Refutando os questionamentos sobre as imagens

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É comum que algumas “confissões cristãs” sempre confrontem os católicos com perguntas e críticas a respeito da utilização de imagens, pinturas, relíquias e ícones. Um dos frequentes questionamentos deve-se ao fato de que algumas passagens bíblicas as condenariam. Especificamente, encontramos no decálogo o argumento que é muito utilizado por protestantes (exceção de algumas alas do luteranismo e anglicanismo) que condenam seu uso. Ao lermos o capítulo vinte (20) de Êxodo, vemos que Iahweh condenou qualquer fabricação de semelhanças que se encontrem no céus ou sobre a terra:

Ex 20,4Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.

Aqui fica a pergunta: Se Deus condenou o uso, por qual razão a Igreja utiliza desses artifícios?

Inicialmente é necessário analisar o contexto bíblico. O mandamento foi uma consequência da infidelidade do povo de Deus. Bastou a demora de Moisés para que o povo fundisse um bezerro de ouro e o adorasse como seu fosse um deus (Ex 32) renegando assim, o criador. Nosso Senhor condena qualquer ato que implique na troca de sua verdadeira soberania por coisas inferiores. A Idolatria é uma comoção interna do coração dos homens onde, tendemos a colocar outras coisas no lugar do autor supremo (dinheiro, status, bens  materiais, criaturas e etc) e essa inversão foi à causa da tristeza do Altíssimo com o seu povo escolhido: adoraram um bezerro de ouro e blasfemaram o Senhor. Aqui, a imagem virou um objeto de escárnio e maldição e por esse motivo, Nosso Senhor proibiu sua fabricação, porém, se analisarmos o velho testamento e precisamente suas construções (tabernáculo e templo), adiante, veremos que a proibição não era inclusa para outras imagens! E por quê? Simplesmente porque o mandamento de Deus proíbe a fabricação de ídolos e não de todas as representações! Deus não se contraria em suas palavras e como podemos constatar em diversas passagens, o salvador utiliza de imagens para revelar ao seu povo seus mistérios. Veremos aqui, alguns dos grandes exemplos bíblicos de que esse costume adotado pela Igreja, já havia sido influenciado pelos próprios judeus.

TABERNÁCULO 

Antes da construção do Tabernáculo, foi ordenado a Moisés que ele o erguesse conforme o modelo mostrado no monte:

Ex 25,40
Faz tudo de acordo com o modelo que te foi mostrado no alto da montanha.


E qual era o modelo? O modelo era refletir as verdades celestiais e por esse motivo, Deus solicita que Moisés:

  • Pinte as cortinas e véus do templo com IMAGENS de querubins (Ex 26,1 e 26,31);
  • Nosso Senhor orienta a confecção de duas IMAGENS de querubins fundidos com ouro para serem colocados na extremidade do propiciatório (Ex 25,18);
  • Haviam IMAGENS de chifres no tabernáculo (Ex 27,2);
  • Velas acesas perante as tábuas da Lei (Ex 27,20-21);
  • Incenso queimado no altar (Ex 30,1);
  • Objetos sagrados, onde as pessoas que os tocavam eram “santificadas” (Ex 30,29).

Ao fim de toda a construção, o escritor revela que “Deus habita no santuário“, isto é, mesmo que houvessem pinturas, ícones e imagens dentro do tabernáculo, ali era o local onde Iahweh se fazia presente (Ex 25,8) e era santo pois fora ungido (Ex 40,9).

TEMPLO CONSTRUÍDO POR SALOMÃO

Na construção do Tempo erguido por Salomão, verificamos a sacramentalidade inserida dentro do ambiente judaico, provando mais uma vez que, o uso de imagens não é uma herança pagã e sim, um costume judaico/cristão já adotado pela Igreja primitiva. No templo construído havia:

  • Duas imagens de querubins no oráculo (I Rs 6,23);
  • As paredes (internas e externas) eram entalhadas de anjos e palmas (I Rs 6,29);
  • As portas eram entalhadas e cobertas de ouro com querubins, palmas e flores (I Rs 6,32);
  • Doze touros no templo (I Rs 7,23);
  • Almofadas e Juntas havia imagens de leões, bois e querubins (I Rs 7,29);
  • Nas placas do templo, esculpidos, haviam, querubins, leões e palmas (I Rs 7,36);
  • Objetos sagrados (I Rs 8,4).

No livro de segunda Crônicas, lemos outros adornos no templo, sendo eles:

  • Objetos Sagrados (I Cr 22,19);
  • Haviam figuras de bois e duas fileiras do mesmo animal (imagens fundidas) (II Cr 4,3);
  • Havia outros 12 bois: três que olhavam para o norte, três que olhavam para o ocidente, três que olhavam para o sul, e três que olhavam para o oriente (II Cr 4,4);
  • Querubins escupidos nas paredes (II Cr 3,7);
  • Querubins bordados nas cortinas (II Cr 3,14).

No livro de Ezequiel, podemos enxergar mais detalhes do templo. A partir do capítulo 41, encontramos muitas referencias sacras, tais como:

  • Acima da porta, no interior do templo e por toda a parede (dentro e fora) estava coberto por figuras (Vrs 17);
  • Haviam dois querubins, sendo que os mesmos estavam ESCULPIDOS da seguinte forma: Um lado da face era humano e o outro lado era de um leão (Vrs 18 e 19);
  • Na parede do templo, do piso até a porta, mais representações de querubins (Vrs 20);
  • Algumas portas do templo também tinham figuras de querubins (Vrs 25).


COBRA FUNDIDA PARA CURAR
Um dos retratos visíveis de Cristo que podem ser refletidos no velho testamento, trata-se da cobra erguida por Moisés. No evangelho de João é dito que:

Jo 3,14
 – E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado.

E qual serpente foi essa? Bom, para que o povo de Deus fosse salvo das picadas das cobras, Iahweh ordenou:

  • Fundição de uma IMAGEM de uma serpente de bronze que colocada em uma haste, seria motivo de “salvação”, uma vez que, todo aquele que OLHASSE para a IMAGEM viveria, ainda que tivesse sido infectado (Nm 21,8-9).

É importante afirmar que, embora os hebreus já tivessem dado provas suficientes que se corrompiam facilmente frente a ídolos, em nenhum momento, existiu questionamentos por parte de Moisés ou resistência em fundir a imagem da cobra. Talvez, o primeiro questionamento que deveria ser levantado pelo libertador é o fato de correr riscos ao esculpir tal escultura, já que Israel, poderia ver nesta imagem um deus, entretanto, não é isso que comprovamos ao ler o texto bíblico. Deus ordena que Moisés faça a cobra e a coloque sobre uma haste e assim, todo aquele que olhasse para a serpente, seria curado. Aqui, vemos claramente que o problema não se encontra em uma imagem propriamente dita, mas sim, na intenção de quem a vê. Iahweh poderia ter usado de outros recursos para curar seu povo e mesmo sabendo de todo o perigo que já havia se passado com o “bezerro de ouro”, ordenou sua confecção.

Assim, quando os israelitas deixaram de “venerar” tal objeto e passaram a adorá-la, ela foi destruída (II Rs 18,4). O escritor do livro de Reis, deixa claro que a “Cobra erguida por Moisés foi feita em pedaços“.



A IMPORTÂNCIA DA ARCA DA ALIANÇA




Embora na arca da aliança, fosse manifestada a presença de Deus (Ex 25,22) é notável dizer que o objeto em si, tinha grande importância para os Israelitas. Lemos em algumas passagens que seu uso era grande no meio do povo:

  • Quando a nação de Israel se movia, a arca deveria ir a frente (Nm 10,33);
  • Os anciãos se prostravam perante a arca que possuía imagens (Js 7,6);
  • O povo Judeu acreditava que a arca da aliança, os salvaria da mão dos filisteus (I Sm 4,3 – vrs 7);
  • Procissão com a arca (I Sm 6,21; 7,1);
  • Davi e toda a casa de Israel dançava perante a arca (II Sm 7,18);
  • Embora a arca fosse feita de imagens fundidas, para o povo de Israel, ali encontrava-se o próprio Deus (I Cr 13,8);
  • Embora Salomão tenha sido o construtor do templo, a vontade de seu Pai Davi era construir uma casa estável para a “Arca da Aliança” (II Cr 28,2);
  • A arca era transportada no ombro, assim como as procissões cristãs católicas da atualidade (II Cr 35,3)


AS CATACUMBAS CRISTÃS

Até o presente momento, através das sagradas escrituras, conseguimos identificar que o uso de imagens é parte integral da cultura judaica e é justo dizer que os primeiros cristãos as usavam, já que os novos convertidos eram hebreus, adiante, os gentios se juntaram a essa multidão de novos crentes. Embora a bíblia não narre com total clareza a forma cultual e o local em que eram celebradas as primeiras manifestações dessa nova fé, vemos através da história que as perseguições geradas pelo império obrigou muitos cristãos a oferecem seus “sacrifícios espirituais” em locais inapropriados, já que muitos desses lugares, eram cemitérios de pessoas que já haviam sido martirizadas. Tais pontos de encontro atualmente, são reconhecidos como catacumbas que eram construídas em locais subterrâneos e os corpos falecidos eram enterrados e os que ali ficavam, poderiam adorar a Cristo. Dessa forma, vemos que nestes locais, haviam muitas imagens e pinturas já indicando que a Igreja, desde muito cedo, trilhava uma iconografia, mesmo que muito simples.

Acessando os links abaixo, poderemos ver o quão é antigo o uso de imagens e pinturas no início da era cristã:

http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/historia_da_igreja/a_arte_crista.html

http://www.catacombe.roma.it/it/percorsi.php

http://noticias.terra.com.br/ciencia/italia-catacumbas-cristas-reabrem-apos-cinco-anos-de-restauracao,fb4610d19c172410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://www.pime.org.br/mundoemissao/culturaculcristaos.htm

CONCLUSÃO

Frente a tantos argumentos positivos, o que devemos pensar? Que Deus se contradiz? Claro que não! A resposta é clara: Nosso Senhor proíbe a fabricação de ídolos e não de todas as imagens! Desde o início da Igreja, os cristãos tem enfeitado suas paróquias e comunidades com as mais diversas imagens refletindo assim, a vida de todos os santos e mártires na fé. Basta verificar que as catacumbas do primeiro século (local de culto dos cristãos primitivos) continham imagens que representavam a vida do povo sofrido. O próprio escritor de Hebreus, relembrando o modelo instruído por Deus a Moisés, confirma tudo aquilo que é celestial para nós:

Hb 8,5Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou. 

As imagens católicas são para uso catequético, assim como a palavra ouvida evangeliza, a imagem revela aos olhos dos crentes a mesma evangelização, porém, de forma visual. As Igrejas também representam o paraíso celeste e por esse motivo guardamos com piedade em nossos templos, as imagens e pinturas que são as lembranças daqueles que por amor a Jesus Cristo, morreram em amizade de Deus e hoje, já desfrutam de sua glória.

Herança judaica deixada e seguida até hoje por cristãos católicos, ortodoxos e coptas.
São Gregório de Nissa (Católico sim Idólatra Não, pg 65)  “O desenho mudo sabe falar sobre paredes das Igrejas e ajuda grandemente

São João Damasceno (749) (Por que sou católico, pg 123) – “O que a bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados”. 

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Você sabe porque rezamos de mãos postas e de joelhos?

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Na época das conquistas romanas, os derrotados nas lutas corriam em direção aos vitoriosos, ajoelhavam-se e estendiam as mãos pedindo para serem acorrentados. Essa atitude de súplica difundiu-se na Era Cristã. Cristo era tido como o conquistador divino de todos os povos e os fiéis repetiam a atitude de humildade dos vencidos na hora de rezar.

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O QUE AS SAGRADAS ESCRITURAS ENSINAM SOBRE O CELIBATO?

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Diferente do que muitos pensam, a bíblia menciona em diversas passagens a possibilidade do celibato. A ideia de vida consagrada não surgiu dentro do ambiente eclesial, ao contrário disso, o próprio Jesus Cristo manifestou sua vontade de possuir homens que dedicassem suas vidas inteiramente ao Reino de Deus.

A primeira referencia que encontramos, está no evangelho segundo Mateus:

“Eunucos por amor ao Reino de Deus”

Mt 19,10-12“Os discípulos disseram-lhe: Se é assim a condição do homem em relação a mulher, não vale a pena casar-se. Eles acrescentou: Nem todos são capazes de compreender essas palavra, mas só aqueles a quem é concedido. Com efeito,  há eunucos que nasceram assim, do ventre materno. E há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens. E há eunucos que se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem tiver capacidade para compreender, compreenda!”   

Alguns versos antes desses aqui expostos (Mt 19,1-9), mostra-nos Jesus em conversa com os Fariseus a respeito do “matrimônio”. Cristo ensina que o casamento é insolúvel e aquele que larga sua esposa para desposar outra mulher, comete adultério. Como conclusão dessa conversa, os apóstolos questionam o Senhor sobre tal prática e concluem que o ideal seria não se casar. Em reposta, Jesus usa de exemplo uma posição que na época antiga, em alguns casos, eram de homens que trabalhavam como servidores domésticos: o eunuco.

Eunuco é um homem que não possui os “testículos” por motivos congênitos (má formação no período de gestação) ou porque teve seu órgão removido por orquidectomia (remoção dos testículos), em outras palavras, são homens “celibatários” de forma involuntária. Jesus Cristo usa dessa ideia para dizer aos discípulos que alguns são eunucos não por escolha, mas por consequência ou obrigatoriedade, entretanto, o messias coloca uma nova classe: os eunucos que assim se tornaram por amor ao Reino de Deus. Esses novos eunucos, se ofertaram por amor ao Reino e optaram por não se casar. Os eunucos do reino não passaram por uma espécie de castração física, mas sim, optaram pela castidade por amor a Deus e aos irmãos. Cristo deixa isso claro ao dizer que o celibato é possível ao decidir-se por guardar os ímpetos carnais.

