Vasos Sagrados na celebração da Missa

Resultado de imagem para vasos sagrados da missa

Guía Práctica de Liturgia, Peter J. Elliott, EUNSA, 3ª edición, 1998

90. A celebração da Missa se realiza sempre utilizando os mais belos vasos, paramentos e outros objetos. Estes deveriam ser desenhados conforme os princípios artísticos e culturais da “nobre simplicidade” e da dignidade dos ritos sagrados (Vid. IGMR, nº 287). Os presentes dos artistas da comunidade, a generosidade do povo ou de outros doadores podem oferecer sempre o melhor a Deus.

91. O cálice e a patena é abençoado pelo bispo ou pelo sacerdote segundo o rito descrito no Ritual de Bênçãos (Cf. CO, nº 986 e referências). O cálice deve ser um vaso verdadeiramente belo, uma obra de arte digna de ser oferecida. Em si mesmo é a expressão mais característica da majestade do sacrifício eucarístico. Se é possível, uma igreja deveria ter vários cálices para distintas ocasiões e um maior para as concelebrações (mesmo assim, os cálices que não se usam nunca e não são de nenhum clérigo, deveriam ser restaurados e dados às igrejas pobres).

92. Parece preferível a forma tradicional do cálice: com uma copa adequada, um nó apropriado e uma base muito estável. O cálice que tem esta forma não somente é sempre mais fácil de usar, senão que, além do mais, hoje em dia é um símbolo eucarístico familiar para o povo. Os cálices que parecem objetos seculares podem associar-se a idéias profanas. Um cálice é um vaso sagrado reservado exclusivamente para a Eucaristia.

93. Um cálice de cristal ou de cerâmica se pode romper com suma facilidade e, portanto, se exclui, igual que os de copa de material absorvente ou que se deteriore com facilidade (Vid. IGMR, nn. 290, 291. Os vasos de cristal ou cerâmica são também menos higiênicos e não podem limpar-se adequadamente nas abluções). Por outra parte, parece simples argu­mentar que o celebrante nunca deveria celebrar os Sagrados Mistérios com vasos menos dignos que os que ele utilizaria em sua própria mesa. A “pobreza” artificial dos cálices de madeira ou de barro parecem expre­ssar por si mesmos uma falta de estima pela Eucaristia. Mesmo assim, o uso artístico destes materiais simples para outros objetos de culto podem expressar uma “nobre simplicidade”. O que sempre distinguiu aos vasos eucarísticos é que, em parte, se identifica que são vasos sagrados por ser de um material especialmente valioso. Os vasos comu­ns nunca se usarão para a Eucaristia (Inaestimabile donum, nº 16; cestas simples e outros vasos utilizados para o uso corrente devem ficar a margem da celebração sagrada; neste sentido se devem descartar taças, copas, pratos, tações, etc).

94. Normalmente se coloca uma cruz na base do cálice para indicar o lado pelo qual o celebrante bebe, simplificando assim as abluções. A tradição de dourar o interior da copa é muito recomendável e tem também vantagens práticas para a limpeza do cálice (Cf. IGMR, nº 294. Os vasos sagrados deverão ser lavados regularmente com sabão e água quente). Como parte do cuidado dos vasos, o sacerdote vigiará que a copa volte a ser dourada quando seja necessário.

95. Há uma maior liberdade na escolha da forma e do material da patena, o cibório e a píxide. A diferença do cálice, podem fazer-se também de outros materiais, segundo sejam mais estimados em cada região, por exemplo: marfim ou algumas madeiras nobres com tal de que sirvam para o uso sagrado (IGMR, nº 292). Em todo caso, deve-se ter em conta os mesmos princípios de valor e dignidade. Se pode favorecer o uso de uma patena grande, mas o sentido comum exclui o emprego de uma fonte. A patena deveria ser feita de um metal fino ou de outro material duradouro e valioso, de modo que se distinga, claramente, pela arte com que está feita, de um prato comum. Um cibório baixo e pouco profundo pode substituir à patena. Deste modo, enquanto que aquele pode ser usado conjuntamente com a patena, um cibório tradicional não seria apropriado para substituir a patena principal porque pode parecer como um segundo cálice.

96. Guiados por São Paulo, um só pão… um só cálice, o ideal é utilizar um único cálice e uma única patena, especialmente nas concelebrações. Mesmo assim, isto não é sempre possível porque numa concelebração maior parece preferível usar um conjunto de cálices do mesmo desenho situando-os convenientemente sobre o altar; não é necessário colocá-los ao redor do cálice principal que está sobre o corporal. Tanto desde um ponto de vista prático como simbólico não parece uma boa solução litúrgica consagrar o vinho numa jarra ((a) As vantagens práticas estão anuladas pelo risco do derrame do Precioso Sangue e da purificação da jarra. (b) Quando se usa com “copas”, a jarra acentua muito a dimensão de comida da Missa e assim no momento da fração ao ver­ter nos cálices se produz uma espécie de repetição da preparação das oferen­das. A jarra é preferida em algumas tradições da Reforma protestante que entendia o cálice como um sinal católico do oferecimento de um sacrifício. Pesando a existência de um antigo precedente, um cálice de tipo “vasilha” cujo conteúdo se verte em “copas” mais pequenas é arriscado e ridículo).

