeira.

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FALSOS MILAGRES E FALSOS PROFETAS!

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Olá amigos não se deixem levar por falsos profetas e falsos milagres!

OBJEÇÃO PROTESTANTE: Alguns “PROTESTANTES” afirmam que em Mc 13,21-22 Jesus tinha predito falsos milagres, para seduzir os eleitos. Não é isso que acontece na Igreja Católica?

RESPOSTA: Não! Examinemos atenciosamente esta profecia de Jesus, quase igual em Mc 13,21-22 e em Mt 24,23-25: “Então, se vos disserem, “Vede! O Messias está aqui! ou, está ali”, não acrediteis nisso. Porque surgirão falsos messias e falsos profetas, que farão grandes prodígios e portentos, capazes de enganar os próprios eleitos, se for possível. Vede que eu já vos preveni.” São Paulo, predizendo os mesmos eventos, em II Ts 2,9-10 acrescenta que também os milagres serão falsos. “Aquele ímpio ( anticristo ) cuja vinda, graças à influência de satanás, será acompanhada de toda a espécie de portentos, de prodígios e de prestígios mentirosos, e de toda a espécie de seduções iníquas, para aqueles que hão de se perder, por não terem acolhido o amor da verdade, que os teria salvo.” Disso podemos tirar as seguintes conclusões lógicas:

1ª Aqui não se trata de verdadeiros milagres, com os quais Jesus prometeu acompanhar os Apóstolos e seus verdadeiros seguidores ( Mc 16,17-20), mas de milagres mentirosos, com os quais satanás ajudará os falsos profetas a seduzir aqueles que não acolheram o amor da verdade, para seguir os falsos messias, antes da destruição de Jerusalém, e antes do fim do mundo.

De fato, 40 anos depois da Ascensão de Jesus vieram estes falsos messias e profetas e seduziram os judeus a rebelar-se contra a dominação romana. As legiões romanas esmagaram o levante e destruíram Jerusalém, de modo que não sobrou “pedra sobre pedra”, como Jesus tinha predito. Porém, os judeus convertidos ao cristianismo, foram prevenidos pelos Apóstolos, e fugiram para as montanhas, escapando desta chacina.

2ª Ninguém desconhece, quantas vezes os “Testemunhas de Jehová” e outros sectários, tinham predito a volta de Jesus para o fim do mundo, e se desmascararam como falsos profetas dos falsos messias! E qual a seita ¾ entre as mais de 30.000 seitas cristãs, que tem garantia de ser a única “dos eleitos”, que não serão enganados? Não serão, antes, os humildes fiéis, obedientes aos Apóstolos e seus legítimos sucessores, na Igreja Católica, como foi no tempo da destruição de Jerusalém?

3ª Enquanto os “prodígios e portentos dos falsos messias e profetas” serão destinados para seduzir os eleitos de os seguir, ¾ as curas benfazejas e os outros milagres dos Apóstolos e dos Santos da Igreja Católica têm a aprovação de Jesus que disse: ( Mt 6,15-20) “Acautelai-vos dos falsos profetas… por seus frutos os reconhecereis… Não pode árvore boa dar frutos maus, nem árvore má dar frutos bons.” Por isso a Igreja Católica costuma promulgar os verdadeiros milagres somente depois de muitos anos, quando foram comprovados pelos bons frutos: de conversão dos ateus e pecadores de penitência, de vida pura, virtuosa, dedicada à caridade, etc.

Quem apesar disso teima em atribuir os verdadeiros milagres, rigorosamente comprovados e com bons frutos, ao poder de satanás, está imitando os doutores da Lei que atribuíram os milagres de Jesus ao poder de Belzebu  e aos quais Jesus respondeu que “Esta blasfêmia contra o Espírito Santo nunca terá perdão, mas será réu de um pecado eterno.”( Mc 3,28-30)

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Fizeram um trabalho de macumba pra mim, e agora?

O pior caminho é recorrer a centros ou terreiros para desfazer o “trabalho”. Primeiro porque demonstra pouca fé em Nosso Senhor, e segundo, porque corre o grande risco de tornar-se escravizado por tais coisas.

A solução é andar na graça de Deus: confissão e comunhão frequente, ojeriza radical contra o pecado e vivência diária das três virtudes cardeais: fé, esperança e Caridade. Santa Teresinha dizia que uma alma em estado de graça é temida pelo demônio como ao próprio Deus.

Todos os sacerdotes sérios que atuam no exercício da oração de libertação fazem questão de ressaltar que não se trata de prática mágica, supersticiosa ou coisa que o valha, como alguns e alguma seitas querem fazer. E ressaltam que mais importante que isso é buscar uma vida de contrição, acesso aos Sacramentos e fuga do pecado.

