A grande dificuldade dos teólogos explicarem a Imaculada Conceição

Immaculate Conception

.

Sabemos que Deus é Onipotente. Logo, podia ter feito Maria sem pecado, era conveniente que o fizesse pois d’Ela nasceria o Verbo, logo Ele A fez sem pecado. Podia, era conveniente, fez.

Com efeito, quem que podendo escolher e criar para si uma mãe não a faria do modo mais perfeito possível? Se nós, criaturas que somos, criaríamos a mãe mais sublime que nos fosse dado cogitar, quanto mais Deus, que é a Perfeição em essência, o faria para Si.

Além disso, como aceitar que o sangue de Jesus tenha brotado de um manancial manchado pelo pecado? Como admitir que a Mãe do Salvador tenha sido escrava de satanás pelo pecado, ainda que por instantes? Se Adão e Eva, responsáveis pelo pecado original e suas catastróficas consequências, foram criados sem pecado, como podia Maria ser criada em estado inferior, Ela que nos trouxe a salvação?

Não apenas Maria foi criada sem pecado e assim permaneceu ao longo de toda sua existência, mas teve logo no primeiro instante uma plenitude de graças que ultrapassa os méritos de todos os homens e Anjos reunidos. Mas porque isso? Por que Deus assim o quis, para manifestar sua grandeza e para mostrar seu senhoril absoluto sobre todas as coisas. A nós basta ter a humildade para reconhecer que “o Poderoso fez em mim maravilhas, grande é o seu nome”. (Lc 1, 49)

Agora passamos a um argumento de razão: a grande dificuldade dos teólogos explicarem a Imaculada Conceição, desde os primeiros tempos da Igreja até século XIII, era conjugar esse privilégio de Maria com a Redenção Universal de Jesus. A crença na Imaculada Conceição era moeda corrente desde sempre, mas ninguém tinha podido explicar até o franciscano João Duns Escoto – filósofo e teólogo medieval – encontrou a chave do problema.

A charada estava num matiz teológico muito simples, ao ponto de ser genial: a Igreja não acha que Nossa Senhora não tenha precisado da redenção, mas sim que foi curada do pecado antes mesmo de contraí-lo, portanto ela é o fruto mais belo do Sacrifício de Cristo, santificado em previsão de sua morte, antes mesmo dele nascer. Portanto, de alguma forma Ela também “pecou em adão”, no sentido de que faz parte da humanidade submetida ao pecado, só que recebeu as graças da redenção já no momento de ser concebida, quando Deus evitou o contágio efetivo do pecado original em sua pessoa. O Beato Escoto diz: a melhor forma de curar é evitar a enfermidade! Foi o argumento decisivo para vencer a famosa disputa de 1307 em Paris, que deu cidadania à tese da Imaculada Conceição no mundo católico.

Quanto ao trecho de São Paulo a que se refere, bem como toda a Escritura, não pode ser lido fora do contexto, sob o risco de fazermos uma interpretação meramente humana, desligada do Espírito Santo. Esse trecho é parte da explicitação que o Apóstolo faz sobre a lei do pecado e da condenação em contraposição à lei da graça, que fora instaurada por Jesus Cristo ao morrer na Cruz. Se seguimos a leitura encontramos: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho […].” (Rm 8, 1-4) Se São Paulo afirma isso em relação a todos os que estão unidos a Cristo, com maior razão deve-se aplicar a Maria, que O deu à luz. “Entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, cheia de graça! O Senhor é contigo. […] O anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. […] Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.” (Lc 1, 28; 30-31; 34-35) Como podia ser chamada “cheia de graça” se n’Ela houvesse alguma mancha de pecado? E se o Espírito Santo a fez conceber milagrosamente sem violar sua integridade, porque não poderia preservá-La do pecado em previsão dos méritos da paixão de Cristo?

A lei do pecado não é maior que o Espírito Santo.

Marcado com:
Publicado em Mariologia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Magnificat anima mea Dominum
Doutrina Católica, Visão de Conjunto e Implicações na Sociedade – Prof. Emerson Takase
Nós Somos a Igreja Católica

 

 

Santa Missa – Passo a Passo

 

Cantar a Liturgia – Padre Anderson Marçal

 

Símbolos na Santa Missa – Prof. Carlos Tadelle
Erros Litúrgicos do Pe. Marcelo Rossi – Dom Armando Bucciol
Padre Demétrio: Os abusos litúrgicos e a riqueza da Santa Missa
Abusos na liturgia da Igreja – Padre Alex
A Missa – O certo e o errado – Padre Raphael
Mariologia – Apresentação
Mariologia – Introdução
Historia da Mariologia
Maria no Antigo Testamento
Maria em Gálatas 4,4 5
Maria em Mateus
Maria em Marcos
Maria nas Sagradas Escrituras do Antigo ao Novo Testamento – Pe. Guido
As Bem-aventuranças e Nossa Senhora – Prof. Lucas Parra
Nossa Senhora Corredentora – Prof. André Melo
O Ministério de Pedro e a Igreja Primitiva
O Pentateuco | Estudo Bíblico com Pe. Guido
Os 7 Livros Sapienciais do Antigo Testamento | Estudo Bíblico Católico com Pe. Guido
Os Livros Proféticos do Antigo Testamento | Estudo Bíblico Católico com Pe. Guido
Os Evangelhos na História da Igreja
Evangelho de Mateus | Estudo Bíblico Católico com Frei Diones Rafael Paganotto
Evangelho de Marcos | Estudo Bíblico Católico com Frei Diones Rafael Paganotto
Evangelho de Lucas | Estudo Bíblico Católico com Frei Diones Rafael Paganotto

 

 

Evangelho de João | Estudo Bíblico Católico com Frei Diones Rafael Paganotto

 

Atos dos Apóstolos | Estudo Bíblico Católico com Pe. Guido
Cartas de São Pedro | Estudos Bíblicos com Pe. Guido
Cartas de São Paulo | Estudos Bíblicos com Pe. Guido 1/3
Cartas de São Paulo | Estudos Bíblicos com Pe. Guido 2/3
Cartas de São Paulo | Estudos Bíblicos com Pe. Guido 3/3
Cartas de São Paulo | Introdução | Estudo Bíblico com Frei Diones Rafael Paganotto
Cartas de São Paulo | Corpus Paulinum | Estudo Bíblico com Frei Diones Rafael Paganotto
Cartas de São Paulo | 1 Tessalonicenses | Estudo Bíblico com Frei Diones Rafael Paganotto
Cartas de São Paulo | 1 Coríntios | Estudo Bíblico com Frei Diones Rafael Paganotto
Cartas de São Paulo | 1 Coríntios | Estudo Bíblico com Frei Diones Rafael Paganotto

 

Cartas de São Paulo | Gálatas | Estudo Bíblico com Frei Diones Rafael Paganotto
Cartas de São Paulo | Cartas Pastorais 1 | Estudo Bíblico com Frei Diones Rafael Paganotto
Cartas de São Paulo | Cartas Pastorais 2 | Estudo Bíblico com Frei Diones Rafael Paganotto
Apocalipse: o Livro Profético do Novo Testamento | Estudo Bíblico Católico com Pe. Guido
Apocalipse | Estudo Bíblico Católico com Frei Diones Rafael Paganotto

 

 

 

Sagrada Tradição da Igreja – Professor Felipe Aquino
Sagrado Magistério da Igreja – Professor Felipe Aquino
Breve comentário sobre a História da Igreja | Prof. Felipe Aquino
O Santo Terço Explicado – Professor Carlos Ramalhete

 

Doutrina Social da Igreja (introdução) – Padre Douglas Pinheiro Lima

 

Curso de liturgia da Santa Missa // Padre Paulo Ricardo // Parte 1
Curso de liturgia da Santa Missa // Padre Paulo Ricardo // Parte 2
Curso de liturgia da Santa Missa // Padre Paulo Ricardo // Parte 3
Curso de liturgia da Santa Missa // Padre Paulo Ricardo // Parte 4
Introdução ao estudo dos Dogmas da Igreja Católica – Márcio Carvalho
Grandes Heresias da História da Igreja – Pe. Guido
Catecismo de Adultos – Aula 01 – A Revelação Divina – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 02 – O Modernismo, o problema atual na Igreja – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 03 – Deus Uno e Trino – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 04 – A Criação em geral e os anjos – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 05 – Os anjos e o homem – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 06 – A Teoria da Evolução contra a Ciência e a Filosofia – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 07 – Cristo Nosso Senhor e Maria Santíssima – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 08 – Aula 08 – O modo de vida de Jesus Cristo – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 09 – As perfeições de Cristo e a Paixão – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 10 – A Cruz, os infernos e a Ressurreição de Cristo – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 11 – A Ascensão, os juízos particular e final, e o Espírito Santo – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 12 – Como saber qual a verdadeira Igreja de Cristo? – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 13 – A Igreja Católica e a Salvação – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 14 – A Infalibilidade da Igreja e a união da Igreja e do Estado – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 15 – Da comunhão dos santos à vida eterna – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 16 – Os princípios da oração – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 17 – Como rezar bem? – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 18 – Os tipos de oração – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 19 – O Pai Nosso – Padre Daniel Pinheiro

 

Catecismo de Adultos – Aula 20 – A Ave Maria e o Santo Terço – Padre Daniel Pinheiro

 

Catecismo de Adultos – Aula 21 – A Meditação Católica – Padre Daniel Pinheiro
Catecismo de Adultos – Aula 22 – Introdução à moral católica: uma moral das virtudes – Padre Daniel Pinheiro
Lutero e o Protestantismo: A História da Reforma – Profa. Dra. Laura Palma
Lutero e o Protestantismo: Vida de Lutero – Prof. André Melo
Lutero e o Protestantismo: Sola Scriptura – Profa. Dra. Ivone Fedeli
Lutero e o Protestantismo: Sola Fide – Prof. Marcelo Andrade
Lutero e o Protestantismo: Sola Gratia – Pe. Edivaldo Oliveira
Mídia Católica
Atualizações
Translator
Italy
Calendário
abril 2015
D S T Q Q S S
« mar   maio »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  
Visitantes
  • 3.595.841 acessos desde 01/05/2011
religião e espiritualidade
religião e espiritualidade
Categorias
Links
%d blogueiros gostam disto: