Por que não sou espírita?

 

 

Autor: Dom Estêvão Bettencourt (OSB)
Em síntese: São apontadas sete razões pelas quais um católico não pode ser
espírita: O Espiritismo (tanto o kardecista quanto o afro-brasileiro) está
baseado na hipótese de que existe comunicação dos vivos com os mortos mediante
artes mágicas ou receitas eficazes. Ora isto é enorme ilusão, que só pode ter
significado em ambientes que ignoram as conclusões da ciência parapsicológica
contemporânea (ciência que não existia nos tempos de Allan Kardec, 1804-1869).
Além disto, a reencarnação – outra pedra básica da crença espírita – é
postulado sem fundamento; a parapsicologia e a reta explicação da fé católica
dissipam facilmente os seus pretensos fundamentos. Além disto, é de notar que o
Espiritismo é poderoso foco de doenças mentais, como afirmam grandes médicos do
Brasil, constituindo assim um problema que interessa à saúde pública. Deve-se
outrossim registrar que as próprias irmãs Fox, cujas experiências deram origem
ao Espiritismo moderno, se retrataram, reconhecendo que se serviram de truques
para produzir os fenômenos que os circunstantes interpretam como intervenções
do além.

O Espiritismo seduz muitos fiéis católicos, seja por causa dos “fatos
prodigiosos” que lá ocorrem, seja pela promessa de comunicação com os
defuntos, seja porque o Espiritismo às vezes se reveste de capa católica,
adotando nomes de Santos para seus Centros e louvando Jesus Cristo…

Dai a necessidade de dizermos por que um católico não pode ser espírita. É o
que faremos nas páginas seguintes, abrangendo sob a designação de Espiritismo
também as religiões afro-brasileiras (Umbanda, Candomblé, Macumba…); estas
têm em comum com o kardecismo a prática da evocação dos mortos e a crença na
reencarnação (A relação entre Espiritismo e Umbanda, por exemplo,
é tão íntima que há quem diga que a Umbanda é complementação do Espiritismo;
seria a quarta revelação (após a de Moisés, a de Jesus Cristo e a de Allan
Kardec). Tenha-se em vista o texto do jornal “O Reformador’; órgão oficial
da Federação Espírita Brasileira, julho de 1953, p. 149 (Baseados em Kardec,
é-nos lícito dizer: Todo aquele que crê nas manifestações dos espíritos é
espírita; ora o umbandista nelas crê, logo o umbandista é espírita… Assim
todo umbandista é espírita, porque aceita a manifestação dos Espíritos, mas nem
todo espírita é umbandista, porque nem todo espírita aceita as práticas de
Umbanda”).

São sete as razões pelas quais não sou espírita (kardecista ou umbandista):

  1. Grande
    Ilusão

Um dos fatores mais atraentes do Espiritismo é a aparente comunicação com os
espíritos “desencarnados”; estes parecem acompanhar os vivos,
consolando-os e orientando-os; é o que ocorre nos casos do copo falante, da
psicografia, das casas mal-assombradas, etc.

Ora a explicação desses fenômenos por intervenção de espíritos do além podia
ter crédito nos tempos de Allan Kardec (1804-1869). Hoje, porém, o estudo do
psiquismo humano mostra que todos os fenômenos ditos “de mediunidade”
são meras expressões do psiquismo do médium e de seus assistentes. Com efeito,
a parapsicologia ensina que temos 7/8 de nossos conhecimentos (adquiridos desde
a infância) em nosso inconsciente; usamos apenas 1/8 daquilo que sabemos. Ora,
por efeito da sugestão, essas noções latentes sobem à consciência do indivíduo
e lhe possibilitam manifestações que parecem estranhas, oriundas do além,
quando na verdade são apenas expressões daquilo que a pessoa viu, ouviu, sentiu
no decorrer da sua vida presente.

O inconsciente, a sugestão e uma grande sensibilidade são, portanto, os
principais fatores que explicam os fenômenos mediúnicos. O inconsciente é um
enorme repertório de imagens, sons e experiências latentes no ser humano; está
sujeito a ser ativado pela sugestão de que o médium vai receber um espírito do
além e, por isto, terá que representar um papel condizente com tal
“incorporação”.

Não há fenômeno mediúnico nenhum que não possa ser explicado pela
parapsicologia, de modo que é falso recorrer a intervenções do além para
compreendê-los.

Somente quem permite que a emoção e os sentimentos preponderem sobre o
raciocínio e a ciência, pode aderir ao Espiritismo. Este não é ciência, como
diz, mas (doloroso é dizê-lo) é obscurantismo, pois supõe ainda o contexto do
século XIX e ignora os resultados comprovados da Psicologia contemporânea.

  1. O
    desmentido das irmãs Margaret e Katy Fox
  2. Pouco se conhece um fato importante:

O Espiritismo moderno, como dizem os próprios espíritas, começa em Hydesville
(N.Y., U.S.A.) em 1848. Certa noite, o pastor protestante John Fox, sua esposa
e as duas filhas Margarida e Catarina estavam a conversar sobre estranhos
fenômenos de “assombração”; Catarina então produziu estalos com os
dedos; notaram todos que alguém os repetia. Por sua vez, Margarida produziu
estalos e encontrou eco. Apavorada, a Sra. Fox perguntou: “É homem ou
mulher que está batendo?”, mas não obteve resposta. Insistiu então:
“É espírito? Se é espírito, bata duas vezes”. Produziram-se duas
breves pancadas. Concluiu assim que um espírito “desencarnado” estava
em comunicação com a família. Segundo se diz, os próprios espíritos indicaram
às irmãs Fox em 1850 nova forma de comunicação: que os interessados se
colocassem em torno de uma mesa, em cima da qual poriam as mãos; às
interrogações que fizessem aos espíritos, a mesa responderia com golpes e
movimentos indicadores de letras do alfabeto e de palavras.

Em pouco tempo, as novas práticas se espalharam pelos Estados Unidos, pelo
Canadá e pelo México. Atravessaram o Atlântico, chegando à Escócia e à Inglaterra,
passaram para a Alemanha e outros países europeus, encontrando em 1854 na
França o seu grande doutrinador: Léon Hippolyte-Denizart-Rivail, que tomou o
nome de Allan Kardec, pois julgava ser a reencarnação de um poeta celta do
mesmo nome.

  1. Ora eis o depoimento de Margaret Fox, publicado no jornal “The New York
    Herald”, de 24/9/1888:

“Quando
o espiritismo começou, Kate e eu éramos criancinhas e essa velha mulher, minha
outra irmã, fez de nós seus instrumentos. Nossa mãe era uma tola. Era uma fanática.
Assim a chamo porque era honesta. Acreditava nessas coisas. De fato, o
espiritismo começou com um nada. Éramos apenas criancinhas inocentes. Que
sabíamos nós? Ah, chegamos a saber demais! Nossa irmã serviu-se de nós em suas
exibições; ganhávamos dinheiro para ela. Agora vira-se contra nós porque é
esposa de um homem rico e sempre que ela o pode, opõe-se a nós.

O Dr. Kane
encontrou-me quando eu levava essa vida. (Sua voz tremeu, aqui, e quase
desfaleceu). Tinha eu apenas treze anos quando ele me livrou disso,
colocando-me num colégio. Fui educada em Filadélfia. Aos dezesseis anos
casei-me com ele na ocasião em que voltou de uma expedição ártica. Agora,
chegamos à triste história, tão triste… Ele se achava muito doente…