A oração produz um efeito extraordinário, podendo mesmo curar doenças, como já está provado.

Apesar do que diz a literatura em geral, especialmente a hinduísta, somente a oração cristã pode produzir os que assim seriam considerados efeitos extraordinários. A oração cristã é mais profunda, permite uma comunhão mais significativa com Deus. O próprio Jesus Cristo recomenda a perseverança e até mesmo a importunação na oração, ensinando inclusive que “Tudo o que pedirdes em meu nome eu o farei para que o Pai seja glorificado no Filho”.

Recentemente, o Papa Francisco aconselhou que “Todos nós devemos ser corajosos na oração, desafiando Jesus”…

Segundo o padre Fortea, exorcista, o primeiro prejudicado pelo malefício será quem invocou o demônio para fazer o mal. Nunca se invoca o demônio em vão. O único remédio é o seguinte:

1) Rezar um mistério do Rosário;

2) Ler o Evangelho durante cinco dias;

3) Falar com Deus sinceramente alguns instantes;

4) Ir à Missa ( Dominical ou com mais frequência);

5) Colocar um crucifixo Bento em casa;

6) Colocar uma Imagem Benta da Virgem Maria;

7) Abençoar-se com Água Benta, uma vez ao dia.

Se após isso tudo,não cessar, pode ser um sinal de que está sendo realmente provocado por um malefício. Procure um sacerdote de preferência um exorcista, e pede-se uma oração pra saber e outra para libertar.

 

A Igreja deixa claro que o estado de graça do fiel, a busca sincera pelos sacramentos e o alimento diário das três virtudes teologais são os meios mais seguros contra as ciladas do inimigo. O que São Paulo ensina? “Portanto, tomai toda a armadura de Deus,  para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6, 13-17).

Esse é o caminho segundo a Revelação. O dia a dia prático, além desses, podem mostrar outros. O referido sacerdote apenas partilhou a sua experiência pastoral.

 

Serve qualquer objeto bento. Porque? Porque eles se tornam um sacramental. Os demônios reconhecem objetos bentos e água benta e isso realmente protege contra muitas coisas. Não é superstição, é fé. Sabemos que os demônios agem onde eles atuam, por isso devemos ter cuidado com locais que possam estar “infestados”, objetos, roupas, comidas ( sim!), etc.

O falecido Pe. Rufus, sacerdote exorcista Indiano, que esteve na Canção Nova várias vezes, deu um testemunho certa vez, dizendo que uma mulher recebeu um demônio que estava hospedado em uma árvore no meio da rua. Ela simplesmente passou embaixo e havia alguma “brecha” espiritual nela. Ele entrou a ela ficou muito mal precisando de exorcismo. Nem todos conseguem entender ou aceitar isso, mas é assim.

 

Sempre houve nas famílias católicas um piedoso costume de manter água benta em casa, convidar o sacerdote para abençoar o lar, objetos, roupas, etc.etc. Isso demonstrava a fé das pessoas na intercessão da Igreja e na unção do sacerdote, tornando em nome de Cristo, simples objetos em sacramentais.

Isso se perdeu. Mas na verdade, isso se transferiu da fé em Cristo para a superstição, a idolatria, o medo, as “mandingas”, o espiritismo, etc. Chesterton já dizia: “Quem não acredita em Deus, na verdade não crê em nada, na verdade acredita em tudo!”

 

O demônio pode matar alguém diretamente, desde que Deus o permita. Um demônio matou os esposos de Sara (Tobias 3,8), e Satanás, os filhos de Jó. Santa Teresa de Ávila, no Livro da Vida, conta que ficou quase dois anos sem rezar porque nesses momentos ela era terrivelmente assediada pelo diabo, até que ela perdeu completamente o medo dele e retomou a sua vida de oração.

 

Que o demônio existe é fato, mas é preciso ter a convicção de que Deus é mais forte e nos livra do mal quando confiamos Nele.

 

Não podemos nos esquecer que a Verdade é uma pessoa, Nosso Senhor Jesus Cristo. E que a Verdade, que é Ele, é Verdade em toda a existência. No céu, na terra, nos infernos, nos confins do universo, etc. O falecido prof. Fedeli, da Montfort, sempre falava de modo radical sobre a verdade ( Cristo e sua Igreja) e a mentira ( após o advento de Cristo, todas as outras religiões).

 

 

 

Autor:
David A. Conceição – Tradição em Foco com Roma.

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Na missa, o que se deve cantar?

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Celebração

As celebrações não podem, simplesmente, serem realizadas a vontade. De maneira geral, deve-se seguir o que se pede o Missal em sua lista de ordem de precedência dos dias e, quando há dias sem memória obrigatória, pode-se celebrar as missas para diversas circunstâncias. Cremos que, de maneira geral, a celebração da Missa não é exatamente um problema, porque segue-se o que se pedem as normas ou, pelo menos, seguem-se alguns semanários que indicam as celebrações na ordem correta.

