O Nome de Deus

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Quando Deus Se revelou a Moisés, este perguntou a Ele qual o Seu nome. Deus respondeu: Eu sou O que sou (tradução da Vulgata pelo Pe. Mattos Soares). Este nome, traduzido como “Eu sou O que sou”, é uma tradução do hebraico, do chamado Tetragrama, o Nome Inefável de Deus. É uma palavra hebraica com quatro letras: Yud-Hei-Vav-Hei. Esta palavra é uma forma arcaica do verbo “Ser” em hebraico. Devemos notar que o hebraico normalmente não apresenta o verbo “ser” no presente, já que apenas Deus É. Assim, em hebraico, dizemos “eu brasileiro”, não “eu sou brasileiro”, “Maria linda moça”, não “Maria é uma linda moça”.

Os judeus sempre tiveram um saudável respeito ao nome de Deus. O Tetragrama nunca é pronunciado pelos judeus; apenas o Sumo-Sacerdote, uma vez por ano (no dia de Yom Kippur), entrava no Santo dos Santos do Templo e sussurrava o nome. Isto era visto como algo extremamente perigoso, e na verdade o era. O Sumo-Sacerdote entrava no Santo dos Santos com uma corda amarrada no pé, para ser puxado para fora em caso de morrer lá dentro, o que certamente ocorreria se ele estivesse impuro. Foi esse aliás o fim de muitos Sumo-Sacerdotes judeus.

Para evitar pronunciar o nome de Deus, os judeus, ao lerem as Escrituras, pronunciam no lugar do Tetragrama a palavra “Adonai”, que significa “Senhor”. Aliás esta também é a Tradição católica; qualquer tradução católica mais antiga da Bíblia usará “O Senhor” quando no texto hebraico encontramos o Tetragrama, e “Deus” quando encontramos o Nome “Elohim” (outro nome de Deus, designando a Sua Misericórdia, como o Tetragrama designa a Sua Justiça).

Mas o respeito dos judeus vai mais longe; eles não usam a palavra “Adonai”, ou sequer a palavra “Elohim” ao falar de Deus fora da oração. Se for necessário traçar a diferença entre uma e outra (como ao comentar a oração ou um texto bíblico), eles dizem “Adokai” ou “Elokim”. Ao tratar de Deus em outras ocasiões, normalmente são usadas as expressões “Cadoch Barurrú” (que pode ser traduzida como “O Santo, louvado seja Ele”) ou simplesmente “Rachem”, que significa “O Nome”. Estas pronúncias são transliterações para o sotaque carioca, com “R” soando aspirado, como o “H” em inglês.

O resultado disso é simples: a verdadeira pronúncia do Nome de Deus foi perdida. Como a língua hebraica não tem vogais (elas são escritas apenas em textos bíblicos, não em jornais ou livros, e são sinais parecidos com nossos acentos, colocados embaixo, em cima e ao lado das letras), qualquer tentativa de pronunciar o Nome de Deus é apenas uma suposição. Pode ser uma suposição educada, lendo-se o Tetragrama como normalmente seriam lidas as sílabas que o compõem em outras palavras, mas será sempre uma suposição.

Para evitar que alguém lesse por engano o Nome de Deus na oração (ao invés de substituí-lo por “Adonai”), os judeus normalmente escrevem as vogais da palavra “Adonai” com as consoantes do Tetragrama. Assim, o Tetragrama aparece cercado por sinais que são as vogais de “Adonai”.

O heresiarca Martinho Lutero, ao fazer a sua tradução da Bíblia no século XVI, pegou um texto hebraico que continha justamente estas vogais em torno das consoantes do Tetragrama, e criou uma palavra que é na verdade composta pelas vogais de “Adonai” combinadas com as consoantes do Tetragrama: Jeová.

Assim, pela ignorância dos costumes judeus, foi introduzido como sendo o nome de Deus algo que na verdade é apenas uma mistura de duas palavras, sendo uma delas o Nome de Deus e a outra uma expressão que significa “O Senhor”. Lutero foi o fundador do protestantismo, e seus discípulos diretos e indiretos levaram adiante este nome falso, que acabou por ser aceito por muitos como sendo a pronúncia correta do Nome de Deus. Os “Testemunhas de Jeová” são simplesmente um ramo do protestantismo que levou às últimas consequências este engano, e dedica-se a propagar pelo mundo este erro de tradução.

Surge então a questão: como deveria ser pronunciado o Nome de Deus?

Se procurarmos a suposição mais bem fundada, pronunciaríamos “Iavé”, ou “Javé” (a maior parte das palavras que começam com um som de “I” em hebraico têm som de “J” em outras línguas, como “Irruchaláim”, em português Jerusalém). Mas o melhor mesmo é nos atermos à tradição da Igreja e dizer sempre “O Senhor”, ou, melhor ainda, Jesus, o Nome acima de qualquer outro nome.

O importante não é pronunciarmos corretamente O Nome, mas sim O glorificarmos por nossos atos e palavras:

Pai Nosso, que estás no Céu,

Santificado seja o Vosso Nome…

Fonte: Site “A hora de São Jerônimo”.

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