As próximas referencias que identificamos sobre o celibato, encontram-se no capítulo 7 (sete) da primeira carta aos coríntios. Em alguns versículos, conseguiremos visualizar que o pensamento paulino sobre a castidade é a principal formação da Igreja usada até os nossos dias.

“Quisera que todos fossem como eu”

I Cor 7,7-8“Quisera que todos os homens fossem como sou; mas cada um recebe de Deus seu dom particular, um, deste modo, outro, daquele modo. Contudo, digo aos celibatários e às viúvas que é bom ficarem como eu”.

As sagradas escrituras não nos concedem informações se Paulo foi casado ou se possuiu algum relacionado anterior a sua conversão, o que sabemos por suas cartas é que o apóstolo foi um dos primeiros a defender o celibato. O capitulo sete da primeira carta aos coríntios é dedicado inteiramente ao assunto de “matrimonio e virgindade” e é aqui que encontramos os reais motivos que levaram a Igreja durante os séculos a aceitar o celibato com naturalidade.

Em sua primeira instrução, Paulo afirma que gostaria que todos os cristãos fossem como ele e que guardassem a castidade por amor ao Reino de Deus, entretanto, sabe que esse dom não é de todos e que somente alguns poderiam assim fazer, entretanto, o apóstolo deixa claro que aqueles que ainda não contraíram matrimônio e até mesmo as viúvas, fiquem como ele e assumam uma posição de celibato perante a Igreja.

“Quem não é casado cuida das coisas do Senhor”

I Cor 7,32-34“Eu quisera que estivésseis isentos de preocupações. Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar a esposa, e fica dividido. Da mesma forma, a mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor, a fim de serem santas de corpo e de espírito. Mas a mulher casada cuida das coisas do mundo; procura como agradar ao marido”.

Paulo inicia esse verso dizendo que gostaria que os cristãos de Corinto não tivessem “preocupações”. As preocupações que o apostolo se refere são daqueles que são casados. Na conclusão do seu raciocínio, ele demonstra o que realmente pensa sobre os que contraem matrimonio. Nestes dois versículos, vemos que a preocupação do apóstolo é dizer que o homem e a mulher que se decidem pelo celibato, estão inteiramente prontos a assumir um compromisso onde descobrirão a melhor forma de agradar ao Senhor. Já para os casados, o discurso parece ser duro: “quem tem esposa, cuida das coisas do mundo”.

É interessante afirmar que em nenhum momento, Paulo quer desmerecer o matrimonio que para a Igreja, é um sacramento do amor de Deus, ao contrário disso, o apóstolo quer afirmar que aquele que se guarda em castidade, se dedicará inteiramente a Deus, ao contrário dos casados, que terão que se preocupar em como agradar o esposo ou a esposa.

“Os que não se contaminaram e são virgens”

Ap 14,4“Estes são os que não se contaminaram com mulheres: são virgens. Estes seguem o Cordeiro, onde quer que ele vá. Estes foram resgatados dentre os homens, como primícias para Deus e para o Cordeiro”.

Diferente do antigo testamento que possuía a concepção de que a falta de descendentes seria uma desonra (Jz 11,37), o novo testamento revela uma perspectiva diferenciada; aqueles que se guardam, são os que realizam a vontade do Senhor de uma forma plena, isto porque, possui um tempo inteiramente dedicado a Deus. Aquele que se casa, faz bem, porém, o que guarda sua virgindade, o faz melhor!

Aqueles que tomam a iniciativa de “seguir o Cordeiro, onde quer que ele vá”, assume um compromisso perante o Reino de Deus, faz seus votos de castidade para que assim, se entregue verdadeiramente a obra do Senhor no serviço comunitário.

O verso do apocalipse aqui citado, nada fala sobre sacerdócio, entretanto, trazendo para a realidade da Igreja, podemos sim fazer um comparativo com todos aqueles que se ofertam a vida celibatária por amor a Deus. Estes são resgatados como primícias e seguem ao Senhor com alegria missionária em todos os lugares do mundo.

CONCLUSÃO

O celibato não é um dogma que a Igreja promulgou, ao contrário do que muitos pensam, a “castidade” é uma regra disciplinar interna que poderia ser alterada se assim, o magistério, unido ao Papa, quisesse. Contudo, a fé católica tem o total respaldo em afirmar que o voto celibatário é um Dom oferecido aos homens, que dotados da graça de Deus, são convidados a assumir um “casamento” com a comunidade cristã, a fim de servir ao Senhor e aos irmãos.

As sagradas escrituras nos concedem provas irrefutáveis, confirmando aquilo que a Igreja preserva para os religiosos: muitos possuem a vocação do matrimonio, porém, outros são chamados a serem “eunucos” pelo reino de Deus e dessa forma, ofertam suas vidas em pró da construção do Reino do Senhor.

Este dom que é tão criticado pela sociedade atual, é a verdadeira prova de que a Igreja Católica tem seguido fielmente as palavras dos apóstolos que deixaram tudo para seguir o Senhor Jesus Cristo. O pensamento secular jamais influenciará as doutrinas, dogmas e regras da Igreja, afinal, remamos na maré contrária ao mundo.

Lc 18,29-30“Disse, então, Pedro: ‘Eis que deixamos nossos bens e te seguimos’! Jesus lhes disse: ‘Em verdade vos digo, não há quem tenha deixado casa, mulher, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus, sem que receba muito mais neste tempo e, no mundo futuro, a vida eterna’”.

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A autoridade do Papa segundo a Bíblia

Sao Pedro nosso primeiro Papa

A autoridade que o Papa tem sobre a Igreja Católica e sobre os católicos é muito questionada por outros cristãos e também, até mesmo por pessoas que nem tem a fé em Jesus Cristo. Talvez seja um dos temas que mais causam discussões e desentendimentos.

Obviamente a intenção aqui não é fazer nenhum proselitismo, ou seja, não é fazer ninguém mudar de religião. É de católico para católico, especialmente para você que muitas das vezes é questionado quanto a isso e fica sem resposta e o pior, fica cheio de dúvidas.

Provar algo no campo da fé para alguém pode ser complicado, pois São Paulo vai dizer em Hebreus 11, 1 “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”, portanto, por exemplo, se formos provar a fé para um ateu é algo humanamente impossível. Mas como você tem fé e as pessoas que às vezes o questiona também tem fé, embora diferente, isso é possível. E nosso parâmetro para provar verdades de fé é a Bíblia, a Palavra de Deus.

São Paulo vai dizer em Efésios 3, 10-11 “Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina, de acordo com o desígnio eterno que Deus realizou em Jesus Cristo, nosso Senhor”, portanto, a nossa verdade de fé vem da Igreja. Não se escandalize! Você podia até ter pensando, a nossa verdade de fé vem da Bíblia, mas talvez você não saiba, a Bíblia saiu da Igreja e não a Igreja saiu da Bíblia. Acredita-se que o primeiro livro escrito do Novo Testamento é a primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses que foi escrita por volta do ano 60 d. C. e o último foi o livro do Apocalipse por volta do ano 100 d. C. A primeira Bíblia foi compilada por São Jerônimo no ano 300 d. C e se chamava Vulgata e só por volta do ano de 1520 com o advento da prensa de Gutenberg, ou seja, uma impressora que fosse possível a impressão em escala que a leitura Bíblica se tornou comum e acessível a todos. E como você acha que esse tempo todo a Igreja e os cristãos sobreviveram? Como a fé foi perpetuada durante todo esse tempo, inclusive com inúmeros santos e mártires? Foi através da tradição apostólica!  Biblicamente São Paulo nos afirma isso em 2 Tessalonicenses 2, 15 “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa”, ou seja, de forma oral (por palavras) ou pelas escrituras (por carta nossa).