Devemos ver o que diz a Instrução Geral do Missa Romano sobre o canto. O exemplo principal que tomaremos é do canto da “Antífona de Entrada”, ou seja, aquele que abre a celebração da Santa Missa de determinado dia. Diz-nos (IGMR 48):

“Pode utilizar-se ou a antífona com o respectivo salmo que vem no Gradual Romano ou no Gradual simples, ou outro cântico apropriado à ação sagrada ou ao caráter do dia ou do tempo”.

A questão aqui apresentada, como canto apropriado para acompanhar a entrada do celebrante e dos ministros é a seguinte:

Canta-se o que está no Gradual Romano (Graduale Romanum): que é, nada mais nada menos, que a antífona de entrada que encontra-se no próprio Missal Romano, em versão gregoriana e, de maneira geral, apropriada para corais que já conhecimento o funcionamento da melodia gregoriana.

Canta-se o que está no Gradual Simples (Graduale Simplex): a mesma antífona de entrada presente no Missal em versão gregoriana simplificada, uma solução razoavelmente importante para todos aqueles que gostariam de ver cantadas em suas celebrações o que pede o Missal e, ao mesmo tempo, em gregoriano sem precisar de grande experiência, técnica ou grandes corais.

Deixemos, de lado, a questão sobre a terceira opção e nos voltemos sobre a questão do estilo musical, porque algumas pessoas poderão colocar o argumento de que o canto gregoriano não é apto a liturgia paroquia. Diz-nos a Igreja, aplicando à todas as igrejas e celebrações do Rito Romano, quanto a ele (IGMR 41):

“Em igualdade de circunstâncias, dê-se a primazia ao canto gregoriano, como canto próprio da Liturgia romana.”

Ou seja, de maneira geral, o canto da Liturgia Romana é o gregoriano. Porém, aqui há uma outra questão: devemos entender que o canto gregoriano é algo difícil de se realizar no Brasil por vários motivos (há falta de cursos que o ensinam, resistência por parte de alguns, o problema da não aceitação do latim como parte integrante da liturgia… latina!) e, nesse caso, acaba-se caindo a terceira opção. O ideal, e desde já o colocamos, é que seja usado o gregoriano (e, para os puristas, até essa sem o órgão) seja ele em versão elaborada, como a presente no Graduale Romanum, ou simples, no Simplex.

Em igualdade de circunstâncias, dê-se a primazia ao canto gregoriano” (IGMR 41)

Canta-se outro canto apropriado: esse aqui é o ponto. Bastou que essa opção se fizesse presente no Missal e as duas opções o que foram colocadas anteriormente (e, consequentemente, estando mais próximos do que pede a Igreja, porque esses itens não estão em igualdade, mas hierarquizados em uma ordem do mais ao menos apropriado) foram esquecidas.

E, o pior, também esqueceu-se do que o segue. Ou seja, que o canto seja aprovado pelas autoridades competentes. E, ainda mais, quando há cantos aprovados pela autoridade competente, também esses são facilmente esquecidos. Querem um exemplo? Alguém conhece alguma paróquia que usa o “Hinário Litúrgico” feito pela CNBB exatamente como ele é proposto, naquela ordem? Eu realmente duvido disso. Assim, criamos um problema grave o “canto apropriado” não se torna o apropriado à Igreja Universal (que, no Rito Romano, de longe é a antífona de entrada), nem a própria diocese, nem a própria paróquia, mas a aquela missa e escolhido por aquele grupo de cantores que estarão “animando” a celebração.

Isso está correto? Se olharmos do ponto de vista da grande imagem, claramente perceberemos que não. O que a “Equipe de Canto” ou “Ministério de Música” pensa ser adequado pode, muitas vezes, passar longe do nosso conhecido “sentir com a Igreja” por diversos motivos, a começar pelo desejo de novidade que existe entre nossas pastorais. Assim, acaba-se por não se criar uma tradição de cantos, mas uma sequência de cantos variados que, de maneira alguma, espelha a universalidade da Igreja e, muito menos, a história daquela paróquia como parte da Igreja Local.

Assim, a visão micro, infelizmente, transformou-se por sobrepujar a universalidade da Igreja. Dessa forma, não se deve cantar na missa (colocando-se os gostos pessoais e, ao mesmo tempo, do seu grupo na celebração), mas a missa e essa, sempre, estará inserida dentro de um Tempo Litúrgico (e, por exemplo, um canto apropriado ao tempo do Advento nunca o será apropriado à Quaresma) e terá características que lhe são próprias. Se vislumbramos mudanças? Sim e, inclusive, se nos permitem, sugerimos algumas coisas:

  1. Sentir com a Igreja: de longe o mais importante ponto. Sem se sentir com a Igreja, ou seja, viver com amor o que ela pede e como pede, dificilmente conseguiremos dar a nossa celebração a dignidade e valor que ela realmente necessita. Assim, não basta apenas escolher os cantos, mas escolhê-los dentro de um contexto, seja ele o Tempo Litúrgico ou, por exemplo, o espirito daquela missa (no caso, por exemplo, de uma “missa ritual” ou “para diversas circunstâncias”). Igualmente, devemos procurar fazer valer em nossas comunidades também as antífonas, ou seja, cantar o que nos propõe a Igreja e não o que pensamos ser o melhor. De maneira geral, as antífonas são cantos bíblicos que, inclusive, ressoam de maneira muito melhor o espirito de cada celebração!
  2. Divulgar o canto gregoriano não como uma anomalia da liturgia, mas como parte integrante da Liturgia Romana. Assim, ainda que difícil, os grupos que sabem cantar gregoriano deveriam fazer a máxima divulgação e, como um ministério, ensinar a outros. Se isso acontecesse, com toda certeza, poderíamos ter a melodia gregoriana e a letra ideal para cada parte da Santa Missa!
  3. Começar pequeno: seu grupo de canto acha lindo que se cante qualquer coisa, menos o “Glória” oficial da Liturgia ou o “Santo” ou o “Cordeiro”? Seria bom a mudança começar daí. A Igreja proíbe que se troque a letra de qualquer canto do Ordinário, ou seja, o “Kyrie” (a não ser na versão tropada), “Glória”, “Santo” e “Cordeiro” (IGMR 53)! Quanto mais nós nos aproximarmos do que pede a Igreja no pequeno, conseguiremos fazer catequese e apostolado para as grandes coisas e, claro, as grandes mudanças.

Ainda que não sendo a coisa mais simples do mundo, podemos mudar e fazer que a qualidade de nossas celebrações mudem muito e para melhor! Só temos dois conselhos para isso: “sentir com a Igreja” e, em espírito de santa obediência, arregaçar as mangas!

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Gatinhos protestantes

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Um camponês apresentou a um pastor dois gatinhos bonitinhos, para que os comprasse, e disse: O sr. Pastor pode comprá-los, são gatinhos protestantes.

O Pastor não os comprou.

Poucos dias depois o camponês ofereceu-os ao Vigário do lugar, dizendo: O Sr. Vigário pode comprá-los, são gatinhos católicos.

– Mas, como é isso? Perguntou o vigário. Na semana passada eram protestantes e agora são católicos?

– Perfeitamente, Sr. Padre, é que na semana passada tinham ainda os olhos fechados; agora porém, tendo-os abertos, já enxergam.
(Do livro Comentário Apologético, do P. Julio-Maria)
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NOÇÕES GERAIS SOBRE ALGUMAS VERDADES DA FÉ CATÓLICA

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1 – Julgando ser útil a muitos leigos uma noção básica de algumas verdades da fé católica, com pequena fundamentação teológica, faço aqui algumas considerações, sem pretensão, porém, de estar trazendo novidades sobre o assunto, mas tão-somente um subsídio à formação de pessoas que gostariam de colocações assim.

2 – Escatologia, parusia, juízo final, morte, céu, purgatório e inferno, serão, pois, aqui comentados de maneira breve, nos pontos julgados essenciais à sua compreensão e na objetividade da fé católica.

ESCATOLOGIA

3 – Entende-se por Escatologia a temática do fim dos tempos e da história, mas não se limita ela àquilo que nos dá uma noção sistemática de fim. Diz respeito também ao “agora”, ao “já” da vida humana. A Escatologia, para o cristão, começa com o Batismo e se desenvolve no dinamismo da vida cristã, orientada por uma sadia vivência evangélica, à espera do dia da ressurreição.

4 – De fato, o cristão já vive o “já” e o “ainda não” da plenitude cristã. Estas duas dimensões são, porém, vividas simultaneamente, e Santo Agostinho vai dizer: “A Igreja conhece duas vidas, que lhe foram anunciadas por Deus: uma é vivida na fé; a outra, na visão. Uma, no tempo da caminhada; outra, na mansão eterna. Uma, no trabalho; outra, no descanso. Uma, no exílio; outra, na pátria. Uma, no esforço da atividade; outra, no prêmio da contemplação”.

E Santo Agostinho conclui que a primeira dimensão é representada pelo apóstolo Pedro, e a segunda pelo apóstolo João. Assim, quanto a Pedro, o evangelho vai dizer “Segue-me” (cf. Jo 21,19), isto é, assume, como eu, a cruz, e morre pelos teus, e quanto a João, o evangelho sugere que “ele permanece” (cf. Jo 21,22), ou seja, que Deus o predestinou a viver mais profundamente a dimensão contemplativa da fé cristã e do evangelho. Ambos os aspectos devem contudo, como se falou acima, estar presentes na vida do cristão, pois, se São Pedro representa o aspecto militante, de pastor, e São João o de contemplativo, de místico, ambos os apóstolos, porém, viveram as duas dimensões.

5 – Também a história humana, com suas vicissitudes, ordena-se para a Escatologia, notando-se que a Escatologia manifesta também a sua face histórica. Em síntese, podemos então dizer que a história tem uma dimensão escatológica, isto é, caminha também para a sublimação, ao mesmo tempo que a Escatologia é marcadamente histórica, quer dizer acontece positivamente na realidade temporal. E o que caracteriza a Escatologia – diga-se – não é tanto o gênero apocalíptico com que muitas vezes ela é descrita e pensada, como acontece até mesmo nos textos bíblicos, mas o novo, o transparente e sublime que ela nos traz.

6 – Pela revelação bíblica (cf. Rm 8,19-23; 2Pd 3,13; Is 65,17; 66,22; Ap 21,1), sabemos então que Deus vai criar novos céus e nova terra, não no sentido plural daquilo que já se vê aqui. Novos céus e nova terra são, em última palavra, o Reino de Deus implantado definitivamente por Cristo, onde Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,28).

7 – A Escatologia confirma o relativismo e a instabilidade do mundo (cf. 1Cor 7,31; 1Jo 2,17), e assim somos chamados a buscar as realidades do alto, perenes, definitivas e eternas, nas palavras de São Paulo (cf. Rm 12,2; Cl 3,1-4). Sendo peregrinos, marchando para a Terra Prometida, não temos portanto aqui uma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir (cf. Hb 13,14; Fl 3,20). Assim, estamos no mundo, mas não somos do mundo (cf. Jo 17,16), e aqui todo país estrangeiro é nossa pátria, ao mesmo tempo que nossa própria pátria é sempre, para nós, terra estrangeira (cf. Carta a Diogneto – Século II).

PARUSIA

8 – Por Parusia devemos entender, inicialmente, a segunda vinda de Cristo, que se dará no fim dos tempos. A primeira se deu, como sabemos, no Natal. Os textos litúrgicos do Advento, até o dia 16 de dezembro, preparam os cristãos para a Parusia, como também a Solenidade de Cristo Rei, no fim do Ano Litúrgico, nos dá uma idéia bem clara dessa verdade da fé cristã.

9 – Na Parusia, Cristo não virá, porém, como salvador, a exemplo do Natal, mas virá como juiz, para julgar os vivos e os mortos, numa realeza absoluta, outorgada pelo Pai. São Cirilo de Jerusalém comenta: “Virá o Salvador, não para ser novamente julgado, mas para chamar a juízo aqueles que se constituíram seus juízes”. E São Paulo vai dizer-nos que Cristo então submeterá ao Pai tudo o que lhe foi confiado, e ele mesmo ao Pai se submeterá, quando então, definitivamente, Deus será tudo em todos (cf. 1Cor 15,23-28).

10 – Também, segundo São Tiago, o juízo será sem misericórdia para os que não vivem a misericórdia, mas a misericórdia triunfa sobre o juízo (cf. Tg 2,13; 5,8-9). Para os que vivem no desamor, sem Deus, para os que vivem na impiedade, essa doutrina é assustadora. Para os cristãos, porém, é fonte de eterno consolo, pois, chamados na vida a viver as bem-aventuranças, agora, no final da existência humana, são então bem-aventurados, por tê-las de fato vivido.

É interessante notar que Mateus coloca, assim, as bem-aventuranças de maneira pedagógica no seu evangelho: no início (cf. Mt 5,1-11), elas têm uma proposta de vida, no seguimento de Cristo; e, no fim (cf. Mt 25,31-46), elas são o coroamento celeste de quem plenamente as viveu.

11 – A Parusia, finalmente, deve ser vista como a volta de um rei triunfante, que visita o seu povo, para partilhar com ele os frutos de sua vitória. Este é o sentido grego também de parusia. Um rei, porém, misericordioso, no sentido cristão, e não simplesmente um juiz implacável, como às vezes acontece em muitas interpretações. Aliás, o Apocalipse, já no início, diz: “Ei-lo que vem com as nuvens” (cf. Ap 1,7a), e os cristãos, no fim do livro, respondem: “Amém. Vem, Senhor Jesus”! (cf. Ap 22,20).

