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A IMACULADA E SUA PURIFICAÇÃO

                                                        

A Igreja crê que Maria Santíssima foi preservada de todo o pecado por intermédio dos méritos de Jesus Cristo nosso Salvador. O catecismo ensina que:

CIC 492Esta santidade resplandece, absolutamente única da qual Maria é “enriquecida desde o primeiro instante de sua conceição” lhe vem inteiramente de Cristo: “Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime. Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a “abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo” (Ef 1,3).

Isto é, o que professamos é que Maria foi salva pelo Senhor em vista de sua preservação do pecado. E por quê? Pois bem, a Igreja sempre entendeu que Jesus, por ser o Emanuel, Deus conosco (Mt 1,23) e Ele não possuir pecado, deveria ter nascido de um útero sem a mácula de Adão e é nesse sentido que cremos que Maria não foi tomada pelo pecado e foi a primeira a ser “Igreja”, por abrigar o Cristo em seu seio e a primeira cristã por aceitar a obra que o Pai estava consolidando em sua vida (Lc 1,38).

A mãe do salvador (Lc 1,23) foi à criatura preparada para ser a personificação da “nova arca da aliança”. A arca mencionada no antigo testamento inicialmente esteve no tabernáculo erguido por Moisés (Ex 26,33) e posteriormente no Templo construído por Salomão (II Cr 5,7-8). No interior da Arca, existiam as tabuas da Lei (II Cr 5,10). Para manifestar seu poder e sua glória, Deus tomava posse desses lugares de culto através de sua nuvem ou “sombra” (Ex 40,34 / II Cr 5,13-14) e ali, perante a Arca Ele se fazia presente (II Sm 7,18). Em Maria, sucederam as mesmas coisas. A sombra de Altíssimo encheu com sua glória o ventre de Maria (Lc 1,35) e Deus ali se manifestou (Lc 1,32). Dentro da virgem estava a nova aliança que surgiria para salvar o povo (Mt 26,28).

Embora as sagradas escrituras não mencionem qualquer pecado que Maria Santíssima tenha cometido, um relato no evangelho de Lucas nos causa espanto, já que, após dar a luz a um menino, segundo a lei de Moisés, a mulher era considerada impura (Lv 12,2).

Assim diz as escrituras:

Lc 2,22E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor

Por conta dessa passagem, há quem diga que a virgem tivesse possuído pecados já que ela seria considerada impura após o parto, entretanto, devemos fazer algumas considerações pertinentes a essa narrativa para entendermos se de fato sua impureza se tratava de uma possível natureza pecaminosa ou, uma ação que deveria ser feita por conta das obras da lei (Gl 2,16).

MARIA E JESUS ESTAVAM SOB A LEI

Quando a Virgem deu a luz ao Salvador, tanto ela quanto o Cristo estavam sob as regras da lei de Moisés, isto é, independente de Jesus ser Deus e independente de Maria ser a mãe do Salvador, ambos deveriam se sujeitar as normas impostas, mesmo que em alguns casos elas não fossem aplicadas, por exemplo, a Jesus que é Deus e por ser ele o “verbo encarnado” (Jo 1,1), o mesmo estaria acima de qualquer lei ou determinação humana.

Mas, sabemos que o Messias se sujeitou as nossas condições e por esse motivo, viveu etapas da vida de um homem comum para a época. Ele não precisaria se submeter a essas “leis”; as fez por amor e por um exemplo a ser seguido. Sendo assim, faço as seguintes perguntas:

  • Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria ser “circuncidado” no oitavo dia? (Lc 2,21);
  • Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria se “submeter” aos cuidados de Maria durante trinta anos, já que seu ministério iniciou após essa idade? (Lc 3,23);
  • Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria de uma profissão formal para se manter? (Mc 6,3);
  • Jesus Cristo, sendo Deus e livre de qualquer pecado, precisaria ser Batizado? (Mt 3.13);
  • Embora a gravidez de Maria Santíssima tenha sido por obra de Deus, já que ela concebeu sem conhecer homem algum (Lc 1,34), Jesus Cristo, sendo Divino, poderia vir ao mundo por muitas outras formas para nos salvar?
  • Haveria a necessidade que a Virgem apresentasse Jesus Cristo no templo, mesmo ELE sendo Deus? (Lc 2.22).

As respostas para as questões acima são simples por entendermos a grandeza do mistério de Cristo. Jesus não precisaria passar por nenhuma dessas etapas por ser o próprio Deus, porém, Ele quis que assim fosse, pois, o Salvador se fez como nós para que fossemos libertos do pecado por sua morte na cruz. E o que isso tem a ver com Maria? Bom, o fato da Mãe do Cristo ter passado por um processo de “purificação” não demonstra que ela tinha pecados e sim, que estava sob a lei, assim como Jesus estava.

Jesus sendo Deus, não precisava se sujeitar a lei, mas, por humildade se sujeitou. Maria sendo a Mãe de Deus e imaculada por conta dos méritos de seu filho que a salvou, também se sujeitou a lei com muita humildade e viveu o seu tempo de “purificação” assim como seus antepassados.

Para os menos avisados, a Igreja Católica comemora com festa o dia da “purificação de Nossa Senhora”.

http://www.montfort.org.br/domingo-2-de-fevereiro-purificacao-de-nossa-senhora/

Paz e bem a todos!

 
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Publicado por em 31/10/2014 em Uncategorized

 

Refutando o “reverendo” Augustus Nicodemus

https://www.youtube.com/watch?v=dEmA1b3FU9E

Antes de iniciar a leitura do artigo, assista ao vídeo do link acima.

A palavra oferecida à fé de Maria dá seu fruto no seio que a acolhe (1). É impossível dizer que Maria tenha sido uma simples mulher. Diferente de todas as figuras bíblicas que lemos em toda a trajetória no velho e novo testamento, a “Mãe da Igreja” (CIC 963) foi à única que cooperou de forma eficaz para a salvação da humanidade uma vez que, deu a Luz ao próprio Deus. Moisés, Davi, os profetas, tiveram participação importantíssima em todo o plano salvífico de Deus, mas, foi nela que a promessa foi concretizada na “plenitude dos tempos” (Gl 4,4-5), pois, a profecia vétero-testamentária estava ligada a virgem:

Is 7,14Pois sabeis que o Senhor mesmo vos dará um sinal. Eis que a virgem está grávida e dará à luz um filho e dar-lhe-á o nome de Emanuel.

Maria foi preparada por Deus para herdar em seu ventre imaculado o próprio verbo de Deus (Jo 1,1). Para tanto, como confirmação dessa verdade, o anuncio do Anjo Gabriel revela o que Maria possuía de “diferente” para receber tal missão:

Lc 1,28Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!

Nossa Senhora foi “repleta do favor divino”, mas, será que ela realmente era cheia de graça? O vídeo do pastor presbiteriano Augustus Nicodemus diz o contrário daquilo que a Igreja Católica sempre preservou e para afirmar sua tese, ele procura utilizar (ou tentar) os escritos originais (grego).

Para facilitar a compreensão, separei por tópicos suas afirmações no vídeo do link acima e responderei cada uma seguindo sua sequencia.

1 – “A expressão muito favorecida é uma palavra grega só, que significa agraciada, aquela que recebeu graça, que é repetido no verso trinta quanto o Anjo diz a Maria “Não temas porque achaste graça”. Graça aqui é favor diante de Deus”.

Inicialmente, o reverendo Augustus já comente um pequeno deslize afirmando que a palavra grega traduzida como “agraciada” se repete no verso trinta do evangelho. Na passagem de Lucas 1,28 o termo que define Maria como agraciada / cheia de graça é o κεχαριτωμένη:

Lc 1,28 (Bíblia de Jerusalém) – Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te cheia de graça, o Senhor está contigo”!

Lc 1,28 (Texto Católico) – καὶ εἰσελθὼν πρὸς αὐτὴν εἶπεν, χαῖρε, κεχαριτωμένη, ὁ κύριος μετὰ σοῦ.

Lc 1,28 (Texto protestante) και εισελθων ο αγγελος προς αυτην ειπεν χαιρε κεχαριτωμενη ο κυριος μετα σου ευλογημενη συ εν γυναιξιν

Esse termo se trata de um vocativo, pois, Gabriel dizendo que a virgem era “agraciada” ele indicava que a palavra estava sendo dirigida a ela sem que tenha que citar seu nome. O que me chama atenção no vídeo é que o pastor não se atentou que é a única vez em toda a escritura que esse termo é empregado. Lucas o reservou exclusivamente para Maria, para assim indicar o quão importante significava aquela “graça” que foi recebida de Deus.

Já no verso trinta, o termo encontrado para determinar “achar graça” é ευρες γαρ χαριν:

Lc 1,30 (Bíblia de Jerusalém) – O anjo, porém, acrescentou: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus”.

Lc 1,30 (Texto Católico) – καὶ εἶπεν ὁ ἄγγελος αὐτῇ, μὴ φοβοῦ, μαριάμ, ερες γρ χάριν παρὰ τῶ θεῶ·

Lc 1,30 (Texto protestante) – και ειπεν ο αγγελος αυτη μη φοβου μαριαμ ευρες γαρ χαριν παρα τω θεω

Tal expressão utilizada pelo anjo é usada para Moisés e encontramos termo semelhante para Noé no velho testamento:

Gn 6, 8 – Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.

Gn 6, 8 – Νωε δὲ ερεν χριν ἐναντίον κυρίου τοῦ θεοῦ

Ex 33,17 Iahweh disse a Moisés: “Farei ainda o que disseste, porque encontraste graça aos meus olhos e conheço-te pelo nome”.

Ex 33,17καὶ εἶπεν κύριος πρὸς Μωυσῆν καὶ τοῦτόν σοι τὸν λόγον ὃν εἴρηκας ποιήσω ερηκας γρ χριν ἐνώπιόν μου καὶ οἶδά σε παρὰ πάντας

Isto é, além do termo de Lucas 1,28 não ser o mesmo usado no verso trinta, vemos que aqui o evangelista procura apresentar Maria como uma continuidade dos antigos heróis que foram responsáveis pela manutenção do povo de Deus. De Noé, nasceria uma nação que povoaria a terra após o dilúvio, de Moisés, o povo renasceria saindo do Egito e de Maria, uma Igreja nasceria por meio de Jesus Cristo. Embora a tradução portuguesa equipare os termos os denominando “graça”, uma verificação rápida nos originais nos permite afirmar que a profundidade dos termos gregos nos faz entender o porquê Maria é plenamente agraciada por Deus. 

2 – “Essa mesma palavra que aparece no verso vinte e oito, ‘muita favorecida’, ela aparece no texto de Efésios capítulo um verso seis que inclusive nós lemos na liturgia de hoje, quando Paulo diz que “Deus nos concedeu a sua graça em Jesus”. A palavra conceder é a mesma palavra no original que aparece aqui. A mesma palavra que é usada para Maria é usada para os crentes”.

Primeiro que em nenhum momento dos dois versos (28 e 30) do evangelho lemos alguma palavra mencionada como “conceder”. O anjo a saúda chamando-a de “agraciada” e posteriormente menciona que nela foi “achado graça”, mas, concedida, não há. Aqui, eu só posso dizer como um protestante: “Errais por não conhecer as escrituras” (Mt 22,29). Como já escrevi, o termo que designa a graça de Maria no verso vinte e oito de Lucas é o vocativo κεχαριτωμένη, isto é, é impossível que ele apareça na epístola aos Efésios já que essa palavra só aparece esta única vez em toda a literatura bíblica, aplicada neste contexto para a mãe do Cristo. 

Em Efésios encontramos outra palavra que vem a ser a χάριτον que indica que foi com a graça de Deus que vem da sua glória que Ele nos agraciou:

Ef 1,6 (Bíblia de Jerusalém) – Para louvor e glória da sua graça com o qual ele nos agraciou no Amado.

Ef 1,6 (Texto Católico) – εἰς ἔπαινον δόξης τῆς χάριτος αὐτοῦ ἧς ἐχαρίτωσεν ἡμᾶς ἐν τῶ ἠγαπημένῳ.

Ef 1,6 (Texto Protestante) – εις επαινον δοξης της χαριτος αυτου εν η εχαριτωσεν ημας εν τω ηγαπημενω.

Curiosamente, essa expressão só aparece neste texto de Efésios, isto é, esse termo é encontrado uma única vez no novo testamento fazendo referencia a graça de Deus derramada sobre a Igreja, sendo assim, as palavras que aparecem nos textos originais não condizem com a afirmação do pastor que quer determinar uma única palavra para todas as passagens. Maria foi “cumulada de graça por Deus” e é nítido que a causa da aplicação de termos distintos é propositalmente para indicar essa diferença.

3 – “Infelizmente, a tradução latina do grego da vulgata, que é a Bíblia adotada pela Igreja Católica, quando traduziu isso aqui, em vez de agraciada, traduziu como “Maria cheia de graça”. É isso que você tem no latim, na vulgata latina. E como resultado, da a impressão que Maria, não recebeu um favor de Deus, mas que ela era naturalmente uma pessoa cheia de graça de Deus, sempre foi de uma maneira especial, quando na verdade o texto está dizendo que a graça foi o fato de que ela recebeu de Deus o privilégio de dar a luz ao filho de Deus (…). Não é que ela era uma pessoa agraciada acima das outras (…). 

De fato, a tradução da vulgata que corresponde a “gratia plena” não corresponde satisfatoriamente ao significado da tradução correta que vem a ser “agraciada”, entretanto, isso não significa que “infelizmente” São Jerônimo tenha se equivocado, pelo contrário. O uso da expressão “cheia de graça” nos permite uma análise profunda no mistério que envolve Maria na economia da salvação. O mesmo Lucas que escreve que Maria é “agraciada”, chama Estevão de “cheio de graça” (At 6,8) e para tanto, recorre a expressões diferentes. Para a virgem, o termo é único e reservado exclusivamente a ela na literatura sagrada.

Maria recebeu um favor de Deus. A graça é um favor imerecido e a Virgem era “naturalmente” cheia da graça do altíssimo porque Ele mesmo assim a fez. A interpretação falha do pastor presbiteriano faz com que ele não perceba que se Maria “encontrou graça diante de Deus”, é devido a uma ação prévia do Senhor que a agraciou e é por isso que ela é chamada de agraciada pelo anjo, já que ela foi transformada pela graça, já que ela foi cumulada por essa graça santificadora que a tornou dona da maternidade messiânica. Assim como Jacó foi escolhido antes mesmo do seu nascimento (Rm 9,11-13), Maria foi inundada pela graça para tal vocação. Ela não seria preparada, mas, já estava. A graça de Deus já refletia em sua santidade.

O pastor Augustus Nicodemus diz que Maria não estava acima das outras criaturas. Ora, dar a luz ao próprio Deus, não caracteriza um mérito maior do que os outros salvadores de Israel? Se até Salomão foi único por não existir sobre a terra outro homem com sua sabedoria (I Rs 4,30-31) quem dirá de Maria, que deu a luz a própria sabedoria de Deus, ao próprio verbo.  A própria escritura atesta isto ao narrar às palavras do Anjo: “Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1,28).

Sendo assim, é óbvio dizer que Maria foi à criatura mais sublime da criação divina, pois, ela deu a luz ao próprio SENHOR.

4 – CONCLUSÃO

Infelizmente o protestantismo não reconhece em Maria o canal utilizado por Deus Pai para que a salvação chegasse até nós.

Diferente dos (de)reformadores que mesmo após a ruptura, ainda sim, mantiveram opiniões católicas, o Pastor Nicodemus foge de tudo aquilo que a história crê e para sustentar sua crença, busca alternativas na língua grega, porém, erra por desconhecer suas próprias palavras.

Paz e bem a todos!

BIBLIOGRAFIA

(1) R. Meynet, Quelle est donc cette parole? Lecture “rhétorique” de Évangile de Luc (1-9,22-24) (Cerf, Paris 1979), 155.

Paredes, José Cristo Rey García – Mariologia: Síntese bíblica, histórica e sistemática; Editora Ave Maria.

Bíblia de Jerusalém – Editora Paulus.

http://www.bibliacatolica.com.br/septuaginta/

http://biblia.gospelprime.com.br/receptus/

 
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Publicado por em 31/10/2014 em Uncategorized

 

IMORTALIDADE DA ALMA


O que as sagradas escrituras ensinam?

A Bíblia é recheada de afirmações a respeito da alma imortal. Embora o velho testamento não tenha uma alusão clara sobre esse tema (tendo em vista que a revelação não estava concluída) o novo testamento apresenta provas de que após a morte o espírito preserva suas faculdades e lembranças. Na transfiguração de Cristo, Moisés que já havia morrido, aparece ao Senhor e tinha consciência das coisas que se passavam (Mc 9,4). O apostolo Paulo escreve aos Filipenses que embora na carne o evangelho de Cristo tenha se fortificado, seu desejo era partir para estar com o Senhor:

Fp 1,23Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. 

Assim como diz na segunda carta aos Coríntios que tem o desejo de deixar o corpo para habitar com o Senhor:

II Cor 5,8-9Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor. Pois que muito desejamos também ser-lhe agradáveis, quer presentes, quer ausentes.


O que a Sagrada Tradição ensina?

A história da Igreja confirma aquilo que os apóstolos acreditavam: que após a morte, encontramos o Senhor e esse estado caracterizado como “intermediário” prefigura o aguardo dos justos (ou injustos / Hades) pela tão aguardada ressurreição. Irineu de Lião (180) escreveu em seu livro “Contra as Heresias” que o Senhor deixou claro o ensino a respeito das almas após a morte:

Contra as Heresias, pg. 239, Livro II / 34.1 – “O Senhor ensinou de forma clara que as almas não só perduram sem passar de corpo em corpo, mas conservam imutadas as características dos corpos em que foram colocadas e se lembram das ações que fizeram aqui na terra e das que deixaram de fazer”.


Eusébio, importante historiador da Igreja, deixou claro em um de seus escritos que a “morte” ou “sono” da alma era uma doutrina alheia à verdade:

História Eclesiástica, pg. 322, divergência dos árabes / cap 37 – “Apareceram ainda, na Arábia, no tempo a que nos referimos, introdutores de uma doutrina alheia a verdade. Asseveravam que a alma humana neste mundo, no momento final provisoriamente morre com o corpo e com ele se corrompe, mas no futuro, por ocasião da ressurreição, com ele reviverá. Então, foi convocado um IMPORTANTE concílio” 

 
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INTERCESSÃO DOS SANTOS E ANJOS


O que as sagradas escrituras ensinam?

Os santos estão no céu e por nós intercedem incessantemente. Pouco antes do advento de Jesus Cristo, lemos um relado interessante no livro de Macabeus onde Jeremias que já estava morto, intercedia muito pela cidade santa e pelo povo judeu (II Mac 15,12), assim como lemos no livro de Tobias que um dos sete anjos (Rafael) que assiste perante o Senhor (Ap 8,2) intercedia por Tobias (Tb 12,12). No livro de Genesis, lemos que o sangue de Abel, que havia morrido, clamava a Deus (Gn 4,10). Já no novo testamento, possuímos vários testemunhos de que aqueles que morrem em estado de graça intercedem pelos vivos. Em Hebreus, lemos que existe uma nuvem de testemunhas (santos) que nos rodeia (Hb 12,1), sendo que esses espíritos aperfeiçoados fazem parte da Igreja celeste (Hb 12,22-23). Lemos em Apocalipse que as almas dos justos “clamam a Deus por justiça” (Ap 6,9-10).

É verdadeiramente claro que as sagradas escrituras manifestam essa possibilidade.

O que a Sagrada Tradição ensina? 

A Sagrada Tradição, por sua vez, manifesta o que a patrística sempre entendeu: que os espíritos aperfeiçoados (Hb 12,22-23) intercedem pela Igreja. Vejamos alguns relatos da tradição que corrobora com a bíblia:

Orígenes (185-254 d.C. – Da Oração) – “O Pontífice não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos justos também se unem a eles na oração.” 

Cipriano de Cartago, 200-258 – Epístola 57 – “Se um de nós partirmos primeiro deste mundo, não cesse as nossas orações pelos irmãos”.

Santo Hilário de Poitiers, 310-367 – “Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fieis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos, nem a proteção dos santos”.

São Cirilo de Jerusalém, 315-386, Catequeses Mistagógicas – “Em seguida (oração eucarística), mencionamos os que já partiram: primeiro os patriarcas, profetas, apóstolos e mártires, para que Deus, em virtude de suas preces e intercessões, receba nossa oração”. 

 
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Publicado por em 31/10/2014 em Uncategorized

 

UTILIZAÇÃO DE IMAGENS

O que as sagradas escrituras ensinam?

Ao contrário do que muitos pensam, o uso de imagens por parte da Igreja não foi um costume adotado do paganismo. É claro que analisando o contexto histórico que o cristianismo cresceu, veremos que  algumas culturas foram cristianizadas e a aderência de ícones e imagens passou a ter uma grande receptividade no seio da comunidade, entretanto, é importante salientar que a veneração de imagens, começou muito antes do advento de Cristo. A religião judaica fazia grande uso desses objetos, que para os judeus, retratavam um modelo do paraíso (Ex 25,40; Hb 8,5) que foi consagrado (Ex 40,9) e um local onde Deus habitava (Ex 25,8; Ex 40,34). Sendo assim, quais eram as imagens que faziam parte desse templo? Veremos abaixo, que tanto o tabernáculo construído por Moisés, quanto o templo erguido por Salomão possuíam muitas imagens!

TABERNÁCULO

  • Cortinas e véus do templo pintados com imagens de querubins (Ex 26,1; 26,31);
  • Duas imagens de querubins no propiciatório da arca (Ex 25,18).