“Quando
recuperei as forças, fui novamente empurrada para o espiritismo. Dei exibições
com minha queridíssima irmã Kate. Sabia, então, é claro, que todos os efeitos
por nós produzidos eram absolutamente fraudulentos. Ora, tenho explorado o
desconhecido na medida em que uma criatura humana o pode. Tenho ido aos mortos,
procurando receber deles um pequeno sinal. Nada vem daí – nada, nada. Tenho
estado junto às sepulturas, na calada da noite, com licença dos encarregados.
Tenho-me assentado sozinha sobre os túmulos, para que os espíritos daqueles que
repousavam debaixo da pedra pudessem vir ter comigo. Tenho procurado obter
algum sinal. Nada! Não, não, não, os mortos não hão de voltar, nem aqueles que
caem no inferno.
 Assim o diza Bíblia católica, e eu o digo também. Os espíritos não voltam.
Deus nunca o ordenou”.

  1. Por sua vez, a Sra. Katy Fox (casada com o Sr. Jencken), deixou o seguinte
    testemunho, publicado no “The New York Herald”, de 10/10/1888:

“O
espiritismo é fraude do princípio ao fim. É a maior impostura do século. Não
sei se ela já lhe disse isso, mas Maggie e eu começamos quando éramos crianças
muito pequeninas, pequenas e inocentes demais para compreendermos o que
fazíamos. Nossa irmã Leah contava vinte e três anos mais que nós. Iniciadas no
caminho do engano e encorajadas a isso, continuamos, é claro. Outros, com
bastante idade para se envergonharem de tal infâmia, apresentaram-nos ao mundo.
Minha irmã Leah publicou um livro intitulado O Elo que faltava ao Espiritismo.
Pretende contar a verdadeira história do movimento, tanto quanto se originou
conosco. Ora, só há no livro falsidade, do início ao fim. Salvo o fato de que
foi Horace Greeley que me educou. O restante é uma cadeia de mentiras”.

“E,
quanto às manifestações de Hydesville em 1848 e aos ossos encontrados na adega,
e o mais?”

“Tudo
fraude, sem exceção”. “Contudo, Maggie e eu somos as fundadoras do
espiritismo!” concluiu a Sra. Jencken.

Debaixo do
nome dessa terrível, horrorosa hipocrisia – o espiritismo – tudo que há de
impróprio, mau e imoral é praticado. Vão tão longe a ponto de terem o que
chamam filhos espirituais! Pretendem a algo como a imaculada conceição! Coisa
alguma poderia ser mais blasfematória, mais nojenta, mais altamente
fraudulenta? Em Londres, fui, disfarçada, a uma sessão privada em casa de um homem
rico. Vi uma chamada materialização. O efeito foi obtido por meio de papel
luminoso cujo brilho se refletia sobre o refletor. A figura assim exibida era a
de uma mulher – virtualmente um nu; envolvia-a uma gaze transparente. O rosto
apenas se achava oculto. Era essa uma das sessões a que são admitidos alguns
amigos privilegiados, não crentes, de espíritas crentes. Há, porém, outras
sessões a que só são admitidos os mais provados e fiéis; aí ocorrem as coisas
mais vergonhosas, que rivalizam com as saturnálias secretas dos antigos
romanos. Não posso descrever-lhe essas coisas porque não ousaria.”

  1. O jornal “The World”, de 22/10/1888, publicou a crônica da famosa
    sessão na Academia de Música de Nova Iorque, ocorrida na noite de 21/10/1888. A
    Sra. Margaret Fox Kane proferiu então perante grande público caloroso
    depoimento, que também se lê no livro de Davenport: “The Death – Blow to
    Spiritualism” (New York 1888); desta obra extraímos o seguinte texto:

“No
dia 21 de outubro de 1888, a Sra. Margaret Fox Kane realizou pela primeira vez
seu intento de, com os próprios lábios, denunciar publicamente o espiritismo e
seu séqüito de truques. Apresentou-se à Academia de Música em Nova York perante
numerosa e distinta assembléia e, sem reservas, demonstrou a falsidade de tudo
quanto no passado fizeram sob o disfarce da mediunidade espírita.