A Igreja Católica tem três pilares! A Tradição, o Magistério e a Bíblia, sendo que a Bíblia como mencionei acima saiu da Tradição e o Magistério, portanto, quem crê na Bíblia de uma forma ou de outra, crê na Igreja Católica Apostólica Romana.

Muitos não gostam do Rosário por achar ser uma oração cansativa e repetitiva, mas o Rosário é contemplativo! No Rosário a cada mistério contemplamos a nossa redenção e as Aves Maria digamos, que seja as músicas de fundo ou então o cronometro espiritual da meditação e contemplação de cada mistério. Em alguns mistérios vemos a humildade que Jesus, Maria e José tiveram. Peguemos por exemplo, a apresentação do menino Jesus no Templo narrada em São Lucas 2, 21-40. Convido a refletirmos sobre isso, imagine Nossa Senhora sabendo que estava grávida do Messias, do Salvador e mesmo assim se submeteu a autoridade religiosa da época e apresentou-o no Templo. Ela podia muito bem pensar “meu Filho é o Messias, eu sou Mãe do Messias, não preciso me submeter a nenhuma religião”, mas Ela não pensou assim! Foi humilde e apresentou Jesus no Templo.

Outro exemplo dentre tantos, foi o batismo de Jesus narrado em São Mateus 3, 13-17 em que Jesus também se sujeita a São João Batista por quem é batizado, mesmo São João Batista dizer que não é digno nem de desatar-lhe as sandálias.

A humildade é uma marca do cristão! Jesus muito mais falou o que deve ser feito ou como se deve comportar, Jesus fez! Um princípio de liderança muito moderno nos dias atuais, em que não se tem mais chefe, mas sim um líder, uma pessoa que faz junto e não só que manda, Jesus já usava esse conceito. Ele mesmo disse em São Mateus 11, 29 “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas”. Sabemos quem caiu por soberba e vaidade…

O próprio Jesus afirma no Santo Evangelho a quem entregou as chaves do céu e a quem confiou, conforme São Mateus 16, 18-19 “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”, mas segundo alguns é uma interpretação errada que é feita, mas mal sabem que a autoridade Papal é prefigurada desde o antigo testamento.

 

Autoridade Papal é prefigurada desde o antigo testamento e confirmada no novo

Centenas de anos antes de Cristo, os israelitas já se referiam a seus grandes líderes espirituais Abraão, Isaac e Jacó como pais (patriarcas) e agora, depois da reforma protestante esse patriarcal, segundo eles, já não existe mais. Cada um interpreta as escrituras da forma que quer e do jeito que quer, o resultado é essa grande divisão que há no meio protestante. Jesus já nos exortava quanto a isso em São Marcos 3, 24 “Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar”. São Pedro também fala sobre a livre interpretação das escrituras em 2 Pedro 1, 20-21“Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Sagrada Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por vontade humana.”

Assim como muitas profecias e acontecimentos narrados no novo testamento, a autoridade Papal também é prefigurada no antigo, conforme Isaías 22, 22-23 “Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi; se ele abrir, ninguém fechará se fechar, ninguém abrirá; fixá-lo-ei como prego em lugar firme, e ele será um trono de honra para a casa de seu pai” e no novo testamento há a confirmação dessa “chave”, conforme São Mateus 16, 18-19 “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Veja a autoridade dada a Pedro, o que ele ligar na terra se liga no céu e não o contrário. A confiança em Pedro é tamanha, que o que ele ligar aqui o céu dirá “amém”.

O próprio São Pedro confirma sua autoridade narrada em Atos 15, 7 “Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem.”

Nosso Senhor Jesus Cristo, confirmou o pastoreio a São Pedro em São João 21 15-17 “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.”

Será que Jesus se confundiu? Ou então seja bipolar? Óbvio que não! Deus não é homem para mentir, conforme Números 23, 19 “Deus não é homem para mentir, nem alguém para se arrepender. Alguma vez prometeu sem cumprir? Por acaso falou e não executou?” Como nossa fé proclama Jesus como Deus, temos Ele, Jesus que não só diz a verdade, mas é a verdade, conforme São João 14, 6 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”

Autoridade Apostólica

Como toda organização ou grupo de pessoas, há que se ter uma liderança, no nosso caso o Papa que conta com os demais Apóstolos nos dias de hoje representados pelos Bispos. A autoridade apostólica (católica no caso) é muito questionada, por segundo alguns não ser bíblica. O mais curioso de tudo, é que “aparecem apóstolos” de forma muito recorrente no meio protestante e isso não se questiona. De onde vem essa autoridade apostólica? Quem a deu?!

No caso da Igreja Católica, temos uma linha de sucessão ininterrupta desde Pedro até o Papa atual e essa autoridade é bíblica sim! Podemos ver São Paulo dizendo sobre isso em 1 Timóteo 4, 14 “Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembléia dos anciãos te impôs as mãos” e também em Hebreus 13, 17 “Sede submissos e obedecei aos que vos guiam (pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta). Assim, eles o farão com alegria, e não a gemer, que isto vos seria funesto” e o próprio São Pedro em 1 Pedro 5, 1-3 “Eis a exortação que dirijo aos anciãos que estão entre vós; porque sou ancião como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e serei participante com eles daquela glória que se há de manifestar. Velai sobre o rebanho de Deus, que vos é confiado. Tende cuidado dele, não constrangidos, mas espontaneamente; não por amor de interesse sórdido, mas com dedicação; não como dominadores absolutos sobre as comunidades que vos são confiadas, mas como modelos do vosso rebanho.”

Negar aos Apóstolos é o mesmo que negar a Cristo, conforme Ele mesmo nos ensina em São Lucas 10, 16 “Quem vos ouve a mim ouve; e quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita rejeita aquele que me enviou.”

Sem falar na promessa que Jesus fez aos seus Apóstolos um pouco antes de ascender aos céus, conforme São Mateus 28, 20 “Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.”

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O que a Igreja liga na Terra, Jesus liga no céu

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Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu. (Mt 18,18)

Parece que há alguns católicos que não entenderam ainda as promessas que Jesus fez à Igreja que Ele instituiu sobre Pedro de os Apóstolos. Entre outras Ele lhes disse: “Quem vos ouve a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou”. (Lc 10,16).

Esta é a bela lógica que Deus escolheu para salvar a humanidade: o Pai enviou o Filho como salvador e Redentor; e o Filho enviou a Igreja. É preciso ter com clareza que a Igreja é o “prolongamento da presença de Cristo no meio da humanidade”. “A Igreja é o Corpo do Senhor, e o ostensório do Seu coração”, disse Maurice Zundel. Bossuet preferiu dizer que: “A Igreja é Jesus Cristo derramado e comunicado a toda a terra”.