TEMPLO

  • Duas imagens de querubins no oráculo (I Rs 6,23);
  • Paredes (Internas e Externas) estavam entalhadas de anjos e palmas (I Rs 6,29);
  • Portas entalhadas e cobertas de ouro com querubins, palmas e flores (I Rs 6,32);
  • Almofadas e Juntas continham imagens de leões, bois e querubins (I Rs 7,29);
  • Na placa do templo haviam lavrados querubins, leões e palmas (I Rs 7,36);
  • Acima da porta, no interior do templo e por toda a parte, estavam coberto por figuras (Ez 41,17);
  • Dois querubins esculpidos da seguinte forma: um lado da face era humano e o outro lado era de um leão (Ez 41,18-19);
  • Na parede do templo, do piso até a porta, mais representações de querubins (Ez 41,20);
  • Outras por todas do templo que continham figuras de querubins (Ez 41,25);
  • Figuras de bois (II Cr 4,3);
  • Doze imagens de Bois que estavam apontados para locais distintos (II Cr 4,4)

 COBRA ERGUIDA POR MOISÉS

Além de tantos exemplos colocados, ainda possuímos a passagem onde Moisés constrói uma serpente de metal para curar o povo Deus. Todo aquele que olhasse para a cobra, era curado da “picada”.

Nm 21,8 - E Iahweh respondeu-lhe: “Faze uma serpente abrasadora e coloca-a em uma haste. Todo aquele que for mordido e a contemplar viverá”

O que a Sagrada Tradição ensina?

Desde o início da era cristã, o uso de imagens era amplamente difundido (basta verificar as catacumbas do primeiro século), não só por ascender aos olhos detalhes do que seria o paraíso (Hb 8,5), mas sim por funções catequéticas onde a imagem ensinava os menos instruídos. Aquilo que a bíblia ensinava pelo ler, a imagem evangelizava por cores. O segundo concílio de Nicéia (787) confirmou a fé católica, reafirmando a crença na veneração das imagens.

Assim ensina o catecismo da Igreja Católica:

CIC 1161“Na trilha da doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres, e da Tradição da Igreja Católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda a certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como a representação da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, quanto a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos”.

Assim os padres ensinaram:

Gregório de Nissa – “O desenho mudo sabe falar sobre paredes das Igrejas e ajuda grandemente”

João Damasceno – “O que a bíblia é para os que sabem ler, a imagem é para os iletrados”. 

 
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DOGMAS MARIANOS

 

Maternidade Divina

O que as sagradas escrituras ensinam?

Jesus Cristo, ao se encarnar no seu da virgem Maria, preservou sua divindade e por esse motivo é ponto de fé de qualquer cristão assumir e crer que Nosso Senhor, enquanto esteve no corpo foi 100% homem e 100 % Deus. Por esse motivo, a Igreja crê que Nossa Senhora, pelos méritos de sua santidade foi agraciada com a maternidade divina. Não porque ela seja Mãe de Deus segundo a eternidade, mas sim, porque gerou o “Emanuel – Deus Conosco (Mt 1,23)”, o “Verbo de Deus (Jo 1,1 e 1,14)”, aquele que é o “Deus de Isaque, Abraão e Jacó (Mt 22,32)”

Maria cooperou no plano de salvação, já que com o seu sim generoso (Lc 1,38), abriu as portas para que o redentor entrasse no mundo. Maria “advogou” o pecado de Eva. Assim como o pecado entrou no mundo através da desobediência de uma mulher, a salvação chegou até nós por meio da obediência de Maria.

Dessa forma, lemos que Maria Santíssima ao visitar sua parenta Isabel (Lc 1,41) foi chamada por ela de “Mãe do meu Senhor (Lc 1,43)”. Esse pequeno trecho das sagradas escrituras constituem um dos dogmas marianos mais importantes da Igreja, já que confirma que Maria sendo verdadeiramente a Mãe do Senhor (Deus), verdadeiramente Nosso Senhor era totalmente Deus em sua carne humana.

A Maternidade Divina de Maria possui a importância de confirmar a divindade de Jesus.

O que a Sagrada Tradição ensina? 

A Tradição, a exemplo das escrituras, segue a crença bíblica. No ano 431, no concílio de Éfeso, Maria foi confirmada como “Mãe de Deus” para que a divindade de Cristo fosse afirmada. Desde o início, os Pais da Igreja viam em Maria o exemplo de mulher, a nova Eva, aquela que cuidou e alimentou o homem Deus.

Vejamos alguns testemunhos da patrística, onde a tradição se faz presente nesta crença genuinamente cristã.

Hipólito, 170, Philosophoumena, X,33: PG 16,34-51 – “Sabemos que ele assumiu o corpo da Virgem, que revestiu o homem velho mediante uma nova criança, que passou através de toda idade da vida, para se converter em norma de toda idade. Sabemos que esse homem nasceu de uma massa como a nossa: se não tivesse sido de nossa mesma massa, vã seria a lei de imitar o mestre. Se esse homem tivesse sido de outra substância, por que me teria mandado tais coisas a mim, que sou fraco por natureza? Seria bom e justo”?

Alexandre de Alexandria, Ep. Ad Alex. Const. N. 12, em Teodoreto, História Ecclesiastica, 1,3: PG 82,908 – “Nosso Senhor Jesus Cristo recebeu real e não aparentemente um corpo da Theotokos Maria”.

Santo Atanásio de Alexandria, 318, da Trindade – “A Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador essa duas coisas: que Ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é a palavra do Pai, seu esplendor e sabedoria e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da Virgem Maria, Mãe de Deus”.

Oração Egípcia, 211 d.C. – “Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as nossas súplicas, pois estamos sendo provados, mas livrai-nos de todo o perigo, ó Virgem gloriosa e bendita”.