JUÍZO FINAL

12 – Há um juízo final, segundo a revelação bíblica (cf. Ez 34,17; Rm 2,5-10; 2Tm 4,1; Mt 24,37; Mc 13,1-4), isto é, um julgamento universal de todas as coisas criadas, aqui presente sobretudo a vida de cada ser humano, a história de seu “sim”, ou de seu “não”, ao projeto do Pai. Isto se dará no fim dos tempos (Escatologia), na vinda gloriosa de Cristo (Parusia), hora só conhecida pelo Pai. “O juízo final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que o seu amor é mais forte do que a morte” (CIC 1040 e Ct 8,6).

13 – No juízo final, segundo a fé cristã, todos os corpos ressuscitarão, uns para a alegria eterna de bem-aventurados, outros para a condenação eterna. É a ressurreição da carne, como professamos no Credo. Não é, porém, a retomada do corpo para a mesma realidade da vida, pois o corpo ressuscitado, embora seja o mesmo corpo humano, é, porém, um corpo glorioso, como nos ensina São Paulo, com suas quatro características: incorruptibilidade, claridade, agilidade e espiritualidade (cf. 1Cor 15,42-44).

14 – Lembremo-nos de que, para o cristão, o importante não é só o juízo final, mas também o juízo particular, que se dá após a morte. Aqui já acontece a destinação eterna, para a glória ou para a condenação.

15 – No juízo final, o Rei-Juiz (Cristo) porá uns à sua direita e outros à sua esquerda, no simbolismo bíblico de ovelhas e cabritos (cf. Ez 34,17; Mt 25,31-33). Aqueles, isto é, as ovelhas, serão os eleitos; e estes, ou seja, os cabritos, serão os condenados. Os primeiros, por terem vivido as bem-aventuranças evangélicas; os segundos, por as terem desprezado.

16 – Podemos dizer, clareando um pouco ainda mais, que o juízo final já começa também aqui e agora. Se nós nos colocamos ao lado dos pobres, infelizes e injustiçados, se clamamos na vida por justiça e vivemos o amor na dimensão evangélica, então, sim, segundo o Evangelho, seremos aqueles que estarão à direita de Cristo, no reino eterno. Se, porém, fizermos o contrário, numa vida de insensibilidade fraterna, estaremos então nos colocando à sua esquerda. Na verdade, como se vê, nós é que nos colocamos à direita ou à esquerda de Cristo, por uma opção livre e consciente e, no juízo final, Cristo apenas confirmará aquilo que na vida escolhemos, e o fará com plena soberania.

MORTE

17 – A morte é um fantasma, que ronda a nossa vida. Um fantasma, portanto uma sombra. Com a morte de Cristo, no sacrifício do Calvário, a morte foi destronada e vencida, deixando de reinar, isto é, deixando de ser vitória sobre a vida. Diga-se mais: com Cristo e em Cristo, a morte transforma-se em vida. Ensina-nos a revelação bíblica que Cristo venceu a morte pela morte (cf. Jo 18,11; Mt 16,21; 17,22; 26,42; Mc 9,31; Lc 9,44), assumindo-a e enfrentando-a, mesmo às vezes com as dificuldades de aceitação da condição humana (cf. Mt 26,39), e assim ela se tornou para todos porta para a vida definitiva.

18 – O mistério cristão nos dá, pois, este sentido teológico da morte, sentido que, pleno de Deus, se torna também plenamente humano. A morte, entrando no mundo, pelo pecado, do mundo é expulsa pela graça, como nos ensina São Paulo (cf. Rm 5,12.15-17). E o mesmo São Paulo, em tom jubiloso, vai dizer, fazendo eco às palavras de Oséias: “Morte, onde está a tua vitoria? Onde está o teu aguilhão?” (cf. 1Cor 15,55; Os 13,14).

Também o Concílio Vaticano II, nos ensina: “Enquanto toda a imaginação fracassa diante da morte, a Igreja contudo, instruída pela revelação divina, afirma que o homem foi criado por Deus para um fim feliz, além dos limites da miséria terrestre” (GS 18-b). E falando do mistério que envolve a morte, o Concílio fala também de sua índole cristã (SC 81), isto é, do sentido que lhe foi dado por Cristo.

19 – A exemplo do Inferno (cf. Mt 25,41), a morte não foi criada por Deus (cf. Sb 1,13), e foi por inveja do diabo que ela entrou no mundo (cf. Sb 2,24). Enquanto, porém, o amor não vencer plenamente, a morte continuará tentando destruir os valores da vida, criando culturas que com ela se identifiquem. Tais são as chamadas culturas de morte, tão presentes hoje em nossos sistemas políticos, econômicos e sociais, como verdadeiros agentes de opressão e de exclusão.

20 – O medo da morte, mesmo com todo o sentido cristão que lhe é dado pelo Cristianismo, é compreensível, pois o ser humano não foi criado para morrer. Santo Agostinho nos diz: “Se o mal da morte fosse insignificante, não seria tão grande a glória dos mártires”. Criado, pois, à imagem e semelhança de Deus, jamais poderá o ser humano aceitar o fim da vida terrena como fim simplesmente, e isto é grandemente positivo. Remido por Cristo, o cristão assume então a morte, na esperança da ressurreição, o que, diga-se, não o isenta de lutar contra a morte. Isto significa que a vida, no conceito da fé cristã, deve ser cultivada, protegida, sustentada e favorecida em todas as circunstâncias, históricas e pessoais.

21 – Um dado interessante é que, tanto pela vida como pela morte, podemos engrandecer Cristo (cf. Fl 1,20-21), e a morte jamais poderá nos separar do amor de Deus, como também não poderá fazê-lo qualquer outra criatura, visível ou invisível (cf. Rm 8,35-39). Cristo, como sabemos, é o centro do universo, da história e da vida humana. Assim, para o cristão, tanto a vida como a morte deve estar mergulhada no mistério de Cristo, conforme a rica doutrina de São Paulo, nesse sentido (cf. Rm 6,8; 2Tm 2,11pp.)

CÉU

22 – “Morada eterna dos justos”, “paraíso”, “seio de Abraão”, “Jerusalém celeste”, “pátria que brilha com a glória do Senhor”, “comunhão perpétua da vida incorruptível”, e mil outros nomes, jamais conseguirão dar-nos uma idéia exata do Céu. É surpresa que Deus reserva àqueles que aqui o amam. Os olhos jamais viram, os ouvidos jamais ouviram e a mente humana não será jamais capaz de perceber, em dimensões humanas, aquilo que Deus reserva para os seus eleitos (cf. 1Cor 2,9; Rm 8,18; 2Cor 4,17-18).

23 – Teologicamente, o Céu não é um lugar, em sentido geográfico, pois não pode caracterizar-se pelo espaço físico. Este, por si mesmo, poria limite àquilo que é sem limites. Não é também o Céu a realização de um sonho maravilhoso, pois, humanamente, ninguém seria capaz de sonhar tal sonho, e o Céu transcende a mais pura elevação humana. Nem pode ser a desejada concretização de um ideal, dado que o ideal humano, mesmo o mais nobre, espiritual e sublime, é sempre relativo e imperfeito.

24 – A experiência humana revela-nos um paradoxo: queremos ir para o Céu, mas não agora. Quer dizer: desejamos sempre o Céu, mas a Terra continua sendo o nosso atrativo maior. São Cipriano, no seu tratado sobre a morte, diz: “Que coisa mais fora de propósito, mais absurda: pedimos que a vontade de Deus seja feita, e quando ele nos chama e nos convida a deixar este mundo, não obedecemos logo à sua vontade”. Interessante é sabermos que ao Céu ninguém chega se nele, de uma certa maneira, já não se vive. Em outras palavras: o Céu não é para depois, mas se inicia aqui. Não podemos, pois, chegar ao Céu sem uma experiência, aqui na Terra, daquilo que é celeste, ou seja, sem uma experiência profunda do amor, na dimensão evangélica. “Ganhar o Céu, depois”, pode significar “Dar o Céu, antes”, ou seja, amar na medida de Deus, principalmente os que são mais indignos de amor.

25 – A liturgia da Igreja nos fala de “prelibações das alegrias celestes”, isto é, que nós já experimentamos na vida, antecipadamente, sobretudo nas celebrações litúrgicas, aquilo que um dia vamos viver plenamente. A consciência de participação litúrgica deve levar-nos à alegria desse dado fundamental de nossas celebrações.

26 – Finalizando, podemos dizer que o Céu é, em última palavra, o próprio Deus, vivendo em suas criaturas, no admirável mistério da Trindade, e as criaturas vivendo em Deus, na sublime participação da vida divina. Viver no Céu não significa simplesmente viver perto de Deus, mas viver em Deus, mergulhado no mistério divino e por Deus totalmente assumido.

PURGATÓRIO

27 – Como a palavra indica, Purgatório é um estado de purificação, antes de os eleitos entrarem na posse definitiva de Deus, ou seja, da visão beatífica, na eternidade (LG 49). É uma purificação, não em um lugar, mas em Deus. Um sofrimento, é verdade, mas no amor. No purgatório, se assim podemos dizer, existe não só esperança, mas a firme certeza do amor de Deus. É, assim, um estado intermediário entre a vida terrena e a vida da glória, após a morte. Quem está no Purgatório é eleito de Deus e, mesmo sem contemplá-lo ainda face a face, já sente a grandeza do amor divino.