Foi dura
provação. A grande tensão nervosa de que padecia, tomou-lhe a mente altamente
excitada, e o grande número de espíritas presentes na casa tentava criar uma
perturbação, ou uma diversão desleal que teria por fim romper a força da
denúncia da Sra. Fox. Falharam, porém, completamente, graças ao caráter
superior que possuía a maioria de seus ouvintes.

O efeito moral dessa exibição não poderia ter sido maior.

A Sra. Kane
manteve-se de pé sobre o palco; tremendo e possuída de intensos sentimentos,
fez a seguinte e extremamente solene abjuração do espiritismo, enquanto a Sra.
Catharine Fox Jencken assistia de um camarote vizinho, dando, por sua presença,
inteiro assentimento a tudo que a irmã dizia:


Deveis, sem dúvida, saber que tenho sido o principal instrumento em
perpetrar a fraude do espiritismo, num público demasiadamente confiante.


O maior sofrimento de minha vida é que essa é a verdade. Embora tenha
essa hora chegado tarde, estou agora preparada para dizer a verdade, toda a
verdade e nada senão a verdade – a isso Deus me ajude!

Há,
provavelmente, muitos aqui presentes que me hão de desprezar por causa do
engano a que me tenho entregue; contudo, se soubessem a história verdadeira do
meu passado infeliz, a viva agonia, a vergonha que tem sido para mim, haveriam
de me lamentar, não reprovar.

A impostura
que por tanto tempo mantive, começou na minha tenra meninice, quando, o
espírito e o caráter ainda não formados; era incapaz de distinguir entre o bem
e o mal.

Quando
atingi a maturidade, me arrependi. Tenho vivido anos através de silêncio,
timidez, desprezo e amarga adversidade, ocultando, o melhor que pude, a
consciência de minha culpabilidade. Agora, graças a Deus e à minha consciência
despertada, estou enfim apta a revelar a verdade fatal, a verdade exata dessa
hedionda fraude, que tantos corações tem feito mirrar e obscurecido tantas
vidas.

Esta noite
estou aqui como uma das fundadoras do espiritismo, para denunciá-lo como
absoluta falsidade, do princípio ao fim, como a mais frívola das superstições,
a mais maldosa blasfêmia do mundo” (Os depoimentos aqui transcritos
encontram-se na obra de D. Boaventura Kloppenburg: “O Espiritismo no
Brasil.” Ed. Vozes, Petrópolis, 1960, pp. 426 – 447, onde se encontra
também a cópia fac-símile das respectivas páginas dos originais ingleses).

Notemos que, além da explicação por truques, ocorre a explicação pela
parapsicologia, quando se trata de fenômenos mediúnicos Em nossos dias pode-se
crer que a maioria dos médiuns e freqüentadores do Espiritismo são pessoas
sinceras e de boa fé; sem o saber, estão provocando fenômenos parapsicológicos,
que elas atribuem à intervenção de “espíritos desencarnados”.

  1. Fator de
    doenças mentais

    A excitação do psiquismo humano provocado pelo exercício da mediunidade não
    pode deixar de traumatizar a pessoa e tornar-se foco de doenças mentais.
    Atestam-no grandes médicos do Brasil, habituados a tratar de psicopatologias
    diversas. Eis alguns de seus depoimentos, colhidos por D. Boaventura
    Kloppenburg num inquérito realizado em 1953:

Dr. Luis Robalinho Cavalcanti:

“Não é
aconselhável promover o desenvolvimento das faculdades mediúnicas, desde que se
trata de fenômenos psicopatológicos prejudiciais ao indivíduo.


O médium deve ser considerado como uma personalidade anormal,
predisposto a enfermidades mentais, ou já portador de psicopatias crônicas ou
em evolução.

As práticas
mediúnicas são prejudiciais à saúde mental da coletividade, retardando o
tratamento dos pacientes, que muitas vezes chegam às mãos do médico com
enfermidade já cronificada.

O
Espiritismo põe em evidência enfermidades mentais preexistentes e desencadeia
reações psicopatológicas em predispostos. .


São convenientes medidas que visem a evitar a prática de atividades
médicas e terapêuticas por se tratar de contravenção, proibida pelas leis
sanitárias, que só reconhecem ao médico com diploma devidamente registrado nos
órgãos competentes o direito de tratar pessoas doentes”.

Dr. Francisco Franco:

“Provocar
fenômenos espíritas é desaconselhável porque danoso para o organismo; o médium
toma-se um neurastênico, autômato, visionário, abúlico, antecâmara à
esquizofrenia, um indivíduo perigoso para si e a sociedade.

O médium
nunca pode ser normal pelas razões expostas acima.

O
Espiritismo é uma farsa, portanto nula a sua finalidade.

O
Espiritismo está colocado em primeiro lugar como fator de loucura e de outras
perturbações patológicas, agindo sobretudo nas mentalidades fracas e
particularmente nas sugestionáveis.

O
Espiritismo é o maior fator produtor de insanos que perambulam pelas ruas,
enquanto grande percentagem enchem os manicômios, casas de saúde, segundo a
opinião de abalizados psiquiatras, como Austregésilo, Juliano Moreira, Franco
da Rocha, Pacheco e Silva…”

Dr. Oswaldo Morais Andrade:

“O Espiritismo é prejudicial, principalmente nos meios incultos.

É tese assente em Psiquiatria que o Espiritismo pode agir como fator
desencadeante de distúrbios mentais em indivíduos predispostos,

Aprovo uma campanha de esclarecimento da população, contra a prática
mediúnica”.

Dr. Franco da Rocha:

No livro “Esboço de Psychiatria Forense”, p. 32, escreve:

“A
propósito das reuniões espíritas, num trabalho recente escreveram Sollier e
Boissier.: Em beneficio da profilaxia seria de conveniência divulgar os
acidentes causados pela freqüência às sessões espíritas. Charcot. Forel,
Vigoroux, Henneberg e outros publicaram exemplos de pessoas, sobretudo moças,
anteriormente sãs, que se tornaram histéreo-epilépticas, em conseqüência de
terem tomado parte nas cenas de evocação dos espíritos. E o resultado de
automatismo, um exercício metódico para o desdobramento e desagregação da
personalidade. Aqui fazem explodir ou agravam a neurose, acolá despertam e sistematizam
a tendência à vesânia. que urna vida regular e bem dirigida teria abafado. Tais
são os perigos que devem ser conhecidos, mesmo dos que, sem outra convicção,
nada mais vêem nesta operação que simples divertimentos de reuniões”.

Dr. Juliano Moreira:

Respondeu nos termos abaixo a um inquérito realizado pelo Dr. João Teixeira
Álvares, que publicou as respostas respectivas no livro “O
Espiritismo” (Uberaba 1914), pp. 122-125:

“Tenho
visto muitos casos de perturbações nervosas e mentais evidentemente despertadas
por sessões espíritas. No Hospital Nacional, não raro, vêm ter tais casos.



Até hoje
não tive a fortuna de ver um médium, principalmente os chamados videntes, que
não fosse neuropata”.

Dr. Joaquim Dutra:

Respondeu ao mesmo inquérito:

“As práticas
espíritas estão incluídas, e com certa proeminência, entre as causas e efeitos
das moléstias mentais, influindo diretamente, pelas perturbações emotivas, com
um coeficiente avolumado, para a população dos manicômios.

Exageradas,
até se tornarem preocupação dominante, elas preparam a loucura, quando não são
mesmo uma denúncia da existência de loucura.

Por
impressionáveis, tais práticas concorrem para a alucinação, determinando
emoções que acarretam perturbações vasomotoras ou que provocam concentração
psíquica, estados de abstração, perturbações graves nas funções vegetativas,
alterações nas secreções internas, redundando tudo em auto-intoxicação…

Dr. Antonio Austregésilo:

Em resposta ao Dr. João Teixeira Álvares:

“O
Espiritismo é no Rio de Janeiro uma das causas predisponentes mais comuns de
loucura.



Os médiuns
devem ser considerados indivíduos neuropatas próximos da histeria.



O
Espiritismo é uma neurose provocada pela fácil auto-sugestibilidade, em que há
predominância das alucinações psico-sensoriais, sendo não raro histeria ou um
estado histeróide”.

Tais depoimentos dispensem qualquer comentário. A experiência cotidiana os
comprova amplamente.

4.
Reencarnação

A reencarnação vem a ser tese arbitrária, para a qual não há fundamento objetivo.
Aliás, é tão subjetiva que os espíritas mesmos não concordam entre si a
respeito.

Assim, por exemplo, enquanto os espíritas latinos admitem firmemente a
reencarnação, os anglo-saxões a rejeitam. E por quê? – Porque os anglo-saxões,
movidos por preconceitos racistas, não podem imaginar que voltarão à Terra num
corpo de raça negra ou indígena.

Mesmo entre os reencarnacionistas há divergências: alguns dizem que a
reencarnação é lei geral, ao passo que outros a admitem apenas para os
espíritos mais atrasados ou para os perfeitos, que têm de cumprir alguma missão
na Terra. Uns sustentam que o ser humano se reencarna sempre no mesmo sexo,
enquanto outros professam variação alternativa de sexo. Uns ensinam que a
reencarnação se faz apenas na Terra, enquanto outros admitem que ocorra também
em outros planetas. Uns pensam que a reencarnação se dá pouco depois da morte,
outros afirmam um intervalo de mil e quinhentos anos precisamente. Uns julgam
que a reencarnação é não só progressiva, mas também regressiva, de modo que o
indivíduo pode voltar à Terra num corpo animal ou vegetal; outros, ao
contrário, dizem que a reencarnação não pode ser regressiva, mas, na pior das
hipóteses, é estacionária por algum tempo… É que, na verdade, ninguém sabe o
que foi em “encarnação anterior”.

Esta variedade de sentenças manifesta bem que a doutrina da reencarnação carece
de base objetiva; é, antes, um postulado fantasioso dos que a professam. Com
efeito; vejamos os argumentos aduzidos pelos reencarnacionistas:

1) Os testemunhos de vida pregressa obtidos em estado de transe hipnótico. – Um estudo apurado dos mesmos revela que nada mais são do que a
combinação de impressões colhidas durante esta vida mesma e guardados no
inconsciente do sujeito. Este, sugestionado pelo hipnotizador de que viveu uma
encarnação anterior, projeta essas impressões em combinação livre, tecendo o
enredo de uma “vida pregressa”!

2) A desigualdade das sortes humanas só se
explicaria como conseqüência de atos bons ou maus praticados numa encarnação anterior.
– Respondemos que Deus é livre para criar os homens como Ele os quer; a cada
qual dá a graça para que se santifique e chegue à vida eterna; às vezes uma
pessoa tida como pobre ou doente no plano material e passageiro pode ser
extraordinariamente rica e sadia no plano dos valores definitivos. Ademais,
segundo os princípios reencarnacionistas, quem atualmente é doente e pobre é um
pecador que está expiando pecados da vida passada, ao passo que os ricos e
sadios são pessoas virtuosas que estão recebendo o prêmio dos atos bons
praticados em encarnação anterior. Ora tais conclusões são absurdas.

3) Os demais fenômenos tidos como provas da reencarnação (o “já visto”, os gênios,
a memória extraordinária…)
são facilmente explicados pela parapsicologia como expressões do
psiquismo humano.

4) O conceito de inferno… – Muitas vezes a má compreensão do que seja o inferno, leva a
rejeitá-lo em favor do reencarnacionismo. Na verdade, o inferno não é tanque de
enxofre fumegante atiçado por diabos munidos de tridentes, mas é um estado de
alma, no qual o indivíduo se projeta por dizer Não a Deus: após a morte a
pessoa que morre consciente e voluntariamente avessa a Deus, é respeitada em
sua opção, mas não pode deixar de reconhecer que Deus é o Sumo Bem… e o Sumo
Bem que continua a amá-la irreversivelmente. É o fato de que Deus ama uma vez
por todas, mas foi conscientemente preterido em favor de bagatelas, que causa o
tormento do réprobo. Se Deus desviasse do réprobo o seu amor, ele não sofreria
o inferno; mas Deus não pode deixar de amar, porque Ele não se pode
contradizer. É precisamente nisto que está o princípio do inferno. Vê-se assim
que o inferno, longe de contradizer ao amor de Deus, decorre, de certo modo, da
grandeza divina desse amor.

5) O reencarnacionismo atribui ao homem o poder de salvar a si mesmo mediante sucessivas existências na carne, durante ao quais o
indivíduo mesmo se aperfeiçoa por seus esforços. Ao contrário, o bom senso e a
fé mostram que o homem é, por si só, incapaz de se libertar do pecado e
necessita da graça de Deus para se salvar. Somente numa perspectiva panteísta
(ver n° 5, a seguir) é que se pode admitir a auto-salvação do homem (pois no
caso ele é parcela da Divindade); contudo numa perspectiva monoteísta, segundo
a qual Deus é distinto do mundo e do homem, é lógico que o homem, limitado e
falho como é, necessita de Deus para se auto-realizar plenamente.

  1. Panteísmo

O Espiritismo, seja o kardecista, seja o afro-brasileiro, parece dar menos
importância a Deus do que aos espíritos desencarnados. O culto espírita versa
geralmente sobre a comunicação com os mortos.

Quando tratam de Deus, vários autores espíritas professam o panteísmo, ou seja,
a identificação de Deus com o mundo e o homem. Ora tal conceito é ilógico e
aberrante, pois Deus, por definição, é o Absoluto e Eterno, ao passo que toda
criatura é relativa, contingente e temporária.

Eis alguns testemunhos significativos:

Leão Denis: “Deus é a grande alma universal, de que toda alma humana é
uma centelha, uma irradiação. Cada um de nós possui em estado latente forças
emanadas do divino Foco” (“Cristianismo e Espiritismo”, 5a.
edição, p. 24).

Leão Denis: “O Ser Supremo não existe fora do mundo, porque é sua parte
integrante e essencial” (“Depois da morte”, 6a. edição, p. 6).

O escritor espírita Rangel Veloso diz ter ouvido a seguinte declaração num
Centro Espírita:

“Deus
é como uma folha de papel, rasgadinha em milhões, bilhões e não sei quantas
mais divisões. Lançados esses pedacinhos de papel no Universo, cada pedacinho
de papel representa um homem e um ser existente; todos reunidos, formando o
todo, é Deus” (“Pseudo-sábios ou Falsos Profetas”, 1947, p. 34).

O 1° Congresso de Espiritismo de Umbanda adotou unanimemente a conclusão n° 5:

“A
filosofia (de Umbanda) consiste no reconhecimento do ser humano como partícula
da Divindade; dela emana límpida e pura, e nela firmemente se reintegra ao fim
do necessário ciclo evolutivo no mesmo estado de limpidez e pureza, conquistado
pelo seu próprio esforço e vontade.”

(Textos
colhidos no opúsculo de Frei Boaventura Kloppenburg: “Por que a Igreja
condenou o Espiritismo”, 2a. edição, Petrópolis 1954, p. 29).

6.
“Fora da Caridade não há Salvação”

O Espiritismo apregoa em alta voz a prática da caridade, sem a qual não há salvação.
– Tem razão em afirmar a importância da caridade. Todavia os espíritas chegam a
relativizar a verdade, como se esta fosse algo de secundário, que não se teria
de levar em consideração. – Ora observamos que o ser humano foi feito para
apreender a verdade com a sua inteligência e praticar o bem e o amor em seu
comportamento. Por isto não se pode dizer que basta a caridade para a salvação
eterna. Em nome da caridade mal entendida (ou mal iluminada pela razão e a fé),
podem-se cometer autênticas aberrações; a caridade desorientada pode tornar-se
mero rótulo que dê aparência legitima ao egoísmo e à exploração do próximo. –
De resto, a prática da caridade não é apanágio do Espiritismo, pois a Igreja
Católica durante toda a sua história (portanto já muito antes de Allan Kardec)
sempre se empenhou pela sorte dos carentes tanto de corpo como de alma; muitos
e muitos Santos foram e são verdadeiros heróis do serviço ao próximo.

  1. A Bíblia
    rejeita

Para quem é cristão, o texto bíblico tem valor de guia fundamental. Ora a
Bíblia condena eloqüentemente a evocação dos mortos:

Lv 19,31“Não vos voltareis para os necromantes nem
consultareis os adivinhos, pois eles vos contaminariam”.

Lv 20,6: “Aquele que recorrer
aos necromantes e aos adivinhos para se prostituir com eles, voltar-me-ei
contra esse homem e o exterminarei do meio do seu povo”.

Lv 20,27“O homem ou a mulher que, entre vós, for
necromante ou adivinho, será morto, será apedrejado, e o seu sangue cairá sobre
ele ou ela”.

Dt 18,10-14“Que em teu meio não se encontre alguém que
queime seu filho ou sua filha, nem que faça presságio, oráculo, adivinhação ou
magia, ou que pratique encantamentos, que interrogue espíritos ou adivinhos, ou
ainda que invoque os mortos; pois quem pratica essas coisas é abominável a
Javé, e é por causa dessas abominações que Javé teu Deus desalojará nações em
teu favor… Eis que as nações que vais conquistar ouvem oráculos e adivinhos.
Quanto a ti, isso não te é permitido por Javé teu Deus”. Ver ainda 2Rs
17,17, Is 8, 19s.

A proibição se deve não à suposição de que os mortos sejam incomodados pelos
vivos, mas ao fato de que não há receita que garanta a comunicação entre vivos
e mortos. A necromancia é superstição. A oração que os cristãos dirigem aos
Santos, não se baseia em fórmulas ou receitas mágicas, mas unicamente na
convicção de que Deus quer conservar a comunhão entre os membros do Corpo
Místico de Cristo; por isto Ele faz que os justos no céu tomem conhecimento das
preces despretensiosas que lhes dirigimos na Terra e, em conseqüência,
intercedam por nós.

Quanto ao caso de Saul, que evocou Samuel mediante a pitonisa de Endor e foi
atendido (cf. l Sm 28,5-15), não é paradigma, pois diz a própria Bíblia que
Saul foi condenado por causa disso (cf. 1Cr 10,3). Deus permitiu que Saul
recebesse de Samuel, naquele momento, a advertência de que estava no fim sua
vida terrestre e no dia seguinte ia morrer; foi por causa da importância solene
daquela hora que Deus permitiu a resposta de Samuel; ela não foi provocada pela
arte da adivinha; esta apenas forneceu a ocasião ou as circunstâncias da
manifestação de Samuel.

=-=-=
Eis por que não sou, nem posso ser, espírita. Religião não é apenas emoção e
sentimento, mas é culto de Deus e serviço aos homens, sempre iluminado pelas
luzes da razão e da fé na Palavra de Deus. O que muito atrai as pessoas ao
Espiritismo, é a capacidade que este tem de suscitar afetos e emoções diversas,
muitas vezes desligadas de senso lógico e espírito critico. Ora quem permite
que os sentimentos preponderem sobre o raciocínio, arrisca-se a cometer graves
erros doutrinários e prejudicar sua saúde psíquica… principalmente quando se
trata de religião, que é um dos fatores mais aptos a impressionar o ser humano

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