Lutero, o precursor da reforma protestante, acreditava na maternidade divina de Maria:

Martinho Lutero, Auslegung dês Magnificat, 1522: LW 7,572 – “As grandes coisas que Deus realizou em Maria se reduzem a ser a Mãe de Deus. Com isso lhe foram concedidos muitíssimos outros bens, que ninguém poderá nunca compreender. Daí deriva toda a sua honra, toda a sua bem-aventurança e que ela seja no meio de toda a raça humana uma pessoa de todo singular e incomparável. Ela teve com o Pai celeste um filho, e um filho tal. Compreende-se toda a sua honra, quando se chama a ela de Mãe de Deus. Ninguém pode dizer coisa maior dela, mesmo que tivesse tantas línguas como folhagem tem a erva, como estrelas têm o céu ou areia têm as praias. Deve-se meditar no coração o que significa ser Mãe de Deus”.

Virgindade Perpétua

O que as sagradas escrituras ensinam?

Embora o novo testamento manifeste a ideia de que o Senhor possuía irmãos, não há qualquer registro histórico que esses filhos sejam de Maria ou de José. Tanto que, em todas as passagens que se encontram aspectos familiares dessa “tribo”, Jesus é o único a ser chamado de filho de Maria (Mc 6,3) ou filho do carpinteiro (Mt 13,55), ainda soma-se a alguns fatos importantes como a não presença desses irmãos na subida dos pais de Jesus a Jerusalém (Lc 2,42) ou quando o próprio Cristo, no alto da cruz, entrega sua mãe aos cuidados do apóstolo João (Jo 19,26-27), sendo que o mesmo não fazia parte da família. Fatos como esses, até hoje não são bem explicados por aqueles que não acreditam na virgindade perpétua de Maria. A Igreja desde os tempos mais remotos, viu nestes irmãos, membros da família, mas não irmãos uterinos. Vemos por exemplo que a própria Maria, mãe de Jesus, tinha uma irmã ou cunhada também chamada Maria (esposa de Clopas / Jo 19,25) cujos filhos são chamados de “Tiago Menor e José (Mc 15,40)”, nomes esses que são parecidos aos supostos irmãos do Senhor. Lemos também que Paulo em sua epístola aos Gálatas diz que ao ir para Jerusalém, encontrou além de Cefas (Pedro) o apóstolo Tiago, “irmão do Senhor” (Gl 1,19). Embora não existam afirmações concretas que esse Tiago possa ser um dos doze chamados inicialmente, há que interprete que este apostolo citado por Paulo seja o filho de Alfeu (Mc 3,18) e aqui, teríamos mais uma prova que de fato esses irmãos não passam de membros do mesmo clã, já que Alfeu poderia ser “Clopas”, esposo da outra Maria (Mt 28,1), mãe de Tiago e José. Judas também afirma ser irmão deste Tiago (Jd 1,1).

O que a Sagrada Tradição ensina?

A virgindade perpétua de Maria nunca foi um tema que tivesse trazido discórdia da Igreja antiga. Embora existissem casos esporádicos, como foi o caso de Elvídeo e Bonoso de Naiso (Bispo na Dácia), a maioria esmagadora dos Padres defendia que Nossa Senhora nunca teve outros filhos, a não ser Jesus, o Senhor. O dogma da virgindade não foi confirmado em determinado ano e sim, entendido e abrigado nos corações das comunidades desde os primórdios do cristianismo.

Vejamos algumas declarações:


Santo Agostinho, Sermo 72A,8: PL 46,938 – “Esta mãe santa, honrada, semelhante a Maria, dá a luz e é virgem”. 

Cromácio de Aquileia, Sermo 30,1-2; SC 164,135-136 – “Efetivamente, a Igreja de Cristo está ali onde se prega a encarnação de Cristo por meio da virgem”.

João Crisóstomo, In psalmum 44,7: PG 55,193 – “Uma virgem nos fez expulsar do paraíso, por meio de uma virgem encontramos a vida eterna”.

Efrém, Diatessaron, 2,6: SC 121,69-70; cf. id, Himni de Nativitate, 10,6-9: CSCO 187,59 – “Como teria sido possível que aquela que foi morada do Espírito, que esteve coberta com a sombra do poder de Deus, se convertesse em mulher de um mortal e desse à luz na dor, segundo a primeira maldição”?

Orígenes, In Mt. Comm. 10,17: GCS 10,21 – “Maria conservou sua virgindade até o fim para que o corpo que estava destinado a servir à palavra não conhecesse uma relação sexual com um homem”.

Gregório de Nissa, Hom, in Nativ.: PG 46,1140s – “O anjo lhe anunciou o nascimento e ela se agarra à virgindade, por que pensa que manter-se intacta é superior à mensagem do anjo”.

Basílio, Hom. De Natividade: PG 31,1468s – “Não suportam que se diga que a Theotokos deixou de ser virgem em um determinado momento”.

Imaculada Conceição

O que as sagradas escrituras ensinam? 

As sagradas escrituras não ensinam de forma clara e objetiva que Maria tenha sido concebida de forma imaculada, entretanto, não menciona qualquer pecado ou falta que a Mãe de Deus tenha cometido. Um dos argumentos escriturísticos que frequentemente tem sido utilizado para indicar a primícia desse ensinamento, diz respeito à saudação do Anjo no momento da anunciação da maternidade divina. Lemos no evangelho de Lucas a seguinte afirmação:

Lc 1,26-30 – No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entretanto onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, CHEIA DE GRAÇA, o Senhor está contigo”! Ela ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. O Anjo, porém, acrescentou: “Não temas, Maria! Encontraste GRAÇA junto de Deus”.

Dentro de toda a literatura bíblica, a ÚNICA VEZ que aparece o termo κεχαριτωμένη (Cheia de graça) é nesta passagem de Lucas que e é destinada única e exclusivamente a Maria. Através dos tempos, a Igreja entendeu que o fato de Nossa Senhora ser “cumulada de graça por Deus (Lc 1,28)” fez com que ela tivesse sido redimida desde a concepção, uma vez que Nosso Senhor, sendo Deus, não possuía pecados, o ventre o qual abrigaria o santo de Deus, deveria ser puro e livre de qualquer mancha do pecado.

Embora a Bíblia não dê como assertiva a isenção de pecados de Maria, temos como primícia a declaração do Anjo que originou as profundas reflexões pelos séculos que levaram a confirmação dessa verdade de fé.

O que a Sagrada Tradição ensina?

A tradição comumente afirmava que Maria havia sido isenta de pecados pessoais e isso se dava ao fato de sua intima relação com o Espírito Santo uma vez que Jesus Cristo havia nascido do ventre que foi tomado pela “Sombra do Altíssimo (Lc 1,35)”. Era tão grande a manifestação dessa crença na Igreja Antiga que alguns padres chamavam Maria de “templo santo”. Vemos isso ao ler a declaração de Cirilo de Alexandria no Concílio de Éfeso (431):

Cirilo de Alexandria, Discurso pronunciado em el Concilo de Efeso: PL 77,1029-1040 – “Salva, Maria, templo onde Deus habita, templo santo, como o chama o profeta Davi quando diz: “Teu templo é santo e admirável em sua justiça (SL 64.6)”. Salve Maria, a criatura mais preciosa da criação; salve Maria, pomba puríssima”. 

Assim, Gregório de Nissa (335) e André de Creta (650) seguiam a mesma língua de pensamento:

Gregório de Nissa, De virginitate, 2 – “A plenitude da divindade que residia em Cristo, brilhou através de Maria, a imaculada”.

André de Creta, Encom. II in dies Natalis: PG 97,832B – “Eu proclamo Maria a única santa, a mais santa entre todos os santos”.

Encontramos semelhantes afirmações de outros estudiosos, que viam na virgem o templo no qual Deus habitou por nove meses, sendo que por méritos do Senhor, antecipou Maria fazendo com que ela tivesse sido concebida sem a macha do pecado de Adão.

Alguns teólogos como Raimundo Lúlio (1315) emanaram a ideia dessa isenção da culpa original:

Raimundo Lúlio, Dispotatio Eremitae ET Raymundi, q.96 – “A semente da qual procede Maria não herdou o pecado original de seus pais”

O teólogo Franciscano Duns Scoto (1308) afirmou que:

Cf. A. Villamonte, Qué ES ló que celebramos em La fiesta de La inmaculada?, em EphMar 35, 323 – “Não poderíamos chamar Cristo perfeitíssimo Redentor nem Maria perfeitíssima redimida se não afirmássemos a preservação do pecado original”.

O dogma da Imaculada Conceição foi oficializado somente no dia oito de dezembro de 1854, porém, como lemos em alguns relatos, as afirmações sobre a santidade da virgem derivaram de muitos séculos atrás e muitas das afirmações aqui colocadas foram as responsáveis pela definição desse ponto de fé.

Para aqueles que não acreditam, fica o ônus da questão de provar pelas próprias escrituras que Maria tinha pecados.

Assunção / Dormição

O que as sagradas escrituras ensinam?

Não há qualquer livro canônico que mencione o destino final de Maria, quanto a isso, o único registro histórico que confirma o destino da virgem é através da tradição.

O que temos por conhecimento, pelo pouco que o novo testamento passa é que após a Crucificação, João passou a receber Maria em sua casa (Jo 19,26-27) e que no Cenáculo, relatado por Lucas, a Mãe de Jesus, juntamente com sua família perseverava em oração (At 1,14).

O que a Sagrada Tradição ensina?

O registro histórico da tradição diverge no que diz respeito à morte ou sono da virgem. Alguns mencionam que Maria teria morrido, ressuscitado e posteriormente havia sido assunta aos céus, enquanto outras descrevem que a Mãe de Deus, no fim do curso de sua vida, adormeceu e foi também elevada aos céus.

O texto que coloco abaixo foi transcrito por um “pseudo-Melitão” e é colocado pela tradição como Trânsito B. O relato está registrado no livro de José Cristo Rey García Paredes / Mariologia, Síntese bíblica, histórica e sistemática / Pg 261. Narra à morte, sepultamento, ressurreição e assunção da Virgem.
“Quando o Senhor estava crucificado, viu a Virgem e João, o evangelista, a quem amava mais que aos outros apóstolos porque havia se conservado virgem, que estava junto da cruz. A ele recomendou o cuidado de Santa Maria dizendo-lhe…e quando os apóstolos se dispersaram pelo mundo para pregar, segundo lhe coube em sorte, ela ficou em casa de seus pais no monte das Oliveira (N.2) No segundo ano depois que Cristo, vencia a morte, havia subido ao céu, Maria começou a chorar sozinha no refúgio de sua câmara. E um anjo de vestes refulgentes se apresentou diante dela e a saudou dizendo: ‘Salve, bendita do Senhor. Recebe a saudação daquele que mandou a salvação a Jacó por meio dos pobres. Vê este ramo de palma; eu o trouxe do Paraíso do Senhor; tu o farás levar diante do teu féretro quando, daqui a três dias, sereis levada do teu corpo. Teu filho te espera acompanhado dos coros angélicos’. Maria disse ao anjo: ‘Peço-te que se reúnam junto de mim todos os apóstolos do Senhor Jesus Cristo. Rogo-te que me abençoes, para que no momento em que minha alma saia do corpo, não encontre nenhum poder infernal nem veja o príncipe das trevas’. O anjo respondeu: ‘As potencias infernais não te causarão dano, pois teu Senhor te deu tua bênção eterna; mas o não ver o príncipe das trevas não posso conceder-te eu, e sim Aquele a quem levaste em teu seio. É Ele quem tem o poder sobre tudo, pelos séculos dos séculos’. Dizendo isso, retirou-se o anjo com grande resplendor. Porém, a palma ficou resplandecente com uma grande luz. Maria então vestiu suas melhores veste. E tomando a palma que havia recebido da mão do anjo, subiu para orar no monte das Oliveiras. Isso feito, retornou para sua cama (N.3). De repente, no domingo, na hora terceira, quando São João pregava em Éfeso, houve um grande terremoto; uma nuvem o elevou, o tirou dos olhos de todos e o depositou diante da porta da casa onde estava Maria (N.4)”.