28 – O estado de purgação para as pessoas não ainda em estado de graça plena ajusta-se à natureza de Deus, o qual habita numa luz inacessível (cf. 1Tm 6,16), sendo luz em plenitude e todo santidade. Assim, o pecado venial, mesmo leve e perdoável, exclui a pessoa do convívio divino. Isto, é claro, provisoriamente. A existência, pois, do Purgatório é mais uma iniciativa do favor divino, que não quer excluir ninguém da felicidade eterna.

29 – Diante do já aqui exposto, o Purgatório não é, pois, como muitos erroneamente entendem, um estado de condenação, mas de purificação, e quem nele se encontra é um eleito de Deus e participa da plena comunhão dos santos. Daí o valor da oração pelos mortos, como a Igreja coloca em suas orações e em sua liturgia.

30 – Na Bíblia não há uma revelação plena e explícita do Purgatório, mas sua existência é evidenciada por alguns textos (cf. 2Mc 12,43-45; 1Cor 3,15, p. ex.). Aliás, sem a plena realidade do Purgatório, não teríamos como entender a perícope de 2Mc, aqui citada, como não seria explicável, teologicamente, o sacrifício expiatório de que fala.

31 – A Igreja, no seu magistério universal, sempre se referiu ao Purgatório, de maneira positiva, e a celebração de Finados recebe na liturgia grau de solenidade, como o das grandes celebrações litúrgicas. Aqui podemos falar da comunhão dos santos, como verdade sublime da fé cristã, pois os fiéis falecidos, que se encontram em estado de purificação, estão em comunhão com os que ainda militam na Terra, como também com os bem-aventurados no Céu. O Purgatório é um dado de fé, que somente o Cristianismo sustenta e, de acordo com o que foi aqui explicitado, não tem nada de comum com outras posições religiosas sobre os mortos.

INFERNO

32 – Escreveu um monge de nosso tempo que no Inferno não existe comunhão. Daí, ser Inferno. A única comunhão possível no Inferno, segundo o monge, é a do ódio. No Inferno todos se odeiam mutuamente. Odeia-se também no outro aquilo que se odeia em si mesmo. É claro que a linguagem aqui é alegórica e simbólica, como se conclui pelas considerações abaixo. 

33 – A tragicidade do Inferno está no fato de ser ele o oposto da predestinação dos eleitos de Deus, na felicidade que Deus pensou para aqueles que o amam. Como sabemos, o ser humano foi criado para a alegria eterna, mas, livre, pode optar por uma vida sem Deus, a qual, aqui mesmo, já se traduz por uma vida infernal. Inferno é, pois, “estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados” (CIC 1033).

34 – Deus não criou o Inferno, nem para ele predestina ninguém. Os réprobos, como antes os anjos decaídos (cf. 2Pd 2,4; Jd 6), pela auto-exclusão de que se falou acima, é que nele se lançam, dada a miséria do pecado. Inferno é, portanto, rejeição de Deus, abismo sem retorno, caracterizando-se pela ausência total do amor, a maior desgraça a que pode chegar um ser criado. O Concílio Vaticano II refere-se a ele, em linguagem simples, como “condenação eterna” e “trevas exteriores” (LG 16; 48c), lembrando o próprio Evangelho (cf. Mt 22,13; 25,30).

35 – Costuma-se chamar de inferno as guerras no mundo. De fato, elas nos dão uma ideia do ambiente infernal, mas – vejamos – é apenas uma ideia, uma pálida imagem de sua realidade trágica. Isto mostra que o Inferno, teologicamente, é o fruto mais cruel do “mistério da iniquidade” (cf. 2Ts 2,7). Não é apenas o oposto do Céu, mas a triste realidade em que um ser criado se vê na impossibilidade de amar e de ser amado. Criado por amor, para o amor e destinado ao amor eterno, a ausência definitiva desse dado da fé constitui, pois, para o ser humano aquilo que chamamos, na limitação verbal, de Inferno. Conclui-se, pois, que, ao contrário do Purgatório, no Inferno não existe a menor sombra de esperança, ou seja, nenhuma porta possível de acesso à felicidade. “A ameaça do Inferno diz apenas que de tal modo Deus é a fonte, que ninguém pode fechar-se a Ele sem eternamente morrer de sede”. É de se esperar que ninguém se condene eternamente, por uma recusa radical ao projeto divino.

36 – Segundo um pensador cristão, se no Inferno a morte quisesse morrer, sentir-se-ia eternamente viva, e se a vida quisesse viver, ver-se-ia eternamente morta. Esse pensamento mostra o absurdo existencial que é o Inferno.

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