Os grandes Santos Padres da Igreja, doutores da Igreja, como São Basílio Magno, São Gregório de Nissa, São Gregório de Nazianzo, Santo Agostinho, São Jerônimo, etc., tinham esta certeza: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia; ubi Ecclesia ibi Christus” (Onde está Pedro, está a Igreja; onde está a Igreja está Jesus Cristo). Santo Inácio de Antioquia (†110), mártir no Coliseu de Roma, disse: “Onde está o Cristo Jesus está a Igreja Católica”. A Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, disse que “Deus estabeleceu congregar na Santa Igreja os que creem em Cristo” (LG, 2).

Uma promessa que Jesus fez à Igreja, a Pedro (Mt 16,19) e aos Apóstolos unidos a Pedro (Mt 18,18), é que tudo o que eles ligarem na Terra, Ele ligaria no céu. E aí está a infalibilidade da Igreja: como no céu não pode ser ligado nada errado, então, o Espírito Santo assiste e guia a Igreja para não ligar nada de errado na Terra, pois isto terá de ser ligado no céu, por força de promessa de Jesus.

Desta certeza vem toda a beleza, por exemplo, da Liturgia. Ou ainda, quando a Igreja celebra o Natal aqui, no dia 25 de dezembro, o céu também o celebra neste dia. Se a Igreja celebra o dia do nascimento de Nossa Senhora no dia 8 de setembro, o céu o celebra no mesmo dia, e assim por diante. E quando celebramos essas datas e todas as outras festas litúrgicas, solenidades e memórias de santos, no dia fixado pela Igreja, as graças desse acontecimento se tornam atuais e as recebemos em sua celebração como no acontecimento original. De modo especial, quando celebramos a Santa Missa, torna-se presente a nossa Redenção. Daí vem toda a beleza, profundidade e espiritualidade da Liturgia.

É de causar admiração o poder que Jesus confiou a Pedro, o Papa, e à sua Igreja. Quando o Papa confirma, por exemplo, que alguém é santo, e o canoniza, não há dúvida de que aquela pessoa está no céu, “intercedendo por nós sem cessar”, como diz a Liturgia eucarística. Esta é a beleza de nossa fé; desde aqui da Terra já participamos da glória do céu, como que por antecipação.

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Por que os protestantes não lêem as obras de Lutero?

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Nos debates entre católicos e protestantes, nós, católicos, notamos que nossos opositores são bastante exigentes em relação ao detalhamento das doutrinas da Igreja. Geralmente submetem-nos a diversas perguntas, sejam elas bem ou mal formuladas. O apologista católico, então, deve estar preparado, estudar a doutrina de sua Igreja, ler as obras dos padres apologistas, e responder a esses fundamentalistas satisfatoriamente (infelizmente, eles não se satisfazem com respostas). Mas, será que os protestantes buscam nos seus “pais” a resposta para nossas questões?

Vocês, leitores, já perceberam que os protestantes geralmente buscam suas fontes a partir de grandes teólogos do passado e do presente, mesmo de Calvino, no caso dos calvinistas, e vários outros teólogos modernos? Entretanto, geralmente falta um personagem, o personagem principal, no âmbito reformado: Martinho Lutero.

 

Já é ampla a nossa cobertura da revolta protestante do século 16, mas muito ainda falta ser dito. Os protestantes costumam colocar Lutero como um príncipe, um homem iluminado, que trouxe à luz a Igreja que jazia nas trevas da “corrupção”. Em todos os meios protestantes, Lutero foi um homem que, ao ler “um livro proibido”, a Bíblia, descobriu em suas letras simples a doutrina até então “obscura” de Cristo: a salvação somente pela fé. Desde então Lutero é uma figura ímpar na história do protestantismo. Inclusive alguns teólogos católicos reconhecem em Lutero valores dignos dos grandes doutores da Igreja.

 

Porém, seus escritos praticamente desapareceram da estante dos protestantes modernos (ou pelo menos, de suas obras). O que vemos hoje é que os protestantes fundamentalistas se baseiam mais em sua própria opinião “errada” das Escrituras do que num fundamento ao menos mais criterioso. Entretanto, será que é válida a fundamentação da teologia protestante na herança dos estudos de Lutero?

 

Quantos protestantes, mesmo pastores, já leram obras de Lutero. Dificilmente um católico que não seja estudioso do assunto leria. Mas espera-se que os protestantes tenham uma certa noção dos escritos dos seus pais. Nós católicos buscamos ler e entender o que pensavam e ensinavam os pais da Igreja: Inácio, Clemente, Leão, Tertuliano, Gregório, Agostinho, Vicente, Aquino. Entre milhares de outros. É uma vasta literatura, mas todo católico que esteja interessado nas suas doutrinas busca conhecer a sua patrologia.

 

Lutero deixou uma obra extensa, da qual em português creio não existir nem metade. Suponho, também, que nem metade dos protestantes já leu as obras dele. O que será que encontrariam? Talvez não gostem muito do que encontrarão, caso se aventurem. Na realidade, apesar de ser um estudioso da Bíblia, ter causado uma revolução no seio da Igreja, muitas vezes Lutero foi um blasfemo. Ao menos, pelos seus escritos, é o que nos parece.

 

Muitos protestantes questionam os católicos acerca do que falaram os seus teólogos do passado. Muitos dizem que Papas pecaram, disseram isso ou aquilo. Tudo isso, para eles, é prova de que a Igreja Católica não é a Igreja fundada por Jesus, nosso Senhor. Que o Espírito Santo não pode conduzir uma Igreja que ensina a “venda do perdão”, por exemplo. Outros alegam que a Igreja não podia ter transferido a um homem o poder que somente Deus contém. Entre várias outras alegações, os erros do passado são, para os protestantes, prova mais que suficiente de que a Igreja é demoníaca.

 

No nosso país, é comum o uso de “ditados populares”. Um deles, que podemos até aplicar aqui, é “Cuidado! O peixe morre pela boca”.

 

Muito do que Lutero escreveu, em confronto com o Papa e a autoridade da Igreja, é defendida até o fim pelos seus idealistas. Mas será que  defenderiam com a mesma vontade o Lutero que vamos apresentar aqui? Talvez fiquem surpresos, digam que ele não quis dizer o que está aparentado, que existem outros escritos dele que dizem o contrário. Ora, pelo que vamos ler, parece que não há como entender outro contexto, o que faz com que entendamos exatamente o que Lutero quis dizer quando da redação das obras. E se existem outros escritos dele que dizem o contrário, isto não é um fator de alívio, mas de complicação.

 

Mas, de qualquer forma, o leitor julgue as palavras de Lutero…ditas pelo próprio reformador.