Depois, há um diálogo entre Maria e João:

“Daqui a três dias abandonarei o corpo”

Maria ainda acrescenta que os judeus estão esperando o momento de sua morte para queimar seu corpo. Dá instruções a João para que a sepultasse com uma determinada veste e lhe pediu que fizesse levar diante do féretro, ao ir para o sepulcro, a palma luminosa que havia recebido do anjo (N.4).

“No momento foram trazidos em uma nuvem todos os apóstolos desde os lugares nos quais pregavam e se perguntavam uns aos outros ao ser depositados em terra na porta da casa da Virgem: ‘Para que nos reuniu o Senhor’? (N.5). ‘O Senhor vos trouxe aqui para que me consoleis nas tribulações que me aguardam. Peço-vos que vigiemos juntos sem interrupção até o momento no qual o Senhor vier e eu seja separada do corpo’ (N.6). Passaram três dias louvando a Deus. No terceiro dia, lá pela hora terceira, adormeceram todos os que estavam na casa, com exceção dos apóstolos e três virgens que estavam ali. De repente veio o Senhor Jesus Cristo com grande resplendor e disse: ‘Vem pérola preciosíssima; entra na morada da vida eterna’ (N.7)”.

Depois de uma oração ajoelhados, Maria se levantou do solo, deitou-se na cama e, dando graças a Deus, entregou o espírito.

“Os apóstolos viram que sua alma era tão cândida que nenhuma língua humana podia descrevê-la de maneira digna: irradiava tamanha claridade que superava a brancura da neve, da prata e de todos os metais (N.8). O Senhor pediu a Pedro que sepultasse o corpo de Maria em um sepulcro novo, e entregou a Miguel – guardião do Paraíso e príncipe do povo judeu – a alma de Maria. Gabriel o acompanhava (N.9) O corpo de Maria era semelhante a uma flor de lírio e exalava um perfume tão suave que não se pode encontrar outro igual (N.10)”.

“Perguntam-se Pedro e João quem deverá levar a palma diante do féretro. Pedro achou que obrigado era João, o discípulo amado. Ao tomar o corpo e levá-lo ao lugar da sepultura, Pedro começou a cantar: ‘Saiu Israel do Egito. Aleluia’! Os apóstolos levavam o corpo e cantavam suavemente (N.11). O cortejo era de uma multidão de cerca de umas quinze mil pessoas. Um príncipe dos sacerdotes, cheio de ira, disse aos outros: Vede que glória recebe o tabernáculo daquele que nos confundiu! Aproximando-se, quis derrubar o féretro e lançar o corpo por terra. Mas suas mãos secaram desde o cotovelo e ficaram agarradas ao féretro. Os anjos que estavam na nuvem golpearam o povo de cegueira (N.12). O sacerdote pedia para ser curado. Pedro lhe disse que o curaria se acreditasse ‘de todo o coração no poder de Jesus Cristo, a quem Maria levou em seu seio ficando virgem depois do parto’ (N.13). Acreditou e foi curado. João lhe deu a palma. Entrou na cidade e aos que impunham a palma sobre os olhos recobravam a visão (N.15)”.

“Os apóstolos levaram Maria ao vale de Josafá e a depositaram em um sepulcro novo. Apareceu-lhes então o Senhor. E lhes disse: ‘Por ordem de meu Pai escolhi esta dentre todas as tribos de Israel para nela habitar. Que quereis que lhe faça’? Pedro e os outros apóstolos lhe responderam: ‘Se possível à graça do teu poder, nós teus servos veríamos com bons olhos que ressuscitasses o corpo de tua mãe e o conduzisse contigo ao céu, do mesmo modo que Tu vencias a morte, reinas na glória’ (N.16). Então Jesus ordenou ao arcanjo Miguel trazer a alma de Santa Maria; girou a pedra do sepulcro. O Senhor disse: ‘Sai amiga minha, tu que não aceitaste a corrupção do coito, não sofrerás a dissolução do corpo no sepulcro’. E no instante ressuscitou Maria e se prostrou aos pés de Jesus adorando-o (N.17). O Senhor a beijou e se retirou, entregando-a aos anjos para que a levassem ao céu. A seus apóstolos também os beijou e se elevou em uma nuvem e entrou no céu e com ele os anjos que levavam Maria para o Paraíso de Deus. Os apóstolos foram devolvidos pelas nuvens cada um ao lugar onde estava pregando (N.18)”.

CONCLUSÃO

Amigos leitores;
Conforme vimos nestas poucas linhas, conseguimos verificar que as doutrinas católicas estão respaldadas também nas sagradas escrituras e se caso, dentro da bíblia, houve insuficiência para a comprovação, temos os registros históricos através da tradição da Igreja.
Que Deus nos conceda o verdadeiro discernimento!

 
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Publicado por em 31/10/2014 em Uncategorized

 

Respondendo aos protestantes

 
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Publicado por em 31/10/2014 em Uncategorized