97. O que se disse a propósito do único cálice também se aplica à patena. O ideal é que haja uma só patena para “um só pão”. Na prática, se podem utilizar outras patenas ou cibórios para as celebra­ções maiores. Chegados a este ponto, não merece a pena que um indevido literalismo na interpretação destas indicações possa con­duzir a uma mentalidade pontilhosa. O povo não se distrai pelo núme­ro de vasos sagrados sobre o altar.

98. A píxide que se emprega para levar a Eucaristia aos enfermos e deve ter as proporções adequadas e estar desenhada de modo que possa fechar-se com segurança e que possa purificar-se facilmente. Por tradi­ção, se guarda numa pequena bolsa ou carteira forrada de seda, com um cordão ou corrente, para que possa levar-se discretamente ao redor do pescoço.

99. A finalidade da custódia ou ostensório é prolongar o momento da “exposição” nas elevações, e assim apresentar a Nosso Senhor para que seu povo O adore. A custódia pode adotar formas diversas, sempre com uma meia lua dourada ou um viril para colocar a Hóstia Sagrada durante a exposição, normalmente terá uma portinhola de cristal. Deveria ser um trono glorioso para Nosso Senhor, porque o esplendor do vaso contrasta com a simplicidade da aparência ou espécie do pão, mediante o qual nos é apresentado para que Lhe adoremos. Uma custódia pequena ou insignificante não basta para ressaltar a Hóstia. É costume cobrir com um véu leve ou um fundo branco a custódia quando não se utilize. No sacrário, a Hóstia no viril se guarda numa píxide grande.

100. Os vasos para os santos óleos ou crismeiras podem ser de duas formas: os maiores servem para guardar os óleos na igreja, e os pequenos, para a administração dos sacramentos. Quando um pároco recebe estes óleos de seu bispo, teria que guardá-los com diligência em lugar decoroso (CIC, cânon 847 § 2). Portanto, devem ser cuidados os óleos não só por sua segurança senão também por seu significado, guardando-os preferivelmente num armário ou numa urna nobre no batistério ou na sacristia. Não arde nenhuma lâmpada ante os óleos. Ainda que os vasos pequenos de forma tubular e com três seções claramente diferenciadas são muito práti­cos, é preferível um vaso mais artístico para a celebração litúrgica solene dos sacramentos na igreja.

Publicado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Magnificat anima mea Dominum
Inquisição on Line
Curso de liturgia da Santa Missa // Padre Paulo Ricardo // Parte 1
Curso de liturgia da Santa Missa // Padre Paulo Ricardo // Parte 2
Curso de liturgia da Santa Missa // Padre Paulo Ricardo // Parte 3
Curso de liturgia da Santa Missa // Padre Paulo Ricardo // Parte 4
Catecismo de Adultos – Aula 01 – A Revelação Divina – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 02 – O Modernismo, o problema atual na Igreja – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 03 – Deus Uno e Trino – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 04 – A Criação em geral e os anjos – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 05 – Os anjos e o homem – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 06 – A Teoria da Evolução contra a Ciência e a Filosofia – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 07 – Cristo Nosso Senhor e Maria Santíssima – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 08 – Aula 08 – O modo de vida de Jesus Cristo – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 09 – As perfeições de Cristo e a Paixão – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 10 – A Cruz, os infernos e a Ressurreição de Cristo – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 11 – A Ascensão, os juízos particular e final, e o Espírito Santo – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 12 – Como saber qual a verdadeira Igreja de Cristo? – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 13 – A Igreja Católica e a Salvação – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 14 – A Infalibilidade da Igreja e a união da Igreja e do Estado – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 15 – Da comunhão dos santos à vida eterna – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 16 – Os princípios da oração – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 17 – Como rezar bem? – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 18 – Os tipos de oração – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 19 – O Pai Nosso – Padre Daniel Pinheiro

 

Catecismo de Adultos – Aula 20 – A Ave Maria e o Santo Terço – Padre Daniel Pinheiro

 

Catecismo de Adultos – Aula 21 – A Meditação Católica – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 22 – Introdução à moral católica: uma moral das virtudes – Padre Daniel Pinheiro
Lutero e o Protestantismo: A História da Reforma – Profa. Dra. Laura Palma
Lutero e o Protestantismo: Vida de Lutero – Prof. André Melo
Lutero e o Protestantismo: Sola Scriptura – Profa. Dra. Ivone Fedeli
Lutero e o Protestantismo: Sola Fide – Prof. Marcelo Andrade
Lutero e o Protestantismo: Sola Gratia – Pe. Edivaldo Oliveira
Mídia Católica
Atualizações
Translator
Italy
Calendário
novembro 2017
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  
Visitantes
  • 5.032.553 acessos desde 01/05/2011
religião e espiritualidade
religião e espiritualidade
Categorias
Links
%d blogueiros gostam disto: