A prática de promessas feitas a Deus ou aos santos tem fundamento na Sagrada Escritura (cf. Gn 28,20-22; 1Sm 1,11)

 Procissão do Círio de Nazaré em Belém do Pará. Os devotos pagam promessas segurando a corda do sírio, levando nas costas objetos representando as graças alcançadas e etc...

 
Contudo verifica-se que os autores bíblicos faziam advertências aos fiéis no sentido de não prometerem o que não pudessem cumprir (cf. Ecl 5,4).

No Novo Testamento, São Paulo quis submeter-se às obrigações do voto do nazireato (cf. At 18,18; 21,24). Portanto, a prática das promessas como tal não é má.


É certo, porém, que as promessas não obrigam a Deus Nosso Senhor a conceder, obrigatoriamente, o que se lhe pede, pois nem sempre aquilo que é solicitado fará bem à santificação da pessoa.

Nesse caso, a Bondade divina – que nunca deixa de atender nossos pedidos, sobretudo se feitos por intermédio de Nossa Senhora  –  atende-os da forma que for mais conveniente ao fim para o qual nascemos: conhecer, a amar e servir a Deus aqui na terra e assim salvar nossa alma.

Algumas pessoas não têm noção clara do porquê das promessas ou prometem sacrifícios que elas acabam não podendo cumprir.

Daí surgem duas obrigações para quem tem o encargo de orientar as almas:

 

1) Mostrar-lhes que as promessas não se destinam a dobrar a vontade de Deus, como se Senhor Jesus Cristo pudesse ver-se obrigado a atender pedidos dos quais provenham com efeitos maus para quem solicita. O próprio Nosso Senhor nos ensinou: “Se for possível, afaste de mim esse cálice”;

2) Procurar incutir confiança, força e perseverança, com a noção de que o católico é filho de Deus, Nossa Senhora é nossa Mãe,  e, por isto, devemos rezar com um amor filial.

A Sagrada Escritura nos mostra pessoas que, em situações difíceis, prometeram fazer algo, caso fossem ajudadas pelo Senhor.

Por exemplo, Jacó ao fugir para a Mesopotâmia, exclamou:
Se Deus for comigo, se me proteger na viagem que empreendi, e se me der pão para comer, e vestido para me cobrir, e eu voltar felizmente à casa de meu pai, o Senhor será o meu Deus, e esta pedra, que erigi em padrão, será chamada casa de Deus; e de todas as coisas que me deres te oferecerei o dízimo” (Gn 28, 20-22).
Ana, mãe de Samuel, era estéril e fez a seguinte promessa:
“Senhor dos exércitos, se vos dignardes olhar para a aflição da vossa serva e… lhe derdes um filho varão, eu o darei ao Senhor durante todos os dias de sua vida e não passará navalha sobre a sua cabeça” (1Reis 1,11).
A própria Escritura Sagrada chama a atenção com respeito à prudência necessária no tocante às promessas: “É muito melhor não fazer promessas do que, depois de as fazer, não as cumprir” (Eclesiastes 5,4).

Havia também quem quisesse cumprir as suas promessas oferecendo o que tinha de menos digno ou valioso.

É o que observa o Senhor por meio do profeta Malaquias:


“Trazeis animal roubado, coxo ou  doente e o ofereceis em sacrifício. Posso eu recebê-lo de vossas mãos, com agrado?…

Maldito seja o homem enganador, que tem no seu rebanho um animal são, e fez voto dele ao Senhor, e lhe sacrifica um doente” (Ml 1, 13s).
Com o tempo os mestres de Israel procuravam restringir a prática das promessas, pois podiam tornar-se um entrave para a verdadeira piedade.

Todavia não consta que Nosso Senhor tenha condenado o costume de fazer promessas como tal; ao contrário, no Novo Testamento consta a prática de S. Paulo, que terá sido a dos católicos da Igreja já naquela época:

“E (São) Paulo,  navegou para a Síria (e com ele Priscila e Áquila), depois de ter cortado o cabelo em Cencris, porque tinha feito um voto” (At 18,18).

“Disseram os judeus a Paulo: “Temos aqui quatro homens, que têm um voto sobre si. Toma-os contigo, e santifica-te com eles; e faze por eles os gastos (dos sacrifícios) a fim de que rapem as cabeças; e saberão todos que é falso o que ouviram de ti, e que caminhas ainda guardando a lei” (At 21, 23s).


Em síntese, a prática de promessas não é má, pois a S. Escritura não a rejeita, mas, ao contrário, torna-se objeto de determinações legais, como consta de alguns textos.

Por exemplo,  Números 30,4-6:


“Se um homem fizer um voto ao Senhor ou se obrigar com juramento, não faltará à sua palavra, mas cumprirá tudo o que prometeu.

Se uma mulher fizer um voto e se obrigar com juramento, estando em casa de seu pai e ainda em idade jovem, se o pai teve conhecimento do voto que ela fez e do juramento com que se obrigou, e não disse nada, ela está obrigada ao seu voto; cumprirá de fato tudo o que prometeu e jurou fazer”.
As promessas ou votos não são feitas para atrair favores de Deus como se atrairia de uma pessoa poderosa capaz de ser aliciada por médio de dádivas.

Todavia, ao determinar que nos daria as graças necessárias, Deus quis incluir no seu desígnio a colaboração do homem, levando em conta as orações que Lhe fazemos.


As promessas e os sacrifícios são o testemunho da nossa devoção.

Há pessoas que, depois de receber as graças pedidas a Deus, se vêem em dificuldades e até mesmo impossibilitadas de cumprir o que prometeu.

Nesse acaso deve procurar um sacerdote e pedir-lhe que troque a matéria da promessa.

Esta solução condiz com os textos sagrados que, de um lado, exortam a não deixar de cumprir o prometido (cf. Ecl 5,3), e, de outro lado, preveem a situação dos fiéis e a possibilidade de comutação das promessas por parte dos sacerdotes.

Entre as práticas que mais se podem recomendar, estão as três clássicas que o Evangelho mesmo propõe: a oração, a esmola e o jejum (cf. Mt 6,1-18).

Com efeito, a Santa Missa é o centro e o manancial, por excelência, da vida cristã, vida cristã que se nutre da oração;

A esmola manifesta a caridade para com os necessitados (cf. 1Pd 4,8; Tg 5,20; Pr 10,12);

O jejum e a mortificação purificam-nos das más paixões e nos fortalecem na prática da virtude.


Se a promessa levar-nos ao exercício destas boas obras, certamente será salutar.
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Por que tem sempre água benta nas portas das Igrejas?

Muitas vezes as pessoas se queixam de que se distraem muito na igreja, sobretudo durante as leituras na Missa. O demônio tem grande interesse em nos distrair justamente quando vamos estar em contato com as realidades sagradas. Por isso é tão útil a Água Benta na entrada das igrejas e capelas. Mesmo usando a Água Benta pode acontecer que nos distraiamos, porém teremos a segurança de que as distrações procedem de nós mesmos e não do demônio.

Se uma pessoa se bendize com Água Benta com devoção, isso produz três efeitos: atrai a graça divinapurifica a alma afasta ao demônio. Este gesto de persignar-se com esta água nos atrai as graças divinas pela oração da Igreja. A Igreja rezou sobre essa água com o poder da Cruz de Cristo. O poder sacerdotal deixou uma influência sobre essa água. Ao mesmo tempo purifica parte de nossos pecados, tanto os veniais, como o reato que tenha permanecido em nossas almas. O terceiro poder da Água Benta é afastar o demônio. O Maligno pode entrar perfeitamente em uma igreja, seus muros e paredes não o impedem, o solo sagrado não o freia. Sem embargo, a Água Benta o afasta.

Ainda que nós com os olhos do corpo não alcancemos ver a cruz que forma a Água Benta em nosso corpo ao nos persignar com ela, o demônio a vê perfeitamente. Para ele essa cruz é de fogo, é uma couraça que não consegue ultrapassar. Insisto em que persignar-se com a Água Benta ao entrar em uma igreja não é um mero símbolo. É um símbolo, porém esta água tem um poder, um poder que Cristo ganhou com os sofrimentos na Cruz e que o Sacerdote administra com toda facilidade.

Fonte: Padre José Antonio Fortea, Suma daemoniaca. Tratado de demonología y manual de exorcistas.

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O Hábito Franciscano, uma curiosa história da veste medieval

 

A primeira coisa que chama a atenção de quem se aproxima dos franciscanos é o hábito. Porque suscita curiosidade e perplexidade, dado que a forma e a cor variam segundo as diversas famílias franciscanas, seja masculina ou feminina. Por isso, uma das perguntas mais frequentes dos peregrinos e turistas que vão à Basílica de São Francisco, onde é fácil confrontar-se, é esta: porquê negro ou cinza? Mas o hábito franciscano não é castanho?

 

Neste artigo daremos uma resposta ao argumento do ponto de vista da forma e da cor, sem mencionar o significado teológico-espiritual do hábito franciscano, que merece ser estudado à parte.

 

Hoje nenhuma das ordens ou congregações franciscanas, nem pela forma, nem pela cor, veste o hábito de São Francisco, que era em forma de cruz e de cor acinzentada ou de terra, resultado da mistura, em partes iguais, de fios de lã branca e negra ou castanha escuro. Existe quem afirme que o Santo de Assis e os seus companheiros não se vestiam de forma diferente dos pobres e camponeses do seu tempo, mas nos seus escritos e biografias diz-se alguma coisa diferente.

 

O certo é que o modo de vestir dos frades menores (túnica longa, capuz, corda e calças) era muito mais pobre do que o dos outros religiosos de então, e isto permitia-lhes estar mais próximos dos indigentes e mendicantes, mas não se pode negar que foi um verdadeiro distintivo religioso, que os distinguia dos seculares.

 

As duas regras de São Francisco e as biografias referem-se em particular mais à humildade do hábito dos frades menores que da cor ou da forma da túnica e do capuz. Não negligenciando o aspecto externo, a coisa mais importante nos inícios foi a modéstia e a pobreza no vestir. Mas, quando a Regra bulada impõe aos frades de não julgar, nem desprezar “aqueles que vestem roupas suaves e coloridas”, diz-se, na prática, que a cor do seu hábito deveria ser natural.

As biografias e as relíquias do Santo permitem-nos assegurar que as túnicas tinham a forma de cruz ou de “tau”, de modo a recordar que, o irmão menor deve exprimir em si mesmo os sofrimentos do mundo. O capuz que encontramos nas primeiras representações dos frades e de São Francisco é, de costume, pontudo e alongado, similar aos dos Capuchinhos. Aquele conservado nas relíquias da Basílica tem exatamente o aspecto de uma manga (de roupa), de modo que muitos não concordam que se trate de um capuz, que foi posto no lugar da manga esquerda que está faltando.

 

Existem outros capuzes daquele período, mais curtos e com a extremidade arredondada, pelo qual não se pode falar de um único modelo de capuz para toda a ordem. Uma outra característica é que o capuz primitivo era costurado ao colo, mas bem cedo foi substituído por um capuz separado da túnica, que passava pela cabeça e se apoiava amplamente sobre o ombro e ao redor do pescoço, em modo de prega. Esta prega foi-se alargando ao longo dos séculos, até obter a forma do capuz atual dos Menores, Conventuais e Terceiros Regulares. Então, desta forma, fala-se da cor.

 

No Espelho de Perfeição fala-se que, entre todos os outros pássaros, Francisco amava com predileção as cotovias, chamadas “de capuz” porque “têm o capuz como os religiosos e é um humilde pássaro… a vestimenta da cotovia, a sua pena, isto é, tem a cor da terra: assim oferece aos religiosos o exemplo de não ter vestes elegantes e de belas tinturas, mas de modesto valor e cor semelhante à terra, que é o mais humilde dos elementos” ( FF. 113).A terra todavia, como todos sabem, tem uma infinidade diversa de tonalidades. Tomás de Celano, no Tratado dos Milagres, fala de um “pano cinzento” como aquele dos cistercienses de Oltremare, que Francisco moribundo pede a Jacoba de Settesoli para o seu funeral.

 

A referencia mais direta à cor do hábito minorítico é aquele da Crônica de Roger de Wendover (falecido em 1236) e de Mateus de Paris, onde se diz que “os frades chamados Menores… caminham descalços, com corda na cintura, túnicas cinza longas até aos tornozelos e remendadas, com um capuz vil e áspero.

 

Num documento de 1223, o rei da Inglaterra ordenava ao vice conde de Londres a aquisição de certa quantidade de panos, metade de “blaunchet” ou branco para os Pregadores ou Dominicanos, e outra metade “russet” para os frades menores de Reading. O “russet” era o “rusetus pannus” o pano avermelhado, resultado da mistura natural de lã branca e castanha. As Constituições de Narbona de 1260 estabeleciam que ” as túnicas externas não sejam nem de tudo negras, nem de tudo brancas”, deixando então uma ampla margem às tonalidades de cinza.

 

Nos frescos de Giotto da Basílica Superior de Assis é comum encontrar, numa mesma imagem, hábitos cinza e avermelhados, sempre, porém em tonalidades claras. As Constituições Farinerie de 1354 prescrevem, no entanto, que os superiores não permitam o uso dos panos com “tinturas de diversas cores, nem muito próximo ao branco, nem ao negro”.

 

A variedade de cores dos hábitos primitivos deu-se principalmente pela variedade das cores naturais da lã negra, que por vezes tendia ao castanho, e também pelo facto de que o pano para as túnicas não era ainda confeccionado expressamente para os frades. Estes, no mais eram adquiridos no mercado pelos benfeitores dos frades. Eram estes selecionados pela cor e pela qualidade, também se o pano presenteado superava o controle dos superiores, segundo os Decretos de João XXII (1317) e de Bento XII (1336).

 

Uma maior rigidez quanto à cor, observa-se a partir da divisão da Ordem entre Observantes e Conventuais, acontecida em 1517, sobretudo pelo valor simbólico do cinza, que recorda as cinzas da penitencia e o pó do qual fomos criados. O cinza foi à cor oficial de todas as famílias franciscanas até à metade do século XVIII. Tanto é verdade que, devido à dificuldade para ter um pano tal em quantidade suficiente, sucedeu que as Constituições dos Observantes e Capuchinhos dispuseram que cada província fabricasse os próprios panos para obter a máxima uniformidade.

 

Assim, por exemplo, o Capítulo Geral de 1694 da Regular Observância ordenava que fabricassem “panos de tudo similar na cor e na qualidade, no entrançado e na espessura, tecidos com lã branca e negra mesclada numa proporção tal que, em juízo dos peritos, resulte um pano cinza como vemos nos hábitos e mantos de N. P. S. Francisco, S. Bernardino de Sena e S. João de Capistrano, os quais, por conservando-se em diversas províncias e países, são de uma mesma cor cinza, mais ou menos claro”.

 

Nos Menores Conventuais observa-se já na segunda metade de 1700, certa tendência pelo negro, não obstante as Constituições Urbanas de 1803 que obrigava ainda o uso do hábito cinza. A prescrição veio a desaparecer na edição de 1823, em parte porque a supressão napoleônica extinguiu as corporações religiosas, os seus membros viram-se obrigados a usar o hábito talar negro do clero secular. Restaurada a Ordem, os frades preferiram continuar com o hábito negro. Hoje, porém, o cinza tradicional esta retornando, de modo que já o vestem quase todos os frades conventuais da Ásia, África, Austrália e América, e algumas províncias da Europa.

 

Os Frades da Observância mudaram do cinza para o castanho pouco mais de um século atrás. Iniciaram na França e foi imposto para toda a Ordem no capítulo de Assis em 1895, quando o papa Leão XIII reunificou numa só as diversas famílias da Observância: Observantes, Alcantarinos, Recoletos e Reformados (“a cor sintética das vestes externas assemelha-se à cor da lã natural escura com tendência ao vermelho, cor que em italiano se chama marrone e em francês marron”).

 

Os Menores Capuchinhos seguiram da mesma forma a evolução dos Observantes, também para evitar qualquer diferença local. Em 1912 estabeleceu-se que a cor do hábito devia ser castanho, como aquele dos observantes, ainda que um pouco mais amarelado (“a cor deve ser castaneum, em italiano castagno, em francês marron, em inglês chestnut, em alemão kastanienbraun, e espanhol castaño”). O hábito que mais se assemelha ao de São Francisco e dos primeiros frades menores, é o dos Capuchinhos, sobretudo pelo capuz alongado e costurado na gola da túnica.

 

O hábito dos Observantes ou Menores caracteriza-se por ser mais ajustado e pelo capuz ser destacado da túnica que cai sobre o ombro em forma de manta, cortada dos lados, mais longa e pontuda atrás, até a cintura. O hábito dos Conventuais é similar ao dos Observantes, difere somente no capuz que é mais redondo e o manto mais longo, sem igualar as curvas. O hábito dos Terceiros Regulares ou frades da TOR, pouco tempo faz era semelhante ao dos Conventuais pela forma e pela cor, mas recentemente retornaram ao cinza tradicional, com manto longo e pontudo nas costas.

 

Nos últimos tempos estão surgindo outras congregações franciscanas com hábitos diversos, mais ou menos semelhantes àqueles já citados, com túnica e capuz cinza ou castanho.

 

Existem algumas também com tendência ao azul celeste, como o dos Frades da Imaculada e outros de cor acastanhada clara ou creme, e mesmo verde.Além dessas diferenças de forma e cor, o que distingue os franciscanos e franciscanas dos membros de outras Ordens ou Congregações religiosas da Igreja, é o uso exclusivo do cordão de lã branca, que Francisco escolhe para substituir o cinto de couro em cumprimento do mandamento evangélico de Cristo aos seus apóstolos: “não levem nada pelo caminho…nem cinto…” (cf. Mt 10). Ao início não existia um número estabelecido de nós que tivesse a função prática de encurtar a corda, de modo que, não tocasse a terra. Com o passar do tempo, impôs-se a tradição dos três nós, como se para recordar os três votos da profissão religiosa: obediência, castidade e pobreza.

 

Enfim, quanto ao calçado, o Pobrezinho caminhou sempre descalço, conforme o mandamento de Jesus: “não usem sandálias…” Somente nos dois últimos anos da sua vida, para esconder as faixas ensanguentadas dos estigmas dos pés, teve de usar calçado de pele ou de pano, como se veem ainda nas relíquias da Basílica em Assis.

 

A Regra não impõe nem de andar descalço, nem de utilizar sandálias. Descreve, no entanto, que os frades possam utilizar calçado em caso de necessidade.

 

As sandálias, de qualquer modo, bem depressa se impuseram na ordem, como se pode ver nos frescos de Giotto, onde as trazem todos os frades e também São Francisco. Mais tarde, por volta de 1400, os frades das reformas que moravam nos eremitérios usavam uma espécie de sandálias com as solas altas de madeira chamadas “zoccoli”, e eis porque, na Itália, os Observantes foram popularmente conhecidos com o nome de “zoccolanti”.

 

Mais recentemente, as diversas Constituições deixaram de impor as sandálias aos Menores e aos Capuchinhos, e os sapatos aos Conventuais, mas tais disposições só foram tiradas depois do Concílio, sendo que não é estranho encontrar Conventuais com sandálias e barba, Menores com sapatos, e Capuchinhos sem barba.

 

Enfim, passada a rigidez dos últimos séculos, fazemos votos, então, de não perdermos o espírito dos inícios, quando, daquela época, pela forma e pela cor, se insistia no aspecto da pobreza e da aspereza dos tecidos e nas cores naturais do cinza e da terra, sinal de humildade e penitência.

 

Mesmo que a este propósito, São Francisco tenha escrito na Regra que os ministros poderiam proceder “diversamente segundo Deus” (RB 2).

 

Por Frei Tomás Gálvez, OFMConv. (in memoriam)Revista San Francesco – giugno 2004, p. 40-43.Trad. Frei Marcelo Veronez, OFMConv.

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União Hipostática: Cristo é 100% Deus e 100% homem

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(I) Cristo é plenamente Deus.

Há abundante relato bíblico afirmando a divindade de Cristo. Jesus é apresentado na Escritura como sendo preexistente (Jo 1.3; 1Co 15.47), qualidade logicamente restrita à Deidade. O Senhor também manifestou, mesmo em sua primeira vinda, todos os atributos chamados incomunicáveis, logicamente pertencentes somente a Deus (Jo 17.5; Hb 13.8; Mt 18.20; Jo 2.23; Jo 5.17; etc.)

Há aqui um ponto relevante a ser sublinhado: alguns pensam que o fato de Cristo, em sua encarnação, ter se esvaziado e assumido a forma de servo (Fp 2.7) significa que Cristo abdicou de alguns de seus atributos divinos ou, mais grave ainda, abdicou de sua divindade, o que de maneira alguma poderia ser verdadeiro. Em primeiro lugar, a Bíblia relata várias ocasiões em que Jesus deu mostras de seus atributos incomunicáveis. Em segundo, a suposta renúncia de divindade, pela qual alguns incautos explicam a encarnação, seria ontologicamente impossível de ser realizada (como um ente pode deixar de ser o ente que é?), traria implicações gravíssimas à afirmação da imutabilidade de Deus (se Deus pode deixar de ser Deus, então ele pode mudar; e se pode mudar, então não pode ser Deus), e tornaria impossível a redenção do ser humano (só Deus pode redimir o ser humano; se Cristo deixou de ser Deus em sua encarnação, então ele não nos redimiu).

Do fato de Cristo ter, ele mesmo, perdoado pecados (Mt 9.2), aceitado adoração (Jo 13.13), exercido poder sobre demônios e realizado milagres e sinais (Jo 5.21), além de ter declarado explicitamente sua divindade (Jo 10.30), depreende-se também a realidade de sua natureza divina.

Por fim, conforme antecipamos, Cristo é visto como Deus pelo Cânon em virtude do fato de que somente Deus poderia redimir o homem. O ser humano não pode religar a si mesmo a Deus, pois teria que ser livre de pecado (obviamente, o homem não é), teria que cumprir a lei, toda ela, com perfeição (obviamente, nenhum homem pode ou poderia fazer isto), e teria que manifestar força sobre a vida, entregando-a em favor de muitos e tomando-a de volta na ressurreição (mais uma vez, é óbvio que o homem não tem tal capacidade). Assim, vemos claramente que Cristo sempre foi, é, e sempre será o Deus eterno, em quem não há variação ou sombra de mudança (Tg 1.17).

(II) Cristo é plenamente humano.

Tal como a Escritura declara nitidamente a divindade de Cristo, aponta também sua plena humanidade. Esta humanidade pode ser vista no fato de que Cristo chamava a si mesmo por nomes que designam humanidade (Lc 19.10), e foi assim chamado por seus apóstolos (1Tm 2.5).

Como homem, Cristo esteve sujeito às limitações condizentes ao ser humano: sentiu fome, sede, se cansou, chorou etc. (Mt 4.2; Jo 19.28; 4.6; 11.35)

Cristo também possuía e possui uma natureza humana completa, isto é, ele não tinha (ou tem) apenas um corpo humano (Lc 2.52), mas também alma e espírito humanos (Mt 26.38; Lc 23.46). Em suma, Cristo, desde sua encarnação, é um ser humano completo. Em Cristo, Deus se fez homem e, novamente, se assim não fosse, não poderia redimir a humanidade. Quem recebeu a promessa de morte não foi o corpo de um ser humano, mas um homem completo, com sua constituição material e imaterial. Logo, somente alguém que possuísse uma natureza humana completa poderia sofrer a penalidade estipulada.

Como vemos, a afirmação correta da plena divindade de Cristo, bem como de sua plena humanidade, tem implicações soteriológicas fundamentais. Cristo é 100% Deus e 100% homem.

Entendemos, assim, alguns dos problemas levantados pela doutrina da união hipostática, as definições iniciais envolvidas nesta doutrina e os fundamentos escriturísticos que sustentam e asseveram a coexistência de duas naturezas na pessoa do Logos. Em posse desse instrumental teórico, portanto, somos agora capazes de esboçar os principais tópicos que estruturam e desenvolvem esta doutrina central do cristianismo.

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Qual é a Missão da Igreja ?

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A Igreja deve anunciar e instaurar, entre todos os povos, o Reino de Deus inaugurado por Cristo. Na terra, é o germe e início deste Reino. Depois de sua Ressurreição, o Senhor enviou os Apóstolos a pregar o Evangelho, a batizar e a ensinar a cumprir o que Ele havia mandado (Cfr. Mt 28, 18ss). O Senhor entregou à sua Igreja a mesma missão que o Pai lhe havia confiado (cfr. Jo 20, 21). Desde o início da Igreja esta missão foi realizada por todos os cristãos (cfr At 8, 4; 11,19), que muitas vezes chegaram ao sacrifício da própria vida, para cumpri-la.

O mandato missionário do Senhor tem sua fonte no amor eterno de Deus, que enviou seu Filho e seu Espírito porque “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 4).

Nesse envio missionário estão contidas as três funções da Igreja na terra: o munus profeticum (anunciar a boa notícia da salvação em Cristo), o munus sacerdotale (tornar efetivamente presente e transmitir a vida de Cristo que salva pelos sacramentos) e o munus regale (ajudar os cristãos a cumprir a missão e a crescer em santidade). Ainda que todos os fiéis compartilhem a mesma missão, nem todos desempenham o mesmo papel. Alguns deles foram escolhidos pelo Senhor para exercer determinadas funções, como os Apóstolos e seus sucessores, que são conformados pelos sacramentos da ordem com Cristo, cabeça da Igreja, de uma forma específica, distinta dos demais.

Porque a Igreja recebeu de Deus uma missão salvífica na terra, a favor dos homens, e foi disposta por Deus para realizá-la, diz-se que a Igreja é o sacramento universal de Salvação, pois tem como fim a glória de Deus e a salvação dos homens (cfr. Catecismo, 775). É sacramento universal de salvação porque é sinal e instrumento da reconciliação e da comunhão da humanidade com Deus, e da unidade de todo o gênero humano. Diz-se também que a Igreja é um mistério porque em sua realidade visível faz-se presente e atua uma realidade espiritual e divina que só se percebe mediante a fé.

A afirmação “fora da Igreja não há salvação” significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é seu corpo. Ninguém pode salvar-se se, tendo reconhecido que foi fundada por Cristo para a salvação dos homens, a rechaça ou não persevera. Ao mesmo tempo, graças a Cristo e a sua Igreja, podem alcançar a salvação eterna todos aqueles que, sem culpa alguma, ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam sinceramente a Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam em cumprir sua vontade, conhecida mediante o ditame da consciência. Tudo quanto de bom e verdadeiro se encontra nas outras religiões vem de Deus, pode preparar para a acolhida do Evangelho e conduzir à unidade da humanidade na Igreja de Cristo (cfr. Compêndio, 170 e ss).

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Eucaristia por Dom Estêvão Bettencourt

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I – Introdução
A Eucaristia é “Fonte de toda a vida cristã” A palavra Eucaristia vem do grego Eucharistein que quer dizer “Dar Graças a Deus”, c.f. Lc 22,19: “E tomou um pão, deu graças, partiu e distribuiu-o a eles, dizendo: ‘Isto é o meu corpo…”. Este texto lembra as bênçãos judaicas que proclamam, sobretudo durante a refeição, as obras de Deus: a Criação, a Redenção e a Santificação.
É o sacrifício e Sacramento da nova lei, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, no qual sob as espécies de “pão e vinho”, está presente e vivo, e o fruto é recebido. Enquanto Sacrifício a Eucaristia é chamada “Missa”, enquanto Sacramento é chamada “Sagrada Comunhão” ou “Santíssimo Sacramento”. A Eucaristia, quer como Sacrifício quer como Sacramento, é o centro de toda a vida e de todo o culto cristão, porque leva o homem a Deus e traz Deus ao homem.
II – Anúncios da Páscoa
A Ceia Pascal no Antigo Testamento
No Antigo Testamento, a Ceia Pascal era um memorial que pelos gestos e alimentos (Cordeiro Pascal, Pão sem fermento ou pães ázimos e Ervas amargas) lembrava a libertação milagrosa do povo de Israel da escravidão do Egito e sua partida para a Terra Prometida. Em Ex 12,5-6 lê-se: “O cordeiro será macho, sem defeito e de um ano. Vós o escolhereis entre os cordeiros ou entre os cabritos, e o guardareis até o décimo quarto dia desse mês; e toda a assembléia da comunidade de Israel o imolará ao crepúsculo”. (c.f. Lv 23, 4-14; Nm 28, 16-25). Comentário: “A Páscoa Judaica preparava assim a Páscoa Cristã: Cristo, Cordeiro de Deus, é imolado (cruz) e comido (ceia) no quadro da Páscoa Judaica (Semana Santa). Ele traz a salvação ao mundo, e a renovação mística deste ato de redenção torna-se o centro da Liturgia Cristã que se organiza tendo por centro a Missa, Sacrifício e Redenção” (c.f. nota ‘q’ – bíblia de Jerusalém, pág. 121).
III – A Eucaristia na Igreja hoje (enquanto Sacrifício)
O Sacrifício foi instituído por Cristo para que, segundo suas palavras, fosse perpetuado pelos séculos, até a sua volta (c.f. I Cor 11, 23-26). “Os sacerdotes reapresentam e aplicam no sacrifício da Missa, o Sacrifício de Cristo, que como hóstia imaculada se ofereceu ao Pai.” (c.f. Lumen Gentium).
É necessário portanto que estejamos puros de alma para que, como visto acima, sirvamos ao Deus Vivo e festejemos a festa da vida eterna. Para finalizar este tópico, atentemos a Eucaristia como celebração. É impressionante que todas as orações se dirijam não a Cristo mas, através dele, ao Pai. Se tivermos que destacar um ponto culminante na Celebração enquanto tal, sem dúvida esse ponto seria na Doxologia: “Por cristo, Com Cristo e em Cristo”. E a história humana poderá encerrar-se quando o cristo da páscoa houver reunido em si todos os homens. “Deus será tudo em todos”.(c.f. I Cor 15, 28).
IV – A Eucaristia na Igreja hoje (enquanto Sacramento)
O que a Igreja vive ao nível da sua compreensão do mistério, ela o atualiza em sua vida litúrgica e sacramental, particularmente na Celebração da Eucaristia. Esta celebração está no centro da vida da Igreja, e não é um momento isolado de sua existência, mas é tudo na vida da Igreja e da qual procede toda a força do anúncio evangélico. Vejamos em Jo 3, 16: “Pois deus amou tanto o mundo , que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna”.
Comentário: a Igreja em nome de toda a humanidade, rende graças ao Pai, por seu incrível amor. Deus respondeu ao egoísmo dos homens com a caridade do dom de seu Filho, e enviou-lhe cheio dos dons do espírito. A Igreja sabe disso e dá graças.
Graças ao Concílio Vaticano II. nós nos demos conta, com vigor renovado, desta verdade: assim como a igreja “faz a Eucaristia, a Eucaristia constrói a Igreja”. A Igreja foi fundada como comunidade nova do povo de Deus, na comunidade apostólica daqueles doze que durante a “Última Ceia”, se tornaram participantes do Corpo e do Sangue do Senhor “sob as espécies do pão e do vinho”. Vejamos em 1 Cor 11, 23-26: “Com efeito, eu mesmo recebi do Senhor o que vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: ‘Isto é o meu Corpo que é para vós; fazei isto em memória de mim’. Do mesmo modo, após a Ceia, também tomou o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a Nova Aliança em meu Sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim’. Todas as vezes, pois, que comeis deste pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha.”
Comentário: Os Doze, cumprindo sua ordem, entram pela primeira vez em comunhão Sacramental com o filho de Deus, que é penhor de vida eterna. E a partir daquele momento, até o fim dos séculos, a Igreja se constrói, mediante a mesma comunhão com o “Filho de Deus” que é penhor da Páscoa Eterna. (c.f. Mt 26, 26-29; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19-20).
Para finalizar esta quinta parte do nosso estudo, vejamos a principal mensagem que a Igreja passa para os seus fiéis em relação à seriedade deste Sacramento: “Eis porque todo aquele que comer do pão e beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber deste cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação”. (1 Cor 11, 29). Vejamos também em Jo 6, 53-56: “Então Jesus lhes respondeu: ‘Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna. e Eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim, e Eu nele.”
Comentário:
A intenção da Igreja não é fazer com que os cristãos tenham receio de comungar, mas que cada um compreenda melhor que a comunhão obriga a imitar aquele que morreu perdoando, e a interiorizar plenamente uma conversão Pascal e Batismal. Aquele que recebe o pão aceita tornar-se ele mesmo pão, entendendo assim que deve doar-se aos irmãos como Cristo se doou para nós.
V – Presença real de Jesus na Eucaristia
Vimos anteriormente, o quanto Cristo é claro no que se refere a importância de seu corpo e sangue. Para crermos na presença real de Jesus na Eucaristia, vejamos algumas questões importantes:
1 – Os Evangelhos foram escritos na língua Grega, de alta cultura, na qual existem muitas expressões para os verbos simbolizar, significar (=em grego “Semanei”), representar, lembrar, etc. no entanto, os três evangelistas (Mt 26, 26-28; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19-20) e São Paulo (1 Cor 11,23-26) no descreverem a última Ceia de Jesus, usam exclusivamente a forma grega “Esti”, que somente significa “É”. Desta maneira transmitiram-nos, unanimemente a interpretação autêntica das palavras de Jesus: ” Isto é o meu corpo…; este é o cálice do meu sangue…”.
2 – Na língua de Jesus, o aramaico, também escreveu-se, isto é o meu corpo e não, isto representa (simboliza, relembra) o meu corpo.
3 – Se não houvesse a presença real de Jesus na Eucaristia, São Paulo não escreveria em 1 Cor 11, 27-29: “Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação”.
4 – O evangelista São João em seu evangelho no capítulo 6, versículo 22 ao 71, nos fala do discurso de Jesus aos judeus e aos seus discípulos ( que eram centenas deles) na Sinagoga de Cafarnaum. Nesta Sinagoga Jesus diz com palavras claras e compreensíveis a todos: “Eu sou o Pão da vida”, “Eu desci do céu”, “Quem comer deste pão viverá eternamente”, “O Pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo; se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna”.
Os judeus e os seus discípulos entenderam, perfeitamente, que Jesus dissera comer a sua carne e beber o seu sangue, como diz o versículo 52: “os Judeus discutiam entre si dizendo: ’Como esse homem pode dar-nos a sua carne a comer ? ‘. Ora se Jesus tivesse falado algo que tivesse sido interpretado erroneamente, ele esclareceria o verdadeiro sentido das suas palavras, pois ele é o caminho, a verdade e a vida.
Mas não esclareceu. Diz o versículo 60: “Muitos de seus discípulos, ouvindo-o disseram: ‘Essa palavra é dura! quem pode escutá-la ? ‘ ; e Jesus fala no versículo 61: “… Isto vos escandaliza?”. Porém como nos narra no versículo 66: “A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele”. Parece até que os versículos 64 e 65 foram escritos para aqueles que negam a presença real de Jesus na Eucaristia, quando Jesus disse: “Alguns de vós , porém não crêem” .
Jesus sabia , com efeito , desde o princípio , quais os que não criam e dizia : “Por isso vos afirmei que ninguém pode vir a Mim , se isso não lhe for concedido pelo Pai”.
Importante: A clareza e a insistência destas palavras, exigem que sejam entendidas em seu pleno realismo. No versículo 52 é usado o verbo grego “Phagein” (comer), já no versículo 54 [“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”], o verbo usado é “Trogo” (dilacerar, mastigar).
Assim compreendemos que Jesus não desfaz nenhum mal entendido, porque simplesmente não há mal entendido! A respeito desta questão, o humorista , crítico irônico, Erasmo de Rotterdam, que escrevia sobre as reformas Eucarísticas de Lutero e Zwínglio (fundadores do Protestantismo) disse em torno de 1529 o seguinte texto: “Jamais me pude persuadir de que Jesus, a verdade e a bondade mesmas, tenha permitido que por tantos séculos a sua Esposa, a Igreja, tenha prestado adoração a um pedaço de pão em lugar de adorar a Jesus mesmo.”. Há alguns casos de milagres Eucarísticos que parecem ter por finalidade pôr em evidência o realismo e a eficácia da presença de Cristo sob os sinais do pão e do vinho, é o que chamamos de milagre da Transubstanciação – muda-se a matéria sem mudar os acidentes. Podemos citar 130 milagres, dentre os quais os dois mais famosos são os de Lanciano e Turim.
VI – Os Milagres Eucarísticos
Uma antiga tradição, que vai desde a origem do Cristianismo até os nossos dias, atesta a existência de milagres Eucarísticos. De modo geral, revelam a presença de Cristo no Sacramento e manifestam a natureza e os efeitos da mesma. Há tempos, foi traçado um “Mapa Eucarístico”, que registra o local e a data de mais de 130 milagres, metade dos quais ocorridos na Itália.
Escolhemos dentre estes dois milagres verificados entre 700 e 1700. Selecionamo-los dentre os mais bem documentados e os mais eloqüentes, visto que não há para todos, como se compreende, um abono de provas históricas e científicas igualmente rigoroso e persuasivo.
1– em Turim – em 1453, houve a queda do Império Romano do Oriente. Renato (Duque de Anjou e de Lorena – Itália) foi vencido em batalha muito sangrenta após a qual os Piemonteses saquearam todas as residências da cidade; ao chegarem a Igreja, forçaram o Tabernáculo. Tiraram o ostensório de prata, no qual se guardava o corpo de cristo ocultando-no dentro de uma carruagem juntamente com os outros objetos roubados, e dirigiram-se para Turim. Crônicas antigas relatam que, na altura da Igreja de São Silvestre, o cavalo parou bruscamente a carruagem – o que ocasionou a queda, por terra, do ostensório – dizem que então o ostensório se levantou nos ares “com grande esplendor e com raios que pareciam os do sol”.
Os espectadores chamaram o Bispo da cidade, Ludovico Romagnano, que foi prontamente ao local do prodígio. Quando chegou, “O ostensório caiu por terra, ficando o corpo de Cristo nos ares a emitir raios refulgentes”. O Bispo, diante dos fatos, pediu que lhe levassem um cálice. Dentro do cálice, desceu a hóstia, que foi levada para a catedral com grande solenidade. Era o dia 9 de junho de 1453. Existem testemunhos contemporâneos do acontecimento (Atti Capitolari de 1454 a 1456). No século seguinte, a Câmara Municipal mandou construir uma Capela ou Oratório sobre o lugar do milagre. O oratório foi destruído para ceder à construção da Igreja de “Corpus Domini” (1609), que até hoje atesta o prodígio.
2 – Em Lanciano – Estamos em data não claramente definida do séc. VIII. Um monge da ordem de São Basílio estava celebrando na Igreja dos santos Degonciano e Domiciano. Terminada a Consagração, que ele realizara provavelmente em estado de dúvidas interiores, senão de incredulidade, a hóstia transformou-se em carne e o vinho em sangue depositado dentro do cálice. Ao ver isto, o monge, perturbado e atônito, procurou ocultar o fato; mas depois, reagindo à emoção, manifestou-o aos fiéis, que, feitos testemunhas do milagre, espalharam a notícia pela cidade. – O exame das relíquias, segundo critérios rigorosamente científicos, ocorrido pela última vez em 1970, levou aos seguintes resultados muito significativos:
A) A hóstia, que a tradição diz ter-se transformado em carne, é realmente constituída por fibras musculares estriadas, pertencentes ao miocárdio. Acrescente-se que a massa sutil de carne humana que foi retirada dos bordos, deixando amplo vazio no centro é totalmente homogênea. Com outras palavras: não apresenta lesões, como os apresentaria se se tratasse de um pedaço de carne cortada com uma lâmina.
B) Quanto ao sangue, trata-se de genuíno sangue humano. Mais: o grupo sangüíneo ‘A’ que pertencem os vestígios de sangue, o sangue contido na carne e o sangue do cálice revelam tratar-se sempre do mesmo sangue grupo ‘AB’ (sangue comum aos Judeus). Este é também o grupo que o professor Pierluigi Baima Bollone, da universidade de Turim, identificou na Sagrada Mortalha (Santo Sudário).
C) Apesar da sua antigüidade, a carne e o sangue se apresentam com uma estrutura de base intacta e sem sinais de alterações substanciais; este fenômeno se dá sem que tenham sido utilizadas substâncias ou outros fatores aptos a conservar a matéria humana, mas, ao contrário, apesar da ação dos mais variados agentes físicos, atmosféricos, ambientais e biológicos. A linguagem das relíquias de Lanciano é clara e fascinante: verdadeira carne e verdadeiro sangue humano, na sua inalterada composição que desafia os tempos; trata-se mesmo da carne do coração, daquele coração do qual, conforme a fé, jorrou o sangue que dá a vida.
VII – Conclusão
A Eucaristia é a maneira que Jesus escolheu para permanecer conosco e nos alimentar de sua própria vida. Deus quer que todos os homens tenham alimento para o sustento do corpo e busquem a Eucaristia para alimento espiritual. Alimento este para reforçar a vida daquele que participa deste banquete, a fim de poder realizar em nós, aqui na terra, as boas obras e um testemunho vivo da presença de nosso Senhor Jesus Cristo na Santa Eucaristia.
Dom Estêvão Bettencourt

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Ideologia de Gênero – De que lado vamos ficar?

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Ideologia é um termo que se origina dos filósofos franceses do século XVIII, e designa um conjunto de ideias, princípios e valores que refletem uma determinada visão de mundo, orientando uma forma de ação, sobretudo uma prática política. Hoje, o termo ideologia parece ser amplamente utilizado, sobretudo por influência do pensamento de Karl Marx, na filosofia e nas ciências humanas e sociais em geral, significando o processo de racionalização – um autêntico mecanismo de defesa – dos interesses de uma classe ou grupo dominante para se manter no poder.

A ideologia de gênero se difundiu a partir da década de 60-70, apoiada e financiada por fundações tais como Rockefeller, Ford e MacArthur, e foi introduzida de modo maciço no cenário internacional em 1995, na Conferência da ONU realizada em Pequim. Ela encontrou terreno fértil na antropologia individualista do neoliberalismo radical e funda-se sobre várias ideologias estruturalistas e marxistas, sobretudo a de Friedirch Engels, sobre a teoria psicanalítica de S. Freud, sobre os postulados de alguns representantes da “revolução sexual”, tais como W. Reich e H. Marcuse, que convidavam para a experimentação de toda situação sexual, e, por fim, sobre o existencialismo ateu de Simone de Beauvoir.

A ideologia de gênero sustenta, fundamentalmente, que a feminilidade e a masculinidade não seriam determinadas basicamente pelo sexo, mas pela cultura. As diferenças entre o ser homem e o ser mulher não corresponderiam, portanto – além das óbvias diferenças corporais –, a sua natureza biológica, mas seriam meras construções culturais, “plasmadas” sobre os papéis e estereótipos que em cada sociedade se atribui aos sexos. Sendo assim, cada um poderia “inventar-se” a si mesmo.

Judith Butler, defensora dessa ideologia, no seu texto “O problema do gênero: feminismo e subversão da identidade”, afirma: “O gênero é uma construção cultural; por conseguinte, não é nem o resultado casual do sexo nem é tão aparentemente fixo como o sexo (…). Teorizando que o gênero é uma construção radicalmente independente do sexo, o próprio gênero torna-se um artificio livre de vínculos; consequentemente, homem e masculino poderão ser referidos tanto a um corpo feminino como a um masculino; mulher e feminino, seja a um corpo masculino, seja a um feminino” (J. BUTLER. Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity, Routledge, New York 1990, p. 6). Em poucas palavras, a ideologia de gênero afirma que o ser humano nasce com um sexo biológico, mas isso não significa dizer que ele é homem ou mulher, pois o ser homem ou mulher é imposto culturalmente. Seria como dizer que o ser humano nasce como um ser “genérico” e depois o seu sexo é definido pela sociedade. Mudando o termo “sexo” para “gênero”, se criaria então uma chave de compreensão do ser humano e, consequentemente, no modo de orientar a sua educação.

Para difundir suas ideias, os autores dessa ideologia propõem uma verdadeira desconstrução da sociedade, iniciando pela família, que passa a não ter um formato pré-estabelecido pela natureza, pois a construção do gênero despreza as diferenças dos sexos e as bases, tanto biológicas quanto psicológicas, da complementariedade entre o homem e a mulher. Depois, eles também defendem a desconstrução da educação, como se lê no discurso que a presidente da Islândia, Vigdis Finn-bogadottir pronunciou numa conferência preparatória à Conferência de Pequim, organizada pelo Conselho Europeu em fevereiro de 1995. Ela diz: “A educação é uma estratégia importante (…). A perspectiva de gênero deve ser integrada nos programas” (COUNCIL OF EUROPEU. Equality and Democray: Utopia or Challenge? Palais d’Europe, Strasburg, 9-11 de fevereiro de 1995, p. 38).
Por fim, também querem a desconstrução da religião e da fé dos povos, pois a Igreja Católica e as diversas comunidades cristãs sempre foram contra essa ideologia e salvaguardaram o modelo de família fundado na união do homem e da mulher e a compreensão do homem baseado na sua natureza.

Mas as perguntas que devem ser feitas, então, são: Essa ideologia poderia ser aceita como algo razoável? Ela teria bases científicas que sustentassem sua validade e, portanto, a possibilidade de propô-la como chave de leitura do homem e de sua educação?

O cientista social norueguês Harald Eia, em um documentário chamado “Lavagem cerebral. O paradoxo da igualdade” (Cf. https://goo.gl/6wYtCw), se propôs confrontar as pesquisas de diversos cientistas conhecidos internacionalmente e as afirmações dos ideólogos do gênero, para verificar a razão das igualdades e desigualdades entre homens e mulheres. Enquanto os defensores da ideologia do gênero mantinham-se irredutíveis na sua posição, mas não ofereciam argumentos científicos e razoáveis para sua teoria, os cientistas entrevistados afirmaram e provaram o contrário.

Cientistas como o Dr. Simon Baron-Cohen, Professor do Departamento Experimental de Psiquiatria do Trinity College da Universidade de Cambridge, Dr. Richar Lippa, Professor de Psicologia da Universidade do Estado da Califórnia, EUA, Dr. Trond Diseth, Professor de Psiquiatria infantil do Hospital Nacional da Noruega e a Drª. Anne Campbell, Professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Durham, da Inglaterra, demonstraram em suas pesquisas, por meio de métodos cientificamente qualificados, que desde o nascimento, as crianças que, pela idade, ainda não sofreram significativa influência cultural, mostram pelo seu comportamento que são homem ou mulher e que as diferenças sexuais estão fundadas na sua natureza biológica, tanto física quanto psíquica. Do mesmo modo, cientistas como o Dr. Simon Baron-Cohen, já citado, que estudam o desenvolvimento intrauterino do ser humano afirmam que os hormônios sexuais, que são diferentes no nascituro masculino e feminino, em virtude dos cromossomos sexuais e não da cultura, provocam o assim chamado “imprint cerebral” que tem papel significante na formação do ser homem e mulher. Sendo assim, não se poderia, de modo algum, dizer que o ser homem ou mulher é construção sociocultural imposta sobre a pessoa, ainda que a cultura colabore no processo de formação da identidade pessoal e sexual. Pelo contrário, o sexo está profundamente enraizado na natureza humana.

A falta de razoabilidade da ideologia de gênero, provada por Harald Eia em seu documentário, fez com que o “Conselho Nórdico de Ministros”, uma comissão internacional formada por representantes dos governos da Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, decidisse encerrar o “Instituto Nórdico de Gênero” (NIKK), não destinando mais verbas para sustentar a difusão da Ideologia de Gênero. Se países como Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, que há praticamente quatro décadas promoviam essa ideologia, estão voltando atrás, vendo que a experiência não é razoável e nem oferece ganhos sociais, por que nós deveríamos iniciar um processo que já se mostrou inválido? Por que deveríamos aceitar que uma ideologia sem bases razoáveis e em contradição com as mais renomadas pesquisas sobre o tema ditasse o modo de ver o homem e a sua educação em nossos planos de educação? Isso me parece sem nenhum sentido!

Todos fazemos parte de uma sociedade que possui valores sólidos, provados e comprovados cientifica e existencialmente há mais de milênios, quanto à vida, à família e à educação das crianças e da juventude. Por isso, todos devem se comprometer a colaborar com as esferas políticas de nosso país para salvar nossa sociedade da supracitada ideologia de gênero.

Pe. Luiz Henrique Brandão de Figueiredo,Reitor do Seminário Menor Arquidiocesano São João Paulo II

Pe. Luiz Henrique Brandão de Figueiredo
Reitor do Seminário Menor Arquidiocesano São João Paulo II

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A Santa Missa – Passo a Passo

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Os erros da Missa Nova. A Santa Missa Tridentina e os problemas do Vaticano II

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Como celebrar Missa tridentina – passo a passo

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Homília Diária 20/11/2017 – Pe Paulo Ricardo

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O Milagre da Vida

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Ideologia de Gênero – Padre José Eduardo (18/11/17)

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