 

Seja um pecador

 

Se és um pregador da graça, então pregue uma graça verdadeira, e não uma falsa; se a graça existe, então deves cometer um pecado real, não fictício. Deus não salva falsos pecadores. Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda…Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar…Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia. (American Edition, Luther’s Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963. ‘The Wittenberg Project;’  ‘The Wartburg Segment’, translated by Erika Flores, de Dr. Martin Luther’s Saemmtliche Schriften, Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521. )

 

Lutero está claramente dizendo que os nossos pecados, mesmo o pecado mais intenso imaginável, não importa. Diz que podemos cometer os pecados de forma convicta, que mesmo assim não nos separaremos de Deus. Imagine um católico dizendo tal coisa a um protestante, em um debate sobre o pecado, qual seria a resposta do protestante? (não responda, caro leitor, apenas abra sua Bíblia e leia o que ela diz sobre o pecado ? Mt 25,32; Mt 13,30; Mt 3,10; Hb 10,26-29).

 

Fazer o bem é mais perigoso que o mal
Estas almas piedosas que fazem o bem para chegar ao céu não somente não o alcançarão, como serão arranjados entre os ímpios; e importa mais em impedi-los de fazerem boas obras que pecados. (Wittenberg, VI, 160, citado por O’Hare, in “The Facts About Luther”, TAN Books, 1987, p. 122).

 

Sim, é isso que você leu. Deve-se evitar praticar boas obras, não pecados. Acaso foi isso que Jesus ensinou? Pense em Cristo exortando a pecadora, em vias de ser apedrejada, e, ao segurá-la pela mão, dizer: “vá, e não pratique mais boas obras”. Na verdade, o que Lutero quer dizer é “não se preocupe com os pecados, Jesus os encobrirá. Preocupe-se com suas boas obras, isto lhe condenará”. As Escrituras dizem que seremos julgados pela forma como vivemos a nossa fé. Paulo diz claramente, em Rm 2,5-11, que o justo julgamento de Deus será de acordo com nossas ações. De acordo com 2Cor 5,10, receberemos a recompensa de Deus de acordo com nossos atos, bons ou ruins. Segundo Lutero, seremos recompensados por não fazer boas obras, enquanto que nossos pecados não influirão no julgamento de Deus.

 

Você pode perguntar: mas não são os protestantes que acreditam “somente na Bíblia”? Bem, responderíamos, somente quando lhes convém…

 

Não há livre arbítrio
…Em relação a Deus, e a tudo que importa na salvação e condenação, o homem não possui livre-arbítrio, é um cativo, um prisioneiro, um escravo, seja da vontade de Deus, seja da vontade de Satanás. (Bondage of the Will, Martin Luther: SelectionsFrom His Writings, ed. by Dillenberger,Anchor Books, 1962 p. 190).

Tudo que fazemos é por necessidade, não por livre-arbítrio, pois o livre-arbítrio não existe… (Ibid, p. 188)
O homem é como um cavalo. Deus o está montando? Um cavalo é obediente e aceita as vontades de seu dono, e vai onde quer que ele queira. Acaso Deus soltou as rédeas? Então Satanás sobe em seu dorso, e o submete aos seus caprichos…Portanto, a necessidade, e não o livre-arbítrio, é o princípio controlador de nossa conduta. Deus é o autor do que é mal como do que é bom, e, da forma como concede a felicidade àqueles que não a merecem, assim também condena a outros que não desejaram seu destino. (‘De Servo Arbitrio’, 7, 113 seq., citado por O’Hare, in ‘The Facts About Luther, TAN Books, 1987, pp. 266-267.)

 

A Bíblia discorda de Lutero. Lemos em Eclesiástico 15,11-20: “Não digas: É por causa de Deus que ela me falta. Pois cabe a ti não fazer o que ele abomina. Não digas: Foi ele que me transviou, pois que Deus não necessita dos pecadores. O Senhor detesta todo o erro e toda a abominação; aqueles que o temem não amam essas coisas. No princípio Deus criou o homem, e o entregou ao seu próprio juízo; deu-lhe ainda os mandamentos e os preceitos. Se quiseres guardar os mandamentos, e praticar sempre fielmente o que é agradável (a Deus), eles te guardarão. Ele pôs diante de ti a água e o fogo: estende a mão para aquilo que desejares. A vida e a morte, o bem e o mal estão diante do homem; o que ele escolher, isso lhe será dado, porque é grande a sabedoria de Deus. Forte e poderoso, ele vê sem cessar todos os homens. Os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, e ele conhece todo o comportamento dos homens”.

 

Os protestantes, claro, replicarão dizendo que Eclesiástico não é um livro canônico. Apesar de estarem errados, e Eclesiástico ser sim um livro canônico (leia os porquês em vários artigos de nossos site), podemos citar livros que eles apreciam como Escritura Sagrada: Dt 30,19-20: “Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele. Porque é esta a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais”. Vemos que o homem, além de ser livre para escolher, ele é obrigado a fazer tal escolha. Em Gn 4,7 lemos: ?Se praticares o bem,, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo?.

Em Jo 15,15: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai”. Não nos parece que João concorda com Lutero a respeito da natureza eqüina dos homens, nem de seu jóquei…

Lutero disse que Deus é o responsável pelo bem e pelo mal. Porém Paulo também discorda dele, pois escreveu: “Pois, se nós, que aspiramos à justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não!”. Por certo que Lutero está errado.

 

Os cristãos não estão sujeitos a autoridade alguma

 

Todo cristão é pela fé tão exaltado sobre todas as coisas que, por meio de um poder espiritual, é senhor de todas as coisas, sem exceções, que nada lhe causará mal. De fato, todas as coisas foram feitas sujeitas a ele e são orientadas a servi-lo na sua salvação. (‘Freedom of a Christian,’ Martin Luther. Selections From His Writings, ed. por Dillenberger, Anchor Books, 1962 p. 63.)

Injustiça é feita quando as palavras ?sacerdote, clérico, espiritual, eclesiástico? são transferidas de todos os cristãos para aqueles poucos que são chamados por costume mesquinho de “esclesiásticos” (Ibid., p. 65)

 

Segundo Lutero, não há necessidade de sacerdotes, e da hierarquia. Todo cristão tem uma relação livre com Deus. Isto parece algo muito bom, e realmente nós podemos ter uma relação direta com Deus. Entretanto não podemos excluir o papel da hierarquia e dos sacerdotes. Lemos no livro de Números, capítulo 12, que a irmã de Moisés, Mirian (Maria), disse: “Porventura é só por Moisés, diziam eles, que o Senhor fala? Não fala ele também por nós”. A Bíblia mostra que “o Senhor ouviu isso” e disse “Por que vos atrevestes, pois, a falar contra o meu servo Moisés?” e logo depois “Maria foi ferida por lepra”. A Bíblia nos ensina a não proceder contra os escolhidos por Deus: “Deus me guarde de jamais cometer este crime, estendendo a mão contra o ungido do Senhor, meu senhor, pois ele é consagrado ao Senhor!” (1Sam 24,7). Pela intercessão de Moisés, Mirian foi curada da lepra. Logo depois vemos Coré (Num 16) se rebelar contra Moisés e Aarão: “Basta! Toda a assembléia é santa, todos o são, e o Senhor está no meio deles. Por que vos colocais acima da assembléia do Senhor?”. A Bíblia mostra que, por causa desta revolta, “Saiu um fogo de junto do Senhor e devorou os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o incenso”. Isto pode ser a semelhança do que espera aqueles que se rebelam contra os desígnios de Deus: “Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: – Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos” (Mt 25,41).

 

Os camponeses mereceram seu destino
Assim como as mulas não se movem até que seu dono lhe puxe as cordas, assim o poder civil deve conduzir as pessoas comuns, açoitá-los, enforcá-los, queimá-los, torturá-los e decapitá-los, para que aprendam a temer o poder estabelecido (El. ed. 15, 276, citado by O’Hare, em ‘The Facts About Luther, TAN Books,1987, p. 235).

 

O camponês é um porco, e quando um porco é abatido, ele está morto, e da mesma forma os camponeses não pensam sobre a vida futura, pois do contrário se comportariam de outra maneira. (‘Schlaginhaufen,’ ‘Aufzeichnungen’ p. 118, citado ibid., p. 241).

 

Trata-se do episódio da guerra dos camponeses de 1525. O próprio Lutero recomendava aos príncipes: “impeça-os da forma que puderem, como se matam cachorros loucos” (Ibid., p. 235). Erasmo de Roterdã, contemporâneo de Lutero, relatou que mais de cem mil camponeses perderam suas vidas (Ibid., p. 237).

 

Provavelmente você, leitor católico, já foi defrontado por protestantes com o argumento de que a Igreja “matou milhões de pessoas na inquisição”, entre outras acusações (mal informadas, no caso das inquisições). Porém, como estamos mostrando neste artigo, poucos são os que conhecem que Lutero, Calvino e Elisabeth promoveram massacres contra católicos ou não-católicos. Muitos, na verdade, não sabem nem mesmo que Calvino mandou queimar Miguel de Serveto, ou porque Thomas Moore foi decapitado, na Inglaterra…

 

Poligamia

 

Confesso não poder evitar que uma pessoa despose muitas mulheres, pois tal não contradiz as Escrituras. Caso um homem escolha mais de uma mulher, deve procurar saber se está satisfeito com sua consciência de que o fará em acordo com o que diz a Palavra de Deus. Neste caso, a autoridade civil nada tem a fazer. (De Wette II, 459, ibid., pp. 329-330)

 

Somente pela Escritura Lutero não pôde descartar a poligamia. Talvez ser bígamo, ter várias mulheres ao mesmo tempo, sem ser fiel a nenhuma delas, não influencie na conduta cristã de buscar na Bíblia somente o que diz respeito à salvação…

 

A Bíblia poderia melhorar
A história de Jonas é tão monstruosa que é absolutamente inacreditável (‘The Facts About Luther, O’Hare, TAN Books, 1987, p. 202)

 

Eu jogaria o livro de Esther no Elbe. Sou de tal forma inimigo deste livro que preferiria que não existisse, pois é judaizante demais e com grande parte de idiotices pagãs. (Ibid.)
A carta de Tiago é uma carta de palha, pois não contém nada de evangélico (‘Preface to the New Testament,’ed. Dillenberger, p. 19.)
Se algo sem sentido foi falado, este é o lugar. Eu confirmo o que muitos já haviam dito que, com muita probabilidade, esta epístola não fora escrita pelo apóstolo, e não merece o nome do apóstolo. (‘Pagan Servitude of the Church’ ed. Dillenberger, p. 352.).
Para mim tal livro* não possui qualquer característica cristã. Que cada um julge este livro; eu mesmo tenho aversão, e isto é o suficiente para rejeitá-lo (Sammtliche Werke,  63, pp. 169-170, ‘The Facts About Luther,’ O’Hare,TAN Books, 1987, p. 203). *NT: Trata-se do livro de Apocalipse.

 

É dito que Lutero entendeu a Bíblia “como se Deus falasse ao coração”. Mas é difícil de imaginar que o próprio Deus, que lhe “falou ao coração”, revelasse que Tiago escreveu uma epístola sem valor. Tal confusão é bem parecida com a “inspiração pelo Espírito Santo” que os evangélicos têm hoje em dia para confirmar a veracidade de suas interpretações bíblicas. É interessante também notar que, para os protestantes, a Bíblia é a autoridade final, correto? Porém vemos que Lutero se coloca acima da autoridade da Bíblia, escolhendo quais livros devem pertencer ou não a ela, e ainda com a “autoridade” de definir determinado livro. Na realidade, Lutero se colocou acima da Bíblia que afirma estar sujeito. Sem perceber, os protestantes de ontem e de hoje fazem o mesmo.

 

Os protestantes, debatendo sobre os deuterocanônicos, citam passagens que dizem que os que acrescentam qualquer coisa à Palavra de Deus serão condenados. Demonstramos com vários artigos que, na realidade, quem acrescentou ou retirou algo da Bíblia foram os reformadores. E o próprio Lutero admite tal feito, com a adição da palavra “somente” em Rm 3,28 de sua tradução para o alemão:
Se um papista lhe questionar sobre a palavra “somente”, diga-lhe isto: papistas e excrementos são a mesma coisa. Quem não aceitar a minha tradução, que se vá. O demônio agradecerá por esta censura sem minha permissão. (Amic. Discussion, 1, 127,’The Facts About Luther,’ O’Hare, TAN Books, 1987, p. 201)

 

Judeus para o inferno
Os judeus são pequenos demônios destinados ao inferno (‘Luther’s Works,’ Pelikan, Vol. XX, pp. 2230).
Queime suas sinagogas. Negue a eles o que disse anteriormente. Force-os a trabalhar e trate-os com toda sorte de severidade…são inúteis, devemos tratá-los como cachorros loucos, para não sermos parceiros em suas blasfêmias e vícios, e para que não recebamos a ira de Deus sobre nós. Eu estou fazendo a minha parte. (‘About the Jews and Their Lies,’ citado em O’Hare, in ‘The Facts About Luther, TAN Books, 1987, p. 290)

 

Mesmo se os judeus fossem inimigos, Lutero deveria amá-los, e não tratá-los como cachorros loucos, muito menos recomendar tal tratamento. Os cristãos devem reconhecer nos judeus o povo chamado por Deus e portador de sua revelação, e que possuem um papel na história da salvação. De fato, o chamado descobridor da doutrina de Deus encoberta pelos católicos, não parece ser familiar com a doutrina cristã que alegam ter resgatado.

 

Cristo pecador
Cristo Adúltero. Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: “Que fez, então, com ela?” Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer. (Lutero, Tischredden, Table Talk, Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martinho Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15).

 

Creio que não se pode comentar tais palavras, assegurando que vieram do nome daquele que cultuam hoje como “a estrela que brilhou no meio à escuridão da idade média”. Não há dúvida: Lutero está errado. Cristo se assemelhou em tudo a nós, menos ao pecado. Isto é evidente pela Sagrada Escritura e pela autoridade da Igreja, pois Cristo é Deus. Imagine, leitor, o que aconteceria se você apresentasse este fragmento a um protestante, esperasse este identificar quem o disse, e depois revelar que foi dita por nada menos que Martinho Lutero?

 

Infelizmente, os protestantes se recusarão a buscar as obras de Lutero e de outros reformadores. Sua metodologia “minha consciência é meu guia” lhe impede de aderir a qualquer semelhança com a doutrina de algum ser humano, ainda mais se este ser humano ensinou o que mostramos acima. Na realidade, os protestantes, que acham que retiram suas doutrinas da Bíblia, na realidade copiam as conclusões de outras pessoas, como Lutero (o que é um mal negócio), Calvino (também), ou o que pode ser ainda pior, de suas próprias conclusões.

 

Talvez a única conclusão que podemos retirar destas, e de várias outras frases, é a que o apóstolo Paulo nos incentiva: “Examinai-vos a vós mesmos, se estais na fé. Provai-vos a vós mesmos…A menos que a prova vos seja, talvez, desfavorável” (2Cor 13,10).

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A nossa Igreja Católica Apostólica Romana

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Naquele tempo; JESUS ENTÃO LHE DISSE…
…“E Eu te declaro: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra Ela. Eu te darei as chaves do reino do céus: tudo que ligares na terra será ligado no céus, e tudo o que desligares na terra será desligado no céus”. (Mt 16,18-20)
“ O Senhor Jesus, antes de subir ao Céu, confiou aos seus discípulos o mandato de anunciar o Evangelho a todo o mundo e de batizar todas as nações: “Ide a todo o mundo e pregai o Evangelho a todas as criaturas. Quem acreditar e for batizado será salvo, mas que não acreditar será condenado”. (Mc.16, 15-16); Todo o poder me foi dado no Céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações, batizai-os em nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO e ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E EU estou sempre convosco, até o fim dos tempos”. (Mt. 28, 18-20; Lc. 24, 46-48; Jô. 17, 18; 20, 21, At. 1,8).
A missão universal da Igreja nasce do mandato de JESUS CRISTO e realiza-se através dos séculos, com a proclamação do mistério de DEUS, PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO e do mistério da encarnação do Filho, como acontecimento de salvação para toda a humanidade. São estes os conteúdos fundamentais da profissão de fé cristã:
“Creio em um só Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, JESUS CRISTO, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E se encarnou pelo ESPÍRITO SANTO, no seio da Virgem MARIA e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do PAI. De novo há de vir em Sua Glória, para julgar os vivos e os mortos; e o Seu Reino não terá fim. Creio no ESPÍRITO SANTO, Senhor que dá a vida, e procede do PAI. Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: ELE que falou pelos profetas. Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há de vir”.
O Senhor Jesus, único Salvador, não formou uma simples comunidade de discípulos, mas constituiu a Igreja como mistério salvífico: Ele mesmo está na Igreja e a Igreja Nele (Jo. 15, 1-11; Gl. 3, 28; Ef. 4, 15-16; At. 9, 5); por isso, a plenitude do mistério salvífico de CRISTO pertence também a Igreja, unida de modo inseparável ao Seu Senhor. JESUS CRISTO, com efeito, continua a estar presente e a operar a salvação na Igreja e através da Igreja (Cl. 1, 24-27), que é o Seu Corpo (1 Cor. 12, 12-13; 27; Cl. 1, 18). E, assim como a cabeça e os membros de um corpo vivo embora não se identifiquem, são inseparáveis, CRISTO e a Igreja não podem confundir-se nem mesmo separar-se, constituindo ao invés um único “CRISTO TOTAL”. Uma tal inseparabilidade é expressa no Novo Testamento também com a analogia da Igreja Esposa de Cristo (1Cor. 11, 2; Ef. 5, 25-29; Ap. 21, 2; 9).
Assim, e em relação com a unicidade e universalidade da mediação salvífica de Jesus Cristo, deve crer-se firmemente como verdade de fé católica a unicidade da Igreja por Ele fundada (Mt. 16, 18). Como existe um só CRISTO, também existe um só Seu Corpo e uma só Sua Esposa: “uma só Igreja católica e apostólica”. Por outro lado, as promessas do Senhor de nunca abandonar a Sua Igreja (Mt. 16, 18; 28, 20) e de guiá-la com o Seu ESPÍRITO (Jo. 16, 13) comportam que, segundo a fé católica, a unicidade e unidade, bem como tudo o que concerne a integridade da Igreja, jamais virão a faltar.
Os fiéis são obrigados a professar que existe uma continuidade histórica – radicada na sucessão apostólica – entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica: “Esta é a única Igreja de CRISTO (…) que o nosso Salvador, depois da Sua Ressurreição, confiou a Pedro para apascentar (Jô. 21, 17), encarregando-o a ele e aos demais Apóstolos de a difundirem e de a governarem (Mt. 28, 18 – ss); levantando-a para sempre como coluna e esteio da verdade (Tm. 3, 15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”.
Com a expressão “subsistit in” o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de CRISTO, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que “existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora de sua composição”, isto é, nas igrejas e comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. A cerca destas, porém, deve afirmar-se que “o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada a Igreja Católica”.
Existe portanto uma única Igreja de Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”. (Declaração “Dominus Jesus”)
Há mais de 2700 anos DEUS ESPÍRITO SANTO já tinha definido esta verdade ao profeta Isaías:
“Eis Meu Servo que EU amparo, Meu Eleito ao qual dou toda a Minha afeição, faço repousar sobre ELE meu ESPÍRITO, para que leve ás nações a VERDADEIRA RELIGIÃO. Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a VERDADEIRA RELIGIÃO; não desanimará, nem desfalecerá, até que tenha estabelecido a VERDADEIRA RELIGIÃO; sobre a Terra, e até que as ilhas desejem Seus ensinamentos”. (Is. 42, 1-4)
Esta profecia cumpriu-se, quando Nosso Senhor JESUS CRISTO ungiu o Apóstolo Pedro como responsável pela condução da Sua Igreja: “E Eu te declaro: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra Ela”. (Mt 16,18)
“Apoiada na Sagrada Escritura e na tradição, ensina (o Concílio) que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único Mediador e o caminho da salvação é CRISTO, que se nos torna presente no Seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do batismo (Mc. 16,16; Jo. 3,5), ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo como por uma porta. Por isso, não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus, através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disto não quiserem nela entrar ou nela preservar”. (Constituição dogmática “Lunem Gentium” (14a))
“A Igreja foi fundada no tempo por CRISTO Redentor”. (“Gaudium et spes” (40 b))
“O CRISTO Senhor fundou uma só e única Igreja”. (“Untatis Redint gratio” (1a))
“Ele fundou sua Igreja como o Sacramento da salvação”. (“Adgentes” (5a))
“(…) Jesus aponta Sua Igreja como caminho normativo. Não fica, pois, à discrição do homem o aceita-la ou não, sem conseqüências”. (Puebla – 1979)
“De nossa análise consta que a autêntica Igreja não pode ser entendida como uma utopia que visaria atingir todas as “Comunidades” hoje divididas e separadas. A verdadeira Igreja, bem como sua unidade, não são exclusivamente uma realidade futura. Elas já se encontram na Igreja Católica, na qual está realmente presente a Igreja de CRISTO”. (Pontifícia Comissão Teologia Internacional – 1984)
“Não se salva, contudo, embora incorporada à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da Igreja com o corpo, mas não com o coração. (…) Se a Ela (os batizados) não correspondem por pensamentos, palavras e obras, longe de se salvarem, serão julgados com maior severidade”. (Lúmen Gentium, nº 14)
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